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O Filme da Minha Vida | Crítica

O Filme da Minha Vida | Crítica

Crítica de O Filme da Minha Vida, filme de Selton Mello com Vicent CasselO Filme da Minha Vida

Ano: 2017

Direção: Selton Mello

Roteiro: Selton Mello

Elenco: Vincent Cassel, Selton Mello, Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Beatriz Arantes, Rolando Boldrin, Ondina Clais

Com um primeiro ato muito bem executado, temos uma apresentação de personagens e situação bem entregues. O longa se passa em uma paisagem belíssima na serra gaúcha em meados dos anos 1960, contando a história de Tony Terranova (Johnny Massaro), que precisa lidar com a ausência do pai (Vincent Cassel) – este foi embora misteriosamente de volta para a França, seu país natal. Tony é professor de francês em uma pequena escola local e, em meio às aulas, vemos como esse personagem tem que lidar com os conflitos de seus alunos e vida amorosa.

Gosto muito de como sentimos toda a cinematografia do filme. A ambientação aos anos 1960 e sua trilha sonora envolvente se misturam com a fotografia amarelada da serra trazendo um ar de tranquilidade ao filme. Desde o vento gelado ao cheirinho do café pela manhã, consegui ter a imersão de sentir tudo isso, algo raro de acontecer. Isso nos prende logo de cara, pois o argumento também nos deixa bastante intrigado para sabermos onde aquela história vai nos levar e que mensagem o filme tem a passar.

Outro elemento relevante está no trabalho da fotografia junto a visão do Selton Mello, o que resulta em enquadramentos em primeiro plano, valorizando os olhos dos atores – mesmo atores com talento limitado (como o a Bruna Linzmeyer) acabam nos entregando algo a mais, algo que um texto não poderia dizer. Isso só demonstra que o diretor tem uma visão de bastante conhecimento de cinema, pois é algo complicado de se trabalhar, sendo que nem todos fazem isso com tanta naturalidade.

Infelizmente, temos uma mudança de tom um pouco brusca em certo momento no segundo ato do filme e ele vai nos guiar por outro caminho, o que acaba quebrando um pouco a atmosfera perfeita que nos envolvia. Outro ponto que acaba nos tirando desse tom é o texto que, com o passar do filme, vai ficando cada vez mais artificial. Percebemos claramente que são atores lendo textos, não acreditamos nas palavras. Nosso protagonista, ainda, sofre uma mudança inexplicável em sua postura: de um jovem acanhado, sem confiança e que mal conseguia olhar nos olhos dos outros, muda para um que se impõe com um olhar soberano sobre os outros e com total confiança, sem nenhum nexo e, juntando isso tudo, acabamos saindo de uma atmosfera envolvente para uma totalmente desinteressante.

Ainda como um toque de mestre ao filme, temos um humor pontual no personagem Paco (Selton Mello). Ele inclusive nos traz até uma mensagem sobre machismo de um modo não apelativo. Esse humor é tão bem aplicado que se passasse um pouco mais do tom ficaria totalmente destoante e sem sentido para a trama. O filme não vai muito além por suas claras limitações com seus atores, como eu já disse, e a que pesa mais é a de seu protagonista que se soma à tonalidade totalmente modificada durante a projeção em uma atuação que beira o caricato. Creio que uma escolha mais aprimorada de elenco teria feito bem ao filme.

O Filme da Minha Vida é algo diferente do que estamos acostumados no grande circuito nacional e, mesmo com suas limitações, merece espaço. Tem uma história que acaba um pouco morna, mas passa uma mensagem interessante a qual muitos podem se identificar. Esse é o maior mérito desse filme.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 4/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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