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Friends From College – 1ª temporada | Crítica

Friends From College – 1ª temporada | Crítica

Friends From College – 1ª temporada

Ano: 2017

Criadores: Francesca DelbancoNicholas Stoller

Elenco: Keegan-Michael KeyAnnie ParisseCobie SmuldersFred SavageNat FaxonJae Suh ParkBilly EichnerSeth RogenKate McKinnon

 

Há algum tempo, Cobie Smulders disse que Friends From College seria uma espécie de How I Met Your Mother mais sombria. É claro que isso foi uma jogada de marketing certeira para atingir os fãs da famosa sitcom em que Smulders atuou. Infelizmente, quando se assiste a isso, o que fica é um gosto amargo de decepção na boca e aquela sensação de saber que você foi enganado direitinho.

A premissa de Friends From College é bem básica: seis adultos reencontram velhos amigos dos tempos de faculdade e voltam a fazer suas traquinagens quando em bando, assim como faziam naquele tempo. Apesar de clichê, esta é uma premissa interessante porque existe um leque de opções do que fazer com ela. Mas o caminho escolhido pelos criadores Francesca Delbanco e Nicholas Stoller foi contar uma história de um caso entre amigos que já dura 20 anos – e ambos são casados. O resultado não poderia ser mais desastroso.

O problema não está no caminho escolhido, mas na execução. FFC trabalha com personagens extremamente exagerados. O “protagonista” da série, Ethan Turner, é o seu personagem mais antipático. Isto se dá porque Keegan-Michael Key tem uma atuação muito forçada. Não há motivos para seu Ethan ser assim, exceto pelo fato de todos os protagonistas da série serem adultos imaturos – ainda assim, soa como algo irreal cada exagero e as careta de Key. Seu personagem é um escritor de livros que ninguém leu e está migrando para um gênero que “venda”: o dos jovens adultos. Suas cenas de brainstorming com Max Adler, o personagem de Fred Savage, dão vergonha alheia. Fica impossível entrar no clima que a dupla está e não é crível que um brainstorming seja daquele jeito. É desnecessário e implausível.

Já que citei o personagem de Savage, preciso citar o quão insignificante é o plot do crush que Max sente por Ethan. É uma trama que surge do nada, sem nenhuma cena que remeta a isso e que vai para lugar nenhum, e não há nem mesmo uma sugestão de que isso venha a ser abordado numa (im)provável segunda temporada. Apesar da atração platônica, Savage faz um personagem gay que tem um relacionamento com Felix, um médico antipático interpretado por Billy Eichner (um dos poucos personagens de que gostei e é apenas um coadjuvante). Porém, a série não faz questão de mostrar um mísero beijo entre eles, o que não torna crível o relacionamento. Todos os outros casais da série têm beijos mostrados em cena, e por mais problemáticos que sejam, você os compra como casais. Com Max e Felix isso não acontece. A impressão que fica é de que essa “representatividade” soa como um oportunismo mercadológico e um desserviço à comunidade LGBT.

Falando em desserviço, tem personagens que o são para a série, não agregando nada à história, como é o caso de Marianne (Jae Suh Park). Marianne só serve para gerar indiretamente um conflito envolvendo sua coelha de estimação no caso que Ethan e Sam (Annie Parisse) mantêm há 20 anos, e para abrigar o casal que acaba de chegar a Nova York (Ethan e Lisa, personagem de Smulders). Aliás, essa história da coelha de Marianne é tão forçada quanto os personagens são irritantes. Sério, parece que FFC se passa em um universo alternativo levemente parecido com o nosso, mas com coisas mais inverossímeis do que as vivenciadas diariamente.

Porém, nem tudo é problema na série. Cobie Smulders amadureceu muito como atriz. A Robin de How I Met Your Mother já era uma personagem complexa (embora levemente prejudicada pelo roteiro), mas a Lisa Turner que Smulders entrega é simplesmente a melhor atuação da série. Sua personagem carrega o fardo de tentar dar um filho ao marido. A frustração que vemos em Lisa quando a gravidez não dá certo é facilmente relacionável. Quando Lisa tem acessos de raiva é uma delícia de assistir porque, além de ser divertido assistir Smulders raivosa, você entende porque ela está daquele jeito. É só prestar atenção em todo o background da personagem que conseguimos simpatizar com a causa de Lisa. Mas é realmente uma pena que ela esteja à sombra de Ethan em diversos momentos da série.

Friends From College é mais uma série que nasceu do algoritmo da Netflix, já que Friends é uma das séries mais assistidas do serviço e How I Met Your Mother está deixando o catálogo. Stranger Things, uma série que surgiu desse algoritmo, conseguiu cair nas graças do público e da crítica; o maior sucesso lançado pela empresa. O mesmo não se pode dizer de FFC, que não tem agradado ao público e menos ainda à crítica. É uma pena, porque o potencial para sair algo bacana era enorme.

Nota do crítico:

Nota do público:

[Total: 1    Média: 2/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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