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Como se Tornar um Conquistador | Crítica

Como se Tornar um Conquistador | Crítica

Como se Tornar um Conquistador (How to Be a Latin Lover)

Ano: 2017

Direção: Ken Marino

Roteiro: Chris Spain, Jon Zack

Elenco: Eugenio Derbez, Kristen Bell, Salma Hayek, Mckenna Grace, Michael Cera, Raquel Welch, Rob Corddry, Rob Huebel, Rob Lowe, Rob Riggle

Se pudesse definir um filme inteiro com apenas um adjetivo o desse seria “sofrível”. Não, não foi o pior filme que assisti no ano, já saí do cinema mais indignada do que nesse que na verdade me deixou mais cansada do que qualquer outra coisa, mas dá uma tristeza ver uma obra dessas ser apresentada e socializada ao público. Tem quem diga que não é tão ruim assim e que está no positivo, mas realmente não entendo como dão mais do que 5 de 10 num negócio desses… Mas (infelizmente, nesse caso) não se pode definir um filme apenas por um adjetivo, há que se pensar em sua complexidade formativa em termos de roteiro, atuações, trilha, fotografia e entretenimento, o que somado vai dizer de como ele foi feito e como cativa (ou pode cativar) aquele que se encontra na posição de espectador assistindo a esse produto. O detalhe é que Como se tornar um conquistador não apresenta nada de novo em nenhum desses aspectos. Todo filme precisa ser único? Não. Alguns repetem modos de fazer, e mesmo enredos, e ainda conseguem envolver e despertar interesse. Por que esse não me captou e me fez sair extremamente decepcionada com o tempo empregado nessa assistência? Vou explicando ao longo do texto, para quem tiver paciência de ir até o fim (garanto que não será longo).

Como se tornar um conquistador traz a vida de Maximo (Eugenio Derbez), um homem hoje com 46 anos de idade e que desde os 11 já sabia o que queria da/pra vida: casar-se com uma mulher rica (de preferência idosa) para que ela o sustentasse e lhe contemplasse com a vida dos sonhos sem que ele tivesse que batalhar por isso. Aos 21 ele alcança seu objetivo e se casa com uma mulher de 55 anos. Tudo vai bem até que aos 80 ela o troca por outro homem com o mesmo perfil (interesseiro), mas aparência diferente e muito mais jovem (estando na casa dos 20 novamente). Acontece que ele não considerava que isso pudesse acontecer em nenhum momento, pois estava convencido de que ela morreria antes de ter tempo de pensar em deixá-lo e ele ficaria com tudo – o bobinho só esqueceu que tinha assinado um acordo pré-nupcial que não dava direito dele levar nada que era dela caso se separassem. Então, 25 anos depois de casados ele se vê divorciado e sem ter para onde correr, é aí que realmente começa o filme.

Maximo se vê obrigado a recorrer à irmã (Salma Hayek) que não vê há anos, visto que seu único amigo (Rob Lowe) é também um homem que se casou com uma mulher rica e dela depende sem ter nada próprio para poder apoiá-lo. Agora seria o momento do personagem amadurecer à força, perceber outras realidades sociais e se inserir no mundo, não? Pois é, não. Ele até amadurece ao longo da trama, mas não consegue ver o mundo de outro modo que não seja do de quem tem muito dinheiro e vive uma vida de luxos e prazeres sem trabalhar. Estou dizendo que é errado não trabalhar? De modo algum, há modos de vida regidos ou não pelo capital e todos são válidos e admiráveis. O fato é que esse personagem em específico poderia ter um arco evolutivo que mostrasse que há outras possibilidades ao invés de ser sustentado por outrem. Ele poderia perceber sutilezas no mundo e valorizar os laços afetivos que constrói de um modo que não fosse descolando grana e emprego para eles – o que, aliás, não é fruto de seu esforço e amadurecimento, mas apenas do ato de convencer a esposa a pagar pelo necessário.

Deste modo, o roteiro  não apresenta nenhum desafio, nenhuma reviravolta, não impacta, somente recorre a piadas repletas de clichês e não convence ao tentar construir uma pequena evolução em seu personagem principal fazendo-o valorizar a relação com seu sobrinho (Rafael Alejandro) e sua irmã, pois a forma como tudo se resolve é demasiado simplista e previsível. O sentido da narrativa se mostra vazio, não acrescentando em nada a quem está assistindo ao filme e também não servindo puramente como diversão porque nem isso alcança. As piadas com roupas e corpos, ou mesmo com um caminhar supostamente sensual, não compensam, o que nem atuações razoáveis (boas dentro das possibilidades do roteiro) conseguem mascarar. Brinca-se que tem filme do qual só lembramos pela trilha que guia ou pela fotografia exuberante, e quando isso acontece é porque o enredo em si deixou a desejar. Mas aqui nem a fotografia nem a trilha salvam, uma pena. Todavia, é aquela coisa, tem quem ainda – hoje em dia, com toda a evolução que alcançamos – ache engraçado e se divirta com esse tipo de filme. Eu, sinceramente, creio que empreguei mal essas duas horas da minha vida, mas ok, não é deplorável, suporta-se e até é possível abrir um meio sorriso quando vemos a criança imitando as cantadas machistas do conquistador, ou ele se sentindo o “máximo” com sua sunguinha amarela – vai entender…

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