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Críticas Séries

Ozark – 1ª temporada | Crítica

Ozark – 1ª temporada | Crítica

Ano: 2017

Criadores: Bill Dubuque e Mark Williams

Gênero: Drama / Suspense

Elenco: Jason Bateman, Laura Linney, Sofia Hublitz, Skylar Gaertner, Julia Garner, Charlie Tahan e Esai Morales.

Ozark, claramente, tenta surfar no sucesso de Breaking Bad e The Sopranos – mas não entrega o que o público espera. A mais nova série da Netflix, com assinatura de Bill Dubuque e Mark Williams, acompanha a trajetória de Marty Byrde (Jason Bateman), um consultor financeiro que lava dinheiro para um cartel de drogas mexicano sob a supervisão de Del (Esai Morales). Tudo muda quando eles descobrem que o parceiro de longa data do nosso protagonista está desviando dinheiro do tráfico.

A trama coloca Marty numa situação desesperadora, pois sua vida fica ameaçada pelo erro do sócio. Na investida de salvar a própria pele (e da família, principalmente, porque Del ameaçou matá-los também), ele realiza uma oferta sedutora para o traficante – se mudar para Ozark, uma cidade estadunidense com um lago artificial que é o destino de férias de muita gente, onde, fora da visão da polícia, seria possível lavar 500 milhões dentro de cinco anos. A proposta é aceita, porém, com uma advertência: para se manter vivo e continuar nos negócios, ele precisa primeiro limpar os 8 milhões que o seu colega havia roubado, isto apenas para provar que o plano é possível.

“A família é como uma microempresa. E uma microempresa às vezes precisa fazer uma transição. E quando se faz uma transição, não se deve gastar nem exagerar” – o texto acima foi dito pelo patriarca no início da série e sentenciou o futuro sombrio das pessoas que ele mais ama. O drama criminal atinge em cheio os outros três Byrdes: a esposa, Wendy (Laura Linney), e os filhos adolescentes, Charlotte (Sofia Hublitz) e Jonah (Skylar Gaertner). O envolvimento de Wendy com o seu parceiro e todos os seus esquemas é uma excelente mudança de ritmo da trama. Linney dá um tom melodramático para a personagem que engana e manipula as pessoas para conseguir o que quer. É instigante assistir a todos eles se instalando na nova casa e começando a procurar o próximo grande esquema de lavagem de dinheiro. Será um clube de strip? Um resort turístico? Uma Igreja evangélica? E quanto tempo vai demorar para que os bandidos locais apareçam? Cada decisão afeta diretamente a rotina local da cidade. Ademais, outra história nasce ao minimizar os problemas típicos da filha adolescente e, em vez disso, dar ênfase no filho como uma pessoa misteriosa para os pais. Quando Jonah começa a estripar animais selvagens e aprende a usar armas, você pode premeditar algum incidente tenebroso. Na maioria da vezes, ele é um menino doce e curioso, mas há algo secreto sobre o irmão da mãe que faz com que o casal sinta medo em relação ao garoto. Muito medo. Como eles estão atordoados com o cartel, lidam de forma desastrosa com o filho.

Dentre os personagens locais destaco um núcleo: a família de pequenos criminosos com uma líder feminina de 19 anos, Ruth (Julia Garner), que é inteligente, experiente e quer aprender o esquema do protagonista; e que conta também com um garoto de 17 anos que lê livros de ficção científica sob um trailer. Ruth amadurece no decorrer dos episódios – da garota arrogante que só quer o saco de dinheiro de Marty, para uma mulher segura que planeja matá-lo. Filha de um presidiário e sozinha, sua vulnerabilidade diante do carinho quase parental do casal com ela é cativante. Assim como seu relacionamento com o primo, o referido leitor de ficção científica, Wyatt (Charlie Tahan) – que na ausência de orientação familiar ou conforto monetário, esses jovens se entregam por apoio e força.

A grandiosidade do personagem principal vai se diluindo pouco a pouco. De início, ele é um cara complexo, auspicioso e extremamente inteligente, que nos instrui didaticamente no universo das falcatruas financeiras, e é delicioso acompanhá-lo. Ao longo dos episódios percebemos que, na verdade, ele é um homem muito desorientado (e isso já há uma década). Ele é tão maleável que não consegue agir contra ninguém, ficando preso internamente nos seus ressentimentos. Assim fica difícil cativar o público, pois não é tão divertido assistir um “bom” homem sendo forçado a fazer algo ruim. Falta perversidade e ambição em Marty.

Contudo, talvez essa seja a obra que gostaria de ter visto, e não a história que os criadores queriam contar. A narrativa muda de direção e paira no ar o questionamento acerca dos reais motivos que levam as pessoas a se envolverem com esquemas tão corruptos. Fica óbvio que não é preciso ter nenhum transtorno de personalidade para cometer erros. A série pode não entregar o que a audiência quer assistir, e isso não necessariamente é uma má notícia.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 7    Média: 3/5]

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