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Dunkirk | Crítica

Dunkirk | Crítica

Dunkirk

Ano: 2017

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Christopher Nolan

Elenco: Fionn Whitehead, Tom Hardy, Mark RylanceKenneth BranaghCillian Murphy, Harry Styles

A Operação Dínamo foi praticamente o início da Segunda Guerra Mundial. Após esse evento, o mundo não foi mais o mesmo. Depois de 400.000 soldados ficarem encurralados na baía de Dunquerque, uma operação cívico/militar entra em ação para tentar resgatá-los, mesmo quando já estavam sem esperança e esperando a morte. Christopher Nolan nos apresenta um filme sobre uma situação trágica e não sobre personagens. Tendo isso em mente, vemos que a efetividade do longa é inquestionável. Sem delongas, entramos na guerra do modo mais cruel possível: em uma cena de abertura desesperadora.

A proposital frieza do filme é executada através das cores sóbrias e de seus personagens pouco explorados – isso é proposital, a meu ver, pois o que o diretor quer explorar aqui não é cada pessoa e, sim, o que está por vir. O inimigo implacável está sempre mais perto, e a trilha sonora pulsante como um coração traz isso muito bem. O nervosismo impera. Sentimos que o próximo ataque pode ser o último. O relógio é o inimigo, tudo é urgente, todas as ações são calculadas – desde o combustível de um avião, até o número de pessoas dentro de um barco. Nada pode dar errado em uma ação desesperada para salvar o máximo de combatentes possíveis.

Os efeitos práticos ajudam a contar história. Desde o combate aéreo, ao desespero de soldados em terra, no mar, só resta rezar para que nenhuma bomba caia em nossas cabeças. Por mais distante que pareça, cada ataque parece o fim de tudo, pois um poderoso estrondo de destruição se mistura à música e sentimos nossos últimos segundos. Em meio disso tudo, temos uma montagem primorosa que ajuda a contar a história. A não linearidade faz total sentido para entendermos o porquê de aqueles soldados estarem naquela situação de desespero.

A inteligente decisão do diretor de não mostrar o inimigo diretamente aumenta o senso de urgência, pois não sabemos de onde cada ataque virá. Vemos aviões, ouvimos rajadas, mas não temos uma personificação do mal. Não são nazistas, não são demônios, são inimigos, pois a situação é maior do que qualquer personificação ou estereótipo de “mau”.  Pois o mau nos cerca, o mau sempre está a espreita, ao piscar de olhos perdemos a vida. A fotografia contribui muito nesse quesito, com planos longos na praia mostrando o território hostil e sem vida. O mar é algo sem alma, espumas brancas vazam no raso, tudo se perde ali, tudo morre ali. Com planos aéreos entendemos a grandiosidade perda. A esperança que existe no horizonte está distante. A casa dos pobres combatentes parece cada vez mais longínqua.

Em meio à situação de urgência e pessoas perdidas, temos personagens bem trabalhados. Um marinheiro civil extrai todo seu patriotismo para ajudar a todos que encontra pelo caminho. O líder em campo, permanece até o último segundo e vai além, pois “nenhum homem fica para trás”. Todos são importantes, todos são humanos. Questionados, esses personagens fazem o possível para permanecerem fortes, eles tem o peso do mundo em suas costas. Nada poderá ser feito, mas tudo pode ser suportado.

Dunkirk poderia ser um filme muito mais grandioso, mas se mantém acanhado. Passa uma das mensagens mais otimistas do cinema moderno. A inspiração fala conosco e acredita na humanidade de cada um. Não é porque somos derrotados que seremos humilhados, pois a derrota faz parte do dia a dia de cada ser humano, desde um dia simples que temos que comprar um pão na padaria, até o dia que temos que segurar um rifle em punho para salvar uma nação. Aqui não temos 400.000 homens em perigo, temos a humanidade pedindo socorro e todos nós deveremos atender a este chamado.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 4/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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Comments

  1. Ótima crítica.

  2. O trabalho de Christopher Nolan sempre me deixa satisfeita. Tem uma visão muito particular na hora de dirigir seus filmes. Christopher Nolan como sempre nos deixa um trabalho de excelente qualidade, sem dúvida é um dos melhores diretores que existem, a maneira em que consegue transmitir tantas emoções com um filme ao espectador é maravilhoso. O filme Dunkirk tem um roteiro maravilhoso. É um filme sobre esforços, sobre como a sobrevivência é uma guerra diária, inglória e sem nenhuma arma. Acho que é um dos melhores filmes de guerra, é uma produção que vale a pena do principio ao fim.

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