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O Círculo | Crítica

O Círculo | Crítica

O Círculo (The Circle)

Ano: 2017

Direção: James Ponsoldt

Roteiro: James Ponsoldt, Dave Eggers

Elenco: Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega, Ellar Coltrane, Karen GillanPatton Oswalt, Bill Paxton

O Círculo, facilmente, poderia ser um episódio de Black Mirror – se fosse bom. O filme, que adapta a obra de Dave Eggers, publicada em 2013, acompanha a trajetória de Mae (Emma Watson), uma jovem que desperdiça o seu suposto potencial em um monótono call center. Tudo muda quando a moça consegue uma vaga de atendimento ao cliente na gigante de tecnologia The Circle, uma espécie de Google com o seu conceito de empresa moderna e divertida.

Na parte comercial, The Circle aposta em duas inovações que mudarão o mundo on-line: o True You, uma plataforma que serve para centralizar todas as atividades dos internautas, facilitando suas vidas; e o SeeChange, que consiste em minicâmeras tecnológicas que são espalhadas pelo mundo, transmitindo ao vivo e coletando informações (sendo que, aparentemente, elas não precisam de bateria e nem nada – ok).

Por trás de toda essa modernidade temos Eamon Bailey (Tom Hanks), um dos donos da empresa. Carismático, o executivo dá palestras – ou lavagens cerebrais, fique à vontade para escolher – falando que “segredos são mentiras”, buscando acabar com a privacidade e deixar o mundo todo “transparente”, e empregando a ideia de que “compartilhar é cuidar”.

Mas, sem perder tempo, a trama coloca nossa protagonista na jogada: logo após um incidente, Mae acaba sendo a primeira pessoa a ser totalmente transparente, adotando a tecnologia da The Circle para compartilhar a sua rotina diária com o mundo – tirando os três minutos em que pode ficar off-line para ir ao banheiro. E o mundo responde a isso, como uma espécie de Big Brother.

Bom, até aí, se o espectador estiver de bom humor, tudo pode ser interessante. Afinal, estamos vendo na tela um futuro que, infelizmente, está mais próximo do que nunca. E, assim como Black Mirror, toda essa tecnologia trará consequências – admito que, mesmo com inconsistências e forçadas de barra do roteiro, estava empolgado para ver o desenrolar da história.

Mas o filme segue apenas um caminho: o do fundo do poço. O longa, que é dirigido por James Ponsoldt (do bom O Maravilhoso Agora, do elogiado O Fim da Turnê e que comandou alguns episódios da incrível Master of None), não consegue engrenar em momento algum. Começando com um ritmo acelerado e sem nos deixar criar qualquer tipo de ligação com os personagens, o filme transforma Mae na heroína mais apática dos últimos tempos. Desculpa, não dá nem para dizer que é heroína.

Não há na protagonista qualquer tipo de justificativa para as suas ações. Sua ascensão dentro da empresa é completamente inverossímil e, em poucas semanas, a personagem já se mostra completamente imersa nas ideias da empresa de tecnologia – colaborando para intensificar sua dominação mundial. Nunca entendemos o que está se passando com Mae. Em um momento, parece que ela vai se rebelar contra tudo aquilo. No outro, ela está empolgada com aquelas paradas bizarras.

Mas, vamos lá, talvez o problema não seja apenas a personagem – que é ruim –, mas também há ajuda da pouco expressiva Emma Watson. Com a mesma cara do início ao fim, não conseguimos identificar suas emoções – tirando a constrangedora pena que sente ao olhar para o seu pai doente –, deixando as motivações de Mae ainda mais aleatórias e sem sentido. Tom Hanks, por sua vez, está ok.

Apesar de trazer uma ideia atual e que, se bem trabalhada, tal qual Black Mirror faz, seria de extrema relevância, O Círculo não passa de uma mensagem superficial e de um desperdício enorme de talentos – tirando Emma Watson, que não se enquadra porque está cada dia mais engessada. Com uma montanha de inconsistências, um roteiro mal trabalhado e uma total falta de ritmo narrativo, o filme tem o seu melhor momento somente nos créditos finais.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 2/5]

 

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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