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Z: A Cidade Perdida | Crítica

Z: A Cidade Perdida | Crítica

Crítica de Z: A Cidade PerdidaZ: A Cidade Perdida (The Lost City of Z)

Ano: 2016

Direção: James Gray

Roteiro: James Gray

Elenco: Charlie Hunnam, Robert Pattinson, Sienna Miller, Tom Holland, Edward Ashley, Angus Macfadyen, Ian McDiarmid

Imagine o quão grande deve ser o espírito de aventura de alguém que larga tudo para passar anos em uma floresta à procura de algo que não sabe se realmente existe. Provavelmente, esta aventura renderia grandes histórias. E, certamente, tudo ficaria ainda mais interessante se fosse real. Agora, imagine tudo isso nas mãos de um cineasta extremamente competente e com uma ampla visão cinematográfica. As chances de sair um filme grandioso seriam bem altas, certo?

E é exatamente isso o que acontece com Z: A Cidade Perdida (The Lost City of Z), longa dirigido pelo ótimo James Gray (Os Donos da Noite). Baseada no best-seller de não ficção de David Grann, a aventura acompanha a história (parcialmente) real de Percy Fawcett (Charlie Hunnam), lendário explorador britânico que, no início do século XX, explorou a Amazônia em busca de uma cidade perdida que ele denominou de Z.

Apesar de parecer mais um desses filmes de exploradores desbravando a floresta, Z: A Cidade Perdida é mais do que isso. O longa (é realmente um longa: 2h21 de projeção!) não deixa a aventura de lado, mas também se aprofunda no drama familiar de Fawcett, que algumas vezes abandona mulher e filhos para se enfiar no meio do mato e chega até a dar uma caminhada pelos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, em sequências lindas, diga-se de passagem.

Mas, assim, Z é ainda mais interessante do que parece. Além dos tópicos citados acima, o filme é um grande estudo de personagem, sua visão de mundo e sua obsessão pela descoberta (e pelo reconhecimento). Fawcett, em cada passo que dá na floresta, vai expandindo a sua mente, compreendendo que tudo aquilo que ele sabia sobre civilização, na verdade, estava errado. É incrível o momento em que o explorador enfrenta um grupo de homens arrogantes e céticos, que acham uma grande besteira a ideia de que possa haver vida inteligente em um lugar dominado por “selvagens”.

Em um primeiro momento, Fawcett, então um major pouco reconhecido, é chamado pela Sociedade Geográfica Real, da Grã-Bretanha, para mapear as fronteiras entre a Bolívia e o Brasil, trazendo, assim, paz entre os dois países, que estavam à beira de um confronto pelo alto lucro das seringueiras (árvores que servem de matéria-prima para a produção de borracha). Com o objetivo de limpar o nome da família e ter o tão sonhado destaque, ele aceita o desafio e parte para a floresta. Lá, ele encontra, no coração da Amazônia, indícios de uma civilização antiga e desconhecida do homem branco.

Começa, então, a tal obsessão de Fawcett citada alguns parágrafos acima. E Gray, em seu filme mais ambicioso, sabe exatamente como transpor isso para a tela, sem parecer forçado ou apressado. Acompanhamos o desejo do personagem principal por descobrir a cidade perdida crescendo gradativamente e Charlie Hunnam dá conta do recado, mostrando-se um ator versátil e tendo, aqui, o melhor personagem de sua carreira. Vemos no olhar do protagonista o drama interno vivido por seu Fawcett.

Mas é no núcleo familiar do explorador que se encontra a principal trama de Z. Afinal, é início dos anos 1900 e uma viagem da Grã-Bretanha para desbravar a América do Sul (se não morrer) leva anos. E Fawcett tem esposa, Nina (Sienna Miller), e filhos pequenos, que acabam ficando sozinhos enquanto ele realiza os seus sonhos tropicais. Nina é quem tem que ser a base sólida da família, segurando as pontas na ausência do marido, sem saber se ele voltará ou não. Podemos dizer que é a verdadeira heroína dessa história. Obviamente, não podemos esquecer do companheiro de Fawcett, Henry Costin (Robert Pattinson, cada vez melhor) e do filho do major, Jack Fawcett (Tom Holland), fundamentais para o desenvolvimento da trama e do personagem principal.

Com uma fotografia exuberante, mostrando a vastidão da selva de uma maneira única e impressionante ao mesmo tempo em que contrasta com cenas extremante bem produzidas no campo de batalha durante a guerra (a paleta de cores usada ali é linda), Z: A Cidade Perdida é uma obra que exalta o espírito de aventura, mas também traz mensagens poderosas sobre meio ambiente, família e a linha tênue que separa um sonho de uma obsessão. Imperdível!

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 4.3/5]
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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 26 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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