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Em Ritmo de Fuga | Crítica

Em Ritmo de Fuga | Crítica

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver)

Ano: 2017

Direção: Edgar Wright

Roteiro: Edgar Wright

Elenco: Ansel Elgort, Kevin Spacey, Jamie Foxx, Jon Bernthal, Jon Hamm, Lily James, Eiza González

É, amigos, Edgar Wright não decepciona. Com toda competência direcional nos é entregue uma obra que em nenhum momento cai no comodismo (natural em filmes desse gênero). Não se trata de um simples filme de ação, pois ele passa uma mensagem que pode ser absorvida de diferentes maneiras pelo público. Com seu roteiro conversando conosco não só através de seus divertidos diálogos, mas também com seu cenário, que se comunica diretamente. Nada está em tela gratuitamente, sempre tem algo que faz total sentido, algo que realmente faz a história fluir. Em meio à banalização de Hollywood, temos que entregar todos os méritos a essa obra.

Ao notar a diferença de tons que o filme aborda durante toda sua metragem, fiquei surpreendido positivamente, tendo em mente que o filme já não trabalha com uma trama complexa, mas impressiona pelo número de camadas entre seus personagens. A todo momento temos uma subversão de expectativa, o que acaba nos deixando eufóricos em meio aquelas cenas de ação extremamente bem filmadas com excelentes efeitos práticos, nos deixando ainda mais imersos. E seguindo a fórmula oposta dos filmes com várias cenas de perseguição, esse não tem câmera tremida, tudo que se passa em tela é bem absorvido por quem assiste. É importante notar que, apesar de ter alguns cortes rápidos, não ficamos perdidos, as câmeras são todas posicionadas em ângulos que passam uma sensação de urgência, mas com uma sobriedade louvável.

O elenco escolhido a dedo está em total sincronia. Mais acima falei sobre o filme ter várias camadas, todas essas  camadas estão em seus personagens. A relação de Baby (Ansel Elgort) com Joseph, seu pai adotivo (CJ Jones), é trabalhada em cenas lindíssimas, em meio a musicalidade e diálogos por sinais, já que Joseph é surdo e mudo. Durante essa mesma cena, o personagem coloca a mão na saída de caixa de som para assim poder sentir na alma o que a música pode passar e este é um dos momentos mais lindos do filme e uma sacada genial de Wright. Temos também estereótipos aqui, e todos utilizados de forma funcional. Jamie Foxx faz o imprevisível Bats, e com ele também nos é mostrada uma quebra de expectativa sensacional! Doc (Kevin Spacey) se porta bem como o chefão que tem certo carinho por Baby, mas de todos os personagens secundários o que mais surpreende seu público no roteiro é Buddy (Jon Hamm), em quem temos o estereótipo do “bom ladrão”, que tenta se aproximar do nosso protagonista através da música e, no fim, é outro personagem com uma complexidade que não esperávamos. O longa envolve um romance entre Baby e Debora (Lily James), com o qual fiquei receoso em um primeiro momento pois poderia afetar demais o tom com que a história trabalhava, mas, felizmente, estava errado, e todo o envolvimento entre ambos é bem abordado e acreditamos realmente nos dois.

No meio disso tudo, creio que só pelo texto dá para perceber o quão importante é a música na narrativa – ela é a espinha dorsal, sendo que temos uma mistura de gêneros que nunca pensei ver no cinema (surpresa novamente positiva). Em 95% do filme tem alguma música tocando, música essa que é representada pelos fones de ouvido do nosso protagonista – nos únicos momentos em que não a escutamos é exatamente quando ele retira os fones. O melhor ainda é que faz total sentido o personagem utilizar os fones a quase todo momento, tudo bem explicado pelo roteiro.

Mesmo trabalhando com pontuais flashbacks (algo perigoso de se abordar em uma trama como essa), não perdemos o ritmo. Eles trabalham bem o desenvolvimento do nosso protagonista, nos situando como ele foi parar ali, o porquê dele chegar naquela situação e porquê ele corre tanto. Esses flashbacks só funcionam de uma forma orgânica por conta de sua montagem. Aliás, Wright tem um excelente histórico de filmes com montagens invejáveis. Sem ela, tudo em tela poderia ficar totalmente bagunçado e sem muito nexo. Ficarei surpreso se pelo menos nesse quesito esse filme não for lembrado nas próximas premiações.

Em Ritmo de Fuga é ousado, divertido, cheio de adrenalina, mas com um toque sentimental muito bem trabalhado. Não é nenhum equívoco tratá-lo como um dos melhores filmes do ano e muito menos seria equivocado dizer que depois de Mad Max: Estrada da Fúria esse é o melhor longa de ação da década.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3/5]

https://www.youtube.com/watch?v=TJrKYWPBTrc

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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