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Planeta dos Macacos: A Guerra | Crítica

Planeta dos Macacos: A Guerra | Crítica

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes)

Ano: 2017

Direção: Matt Reeves

Roteiro: Mark Bomback, Matt Reeves

Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn, Karin Konoval, Amiah Miller, Terry Notary, Gabriel Chavarria

Ao final da sessão desse filme fiquei horas e horas digerindo o que eu acabara de ver. A mensagem traz uma reflexão profunda sobre o que a humanidade é. Pode parecer fácil refletir sobre isso para quem está em uma vibe totalmente diferente, mas até onde nós humanos podemos chegar? Quando iremos nos unir por um bem maior e esquecer nossas diferenças? Sutilmente, o filme vai mostrando como poderíamos melhorar através dos selvagens, até chegar à autodestruição. Egoísmo, crenças, futilidades, tudo é motivo para guerras. Batalhas são travadas a todo  momento. Não existe descanso. Somos  mais selvagens do que qualquer criatura que já pisou na terra. Temos que nos questionar a todo momento: este planeta realmente é nosso ou estamos apenas abusando da vantagem da tal “inteligência” que temos? Prefiro acreditar que seres que utilizam a natureza absorvem-na e convivem com respeito, e não buscam destruí-la pelo simples motivo de não querer entrar em extinção.

Após três filmes bem construídos para chegar a este ponto de profundidade, vemos que nada é jogado gratuitamente em tela. Agora, tudo faz sentido. A importância desses três filmes para o cinema contemporâneo pode ser duvidosa para muitas pessoas, mas absorvi algo importante através deles: além dos questionamentos citados, vi que um blockbuster pode ser tão profundo quanto qualquer filme menos hypado. Ao criticar a própria humanidade, os idealizadores mostram ter pegado a mensagem passada através do clássico livro que deu origem à série, sem medo de fracassar financeiramente. Quem leu o livro viu como uma ligação entre duas obras pode ser feita mesmo através de veículos diferentes. A sutileza ao pontuar o livro é louvável. Sem exageros: me arrancou arrepios ao nominar a personagem Nova (Amiah Miller); e ao apresentar Cornelius (Devyn Dalton) me fez abrir um sorriso brilhante. Estas cenas são extremamente relevantes para apresentação dos personagens, que serão importantíssimos no futuro daquele universo.

Caesar (Andy Serkis), sem dúvida alguma, se tornou um dos personagens mais importantes da história do cinema. Todas as suas camadas são destrinchadas através dos três filmes numa evolução clara de atuação e personagem. Claro que comparações a nomes influentes na história humana são feitas, tais como Moisés, Jesus Cristo e Nelson Mandela, sendo que todas as mensagens possíveis que esses nomes poderiam passar estão nesse personagem. Ironicamente, o selvagem é mais humano do que qualquer humano em tela, ama mais do que qualquer pregador de fé. Suas falhas são retratadas com clareza, entendemos como qualquer criatura pode chegar ao fundo do poço após ser tão violado. Andy Serkis já é um dos grandes nomes da indústria, mas em nenhum filme vi dessa forma a expressividade que uma pessoa pode ter mesmo com um revestimento digital tão perfeito. Ele revolucionou o modo de atuar, provavelmente seja o ator que mais trouxe coisas novas à sétima arte, e será lembrado eternamente por isso.

Uma coisa que sempre foi bastante forte nessa nova trilogia é o papel dos vilões, aqui não é diferente. O Coronel, vivido pelo excelente Woody Harrelson, tem uma atuação comparada à de Marlon Brando em Apocalypse Now. Com um olhar ameaçador e doentio, ele traz um personagem inescrupuloso e com um background  totalmente aceitável para chegar à aquela situação. Alguns diálogos expositivos entre ele e Caesar são feitos, sim! Mas com uma naturalidade totalmente aceitável para os momentos pontuais. Esta é trazida também pela ótima trilha sonora de Michael Giacchino, que compõe uma sonoridade belíssima e ameaçadora, chegando até a dar esperança com seu envolvimento com as cenas que passam em tela – algo tão orgânico que em vários momentos se passa despercebido, mas sabemos que está lá através da emoção.

Matt Reeves me mostrou uma visão totalmente nova sobre o cinema, uma que não consigo colocar muito bem em palavras, mas certamente a minha forma de ver um filme irá mudar daqui em diante. Enxergar as entrelinhas de personagens tão ricos me fez ver que posso tirar muito mais dessa arte, posso me questionar como ser humano até vendo uma comédia boba. Isso mostra que o diretor tem uma visão criativa muito além do agora. Não tenho medo de dizer que ele é um visionário ao construir seus personagens, pois aqui vemos do que ele é capaz.

Não sei se haverá outro Planeta dos Macacos, não vejo motivos após esse poético encerramento da trilogia. Com toda certeza, esse filme ficará marcado por tudo que representa dentro e fora desse universo. Repito: está na hora de todos nós nos questionarmos sem ter medo de nos submeter aos defeitos ou encarar e aceitar as diferenças. Precisamos ser humanos, tão humanos quanto um macaco que fala.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4.5/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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