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De Canção em Canção | Crítica

De Canção em Canção | Crítica

De Canção em Canção (Song to Song)

Ano: 2016

Direção: Terrence Malick

Roteiro: Terrence Malick

Elenco: Rooney Mara, Ryan Gosling, Michael Fassbender, Natalie Portman, Cate Blanchett, Holy Hunter, Brady ColemanVal Kilmer

Com uma beleza inconfundível, Terrence Malick nos traz uma trama simples, mas com uma complexidade introspectiva bastante intrigante. Com seu elenco estrelado, acompanhamos um trio de protagonistas (Rooney Mara, Ryan Gosling e Michael Fassbender) e suas vidas cruzadas por uma paixão em comum, a música. Mara e Gosling, que estão atrás de disparar na carreira, acabam se envolvendo com o produtor e empresário, Fassbender. É curioso que em apenas um momento do filme ficamos sabendo o nome de um dos protagonistas, é por isso que vou identificá-los pelo nome dos atores. E isso não afeta em nenhum momento o desenvolvimento dos personagens e funciona como ferramenta de destaque para a personagem de Mara, já que o único nome que é revelado é o dela e a mesma acaba sendo a personagem de ligação entre o trio.

A música é constante, ela vem entrelaçando a coluna do roteiro de modo com que as letras interagem diretamente com o que está acontecendo em cena, muitas vezes é a música que conta a história, em meio à linda fotografia em luz natural e sua palheta de cores bem sóbria. Essa sobriedade é ligada diretamente aos personagens, já que em pouquíssimos momentos vemos os mesmos saindo de seus cubos de serenidade.  Outro acerto é a escolha de toda entonação do filme “em volta da música (a mesma que ajuda a contar a história), fazendo, assim, da trilha sonora o personagem principal”.

A montagem não linear pode parecer confusa de início, não sei se foi só comigo, mas demorei um pouco a imergir, mesmo com a cena de abertura sendo sensacional, fiquei um pouco fora do filme nos seus primeiros dez minutos. Porém, essa mesma não linearidade faz total sentido durante o filme, mostrando como nós lidamos com a vida. Quando você não se pegou em um momento na sua vida em que algo do seu passado vem com toda violência e traz uma confusão de sentimentos a tona? Algo feito com maestria por Malick, algo que poucos cineastas teriam feito com a eficiência que vemos aqui.

São pouquíssimos os pontos de ressalva ao longa. Além daqueles dez minutos iniciais, temos uma personagem que entra meio que de paraquedas e mesmo acrescentando algo intenso a história, ela acaba nos tirando da mesma. Tudo nela soa diferente, desde suas roupas, ao modo de falar. Creio que ela poderia ser uma personagem mais discreta, ou até mesmo poderia ser cortada, não seria um problema, já que imaginando o filme como um todo sem a presença dela, poderíamos ter algo mais natural.

É claro que De Canção em Canção não é uma obra para o público geral, não quero soar babaca, mas é preciso de uma pequena bagagem de filmes para que esse seja digerido da forma em que se propõe, e pelo que o mesmo se propõe, ele acerta em quase tudo, não só tecnicamente, mas de um modo de estudo humano e suas relações. Sexo, amor e ganância são explorados, não através de grandes diálogos, e sim, por detalhes que deixamos passar batido durante nosso dia a dia. Após ver esse filme, tenho certeza que ao ligar uma música e observar as pessoas ao seu redor na rua, você não verá aquilo como um cotidiano vazio e sim algo significativo e cativante.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 6    Média: 3.8/5]

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Estudante de jornalismo, cearense, 23 anos, tem três empregos e se arrisca como fotografo iniciante. Apaixonado por cinema, quadrinhos, Tolkien e ficção científica. Kubrick maior de todos, Nolete assumido e pai de um cachorro Jedi que vive querendo ir pro lado negro da força. DC rainha, Marvel nadinha.

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