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Os Meninos que Enganavam Nazistas | Crítica

Os Meninos que Enganavam Nazistas | Crítica

Os Meninos que Enganavam Nazistas (Un Sac de Billes)Resultado de imagem para os meninos que enganavam nazistas

Ano: 2017

Direção: Christian Duguay

Roteiro: Christian Duguay e Laurent Zeitoun

Elenco: Dorian Le Clech, Batyste Fleurial, Patrick Bruel, Elsa Zylberstein, Christian Clavier, Bernard Campan, Kev Adams. César Domboy

A Segunda Guerra Mundial é uma fonte inesgotável de grandes histórias que precisam ser contadas. De 1940 a 1944, a França estava ocupada por autoridades alemãs e italianas, após ter sido derrotada na Batalha da França. Como uma medida para cessar as hostilidades, o governo francês assinou um armistício cedendo regiões do país aos inimigos. A história é contada durante esse período, mostrando a vida de uma família judia tradicional que demonstra orgulho de suas origens. Somos apresentados a dois irmãos, Maurice (Batyste Fleurial) e Joseph (Dorian Le Clech), que gostavam de aprontar na cidade natal. O longa é uma adaptação do livro homônimo, escrito por Joseph Joffo.

A relação dos irmãos é bem desenvolvida, percebe-se a cumplicidade entre eles. O resto da família não possui muito tempo de tela, o que é natural, pois a história gira em torno da jornada feita pelos dois. Mas, mesmo assim, sente-se falta de um desenvolvimento maior dos pais e dos outros irmãos. Os nomes dos integrantes da família são difíceis de memorizar, visto que são personagens esquecíveis. Os meninos precisam fugir, assim como o resto da família, mas não podem se juntar aos seus pais ou irmãos, pois seria mais fácil de serem capturados pelos soldados alemães. O início da trama já possui alguns problemas, tais como a ideia de mandar dois meninos cruzarem o país sozinhos. Mas como a história é baseada em fatos reais, isso pode ser relevado.

O desenvolvimento acaba rotulando a produção como uma espécie de road movie, contando a saga dos fugitivos. Personagens são apresentados de maneira rápida e sem aprofundamento, com furos de roteiro que provocam questionamentos sobre se os fatos poderiam ser verdadeiros. Em determinados momentos, soluções são jogadas em tela, sem um desenvolvimento adequado da história até chegar ao ponto em que as coisas estão acontecendo.

A fotografia e a ambientação são os principais pontos fortes da produção, passando veracidade de época e encantamento por conta das paisagens. Por outro lado, as atuações dos protagonistas não estão boas. Batyste Fleurial, apesar de ser carismático, não possui a dramaticidade que seu personagem tenta transpassar. Dorian Le Clech está um pouco melhor, mas também deixa a desejar quando as situações ficam realmente tensas e precisam de uma reação expressiva do ator. A história em si é interessante e, mesmo com os problemas de roteiro, acaba prendendo o espectador e cativando de certa forma.

O segundo ato é o mais problemático, no qual o ritmo se perde e tudo acontece de forma lenta e sem profundidade. O desfecho também é ruim, muito por conta de decisões do roteiro ao terminar a história. Personagens são introduzidos rapidamente e relações são impostas em pouco tempo, faltando desenvolvimento e densidade. Quando decisões são tomadas, é difícil acreditar que os personagens seriam capazes de realizar determinadas ações. O roteiro não escapa dos diálogos e situações clichês, forçando uma dramatização no último ato e resolvendo superficialmente detalhes importantes da trama.

Os Meninos que Enganavam Nazistas não é um grande filme sobre um fato ocorrido na segunda guerra, mas tenta relatar uma história tocante. Mesmo faltando qualidade no roteiro, o ocorrido deve ser contado e reconhecido por todos.

Nota do crítico:

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Estudante de Jornalismo, formado em Programação. Fanático por Cinema, começou a gostar mesmo da sétima arte depois de velho. Estuda por conta própria e pretende seguir “carreira” como Crítico de Cinema.

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