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D.P.A. Detetives do Prédio Azul – O Filme | Crítica

D.P.A. Detetives do Prédio Azul – O Filme | Crítica

D.P.A. Detetives do Prédio Azul – O Filme

Ano: 2017

Direção: André Pellenz

Roteiro: Flávia Lins, L.G. Bayão

Elenco: Ailton Graça, Anderson Lima, Caio Manhente, Cauê Campos, George Sauma, Letícia Braga, Letícia Pedro, Maria Clara Gueiros, Mariana Ximenes, Otávio Müller, Pedro Henriques Motta, Ronaldo Reis, Suely Franco, Tamara Taxman.

Detetives do Prédio Azul – O Filme é destinado direta e exclusivamente ao público infantil. Nele, acompanhamos três crianças que têm em torno de 10/12 anos cada uma. Elas residem no Condomínio Prédio Azul, mesma moradia de um casal de bruxos, sendo que a mulher é a “bruxa má”, uma “mala”, segundo elas. Antes de tratar diretamente do enredo do “filme”, me acompanhem para pensar a relevância da escolha dos atores, que são uma menina branca de cabelos escuros e olhos escuros; um menino branco de cabelos escuros e olhos claros; e um menino negro de cabelos escuros e olhos escuros. Parece uma boa escolha ao pensarmos em diversidade de representação nas telas, principalmente porque seus pais são um casal inter-racial, um pai solteiro e uma mãe solteira. Dito isto, pensemos também que essa já é a segunda geração do trio, que era igualmente representado por um negro, um branco e uma branca, isso sim já torna um pouco estranha a composição porque substituíram os atores por réplicas, sem nenhuma diferença representativa, mas ok, relevemos. Também precisamos ter em mente, antes de olhar para a produção, que essa é uma adaptação para o cinema de um seriado de TV que já está em sua oitava temporada, indo ao ar desde 2012.

Vamos à trama: esse trio bem enxerido protege o prédio e resolve enigmas mágicos, solucionando problemas e desfazendo mistérios; um belo dia, no início do nosso “filme”, as crianças desconfiam de uma festa que a bruxa está dando para seus antigos colegas de Escola de Magia e vão lá dar uma checada no que está rolando; desafios surgem em meio à festa e no dia seguinte os detetives percebem a iminência de um crime que eles devem impedir que se concretize pois pode colocar a todos em desalento num futuro próximo. É uma produção interessante porque, apesar dos problemas, consegue nos envolver com a história retratando-a com um ritmo rápido e com potencial didático e lúdico no que diz respeito a conhecimentos gerais. É inocente nos conflitos de personagens, trazendo crianças sem tentar adultizá-las em nada, mesmo trabalhando com pequenos gênios que desfazem crimes. É preciso destacar que este não é um “filme” para a família, daqueles que pais e filhos gostam na mesma proporção percebendo aspectos e sutilezas diferentes a partir de seus referentes. Não, esse aqui é para as crianças, fala somente a elas e na linguagem delas – fazendo uso daqueles típicos posicionamentos caricatos dos seriados voltados para crianças, com gestual amplo, bocas que se abrem muito, olhos que crescem e cativam porque envolvem pelos rostos retorcidos em surpresa e várias outras expressões faciais quase teatrais.

Infelizmente, ele se perde um pouco ao não conseguir se desvincular da série visto que ao invés de criar efetivamente um filme, mais parece um episódio estendido. Coloquei filme entre aspas aqui em cima justamente por isso, porque é uma tentativa de grande produção que se perde em alguns momentos cruciais, deixando escapar possibilidades narrativas que amarrariam algumas pontas deixadas soltas nos apresentando melhor os personagens, de quem não sabemos nada e temos que deduzir quase tudo. Isto se dá porque claramente não se visualiza público diferente dos espectadores do seriado de TV, esperando que todos já tenhamos familiaridade com os dilemas que envolvem as posições dos três detetives e suas relevâncias para o bem do prédio. É perceptível a tentativa de fazer um filme, mas ao não explicar a origem dos personagens, sem introduzi-los nem minimamente, se exclui da narrativa aqueles que não conheciam a trama. Principalmente, não é explicado como tem mais de um grupo de detetives – entendemos que os outros ficaram velhos demais para os papéis então viajaram e foram morar em outras cidades/países, mas quem não conhece a história de antemão não é amparado com isso e um filme quando quer demais que o espectador desvende ele sem ajuda alguma, não consegue convencer de todo. Todavia, sei que meu julgamento sobre o filme é prejudicado por não ser o público ao qual se destina. É dada uma independência às crianças que pode até preocupar um pouco pois beira o desrespeito para com seus familiares em prol de um bem maior, o que já vem ficando corriqueiro nas produções atuais, mas destaco que para as crianças esse deve ser um filme muito divertido e que as mobiliza a serem mais criativas e imagéticas.

Nota:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 3.5/5]

https://www.youtube.com/watch?v=93i8G3elwcs

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