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The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada | Crítica

The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada | Crítica

The Handmaid’s Tale – 1ª Temporada

Ano: 2017

Criadores: Bruce Miller e Margaret Atwood

Elenco: Elisabeth Moss, Yvonne Strahovski, Joseph Fiennes, Madeline Brewer, , Samira Wiley e Alexis Bledel 

 

Baseado no livro de Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale (O conto da Aia, no Brasil) é, sem dúvida alguma, a série mais densa e dramática do ano até agora. Se você é fã do livro, você não ficará desapontado. Produzido e transmitido pelo canal de streaming Hulu, que ainda não chegou ao Brasil, o romance narra a vida distópica no país de Gilead, uma sociedade totalitária e teocrática em meio a uma guerra civil, que no passado foi os Estados Unidos. Nesse contexto, a república democrática americana não existe mais, o país agora vive sob as consequências do desastre ambiental e por conta disso tem uma taxa de natalidade baixa (quase inexistente), as poucas mulheres férteis remanescentes são capturadas pelo estado e se tornam servas sexuais dos oficias masculinos de alto escalão e de suas esposas estéreis, elas são aprisionadas somente para fins de reprodução. Porém, não seria mais fácil inseminar artificialmente essas mulheres? Não, pois essa sociedade fanática religiosa enxerga a ciência com muita suspeita e, principalmente, nela mulher não é nem considerada gente.

O governo fundamentalista com origens cristãs implementa uma linha de pensamento de interpretação bíblica para preservar o futuro da espécie. Nesse mundo, as mulheres são (mais uma vez) propriedades sem vontade livre, impedidas de trabalhar, votar, ler, possuir coisas ou ter dinheiro próprio. As mulheres capazes de conceber um filho são levadas para o Centro Vermelho (o centro de reeducação), onde são forçadas a abdicar da sua identidade, do próprio nome e da família; e doutrinadas a servir os seus futuros comandantes. É no Centro Vermelho que elas são apresentadas ao ato da Cerimônia – o momento da tentativa de concepção – em que uma vez ao mês em dias férteis, são estupradas em forma de ritual pelos senhores da casa com a presença das esposas. Essa classe de mulheres férteis são chamadas de Aias, outras mulheres que prestam serviços domésticos nas casas dos comandantes são chamadas de Martas. As que não se encaixam em nenhuma dessas castas, são levadas para as colinas para morrer, ou seja, estamos tratando de uma trama que expõe a total revogação dos direitos das mulheres.

Elisabeth Moss (a eterna Peggy de Mad Men) atua como Offred, a protagonista da série e nosso ponto de entrada narrativo na história. Antes de Gilead, Offred se chamava June, ela trabalhava em uma editora de livros e levava uma vida agradável com sua família. Os primeiros choques de mudanças sociais causam apenas uma estranheza. A intensidade vai subindo pouco a pouco, causando pânico tardiamente. Ela só percebe que todos os seus direitos foram caçados quando a situação está incontornável. Offred se questiona em muitos momentos porque não tentou fugir para o Canadá antes, talvez lá ela ainda pudesse ter a filha e o marido por perto. O que acompanhamos ao passar de cada episódio é June tentando lidar com todas essas mudanças, agora ela tem uma nova identidade, ela é Offred porque ela é “de Fred”, pois pertence ao seu novo mestre, Fred. Ela tem que estar atenta aos “Olhos”, uma organização policial secreta com objetivo de punir qualquer pecador. Offred só quer se manter viva e salvar a filha, aonde quer que ela esteja.

Além da genialidade de Moss, destacam-se Samira Wiley (de Orange Is The New Black) como Moira, uma velha amiga de Offred que se torna muito importante na nova vida de serva e que ainda enfrenta o risco adicional de ser gay. Outro personagem incrível é a tia Lydia (Ann Dowd), responsável por educar as meninas das boas maneiras religiosas que elas devem seguir para se dar bem na sociedade. Tia Lydia é uma religiosa fanática, tirana e torturadora, ao longo da série ela vai revelando camadas de amor e de ódio pela suas meninas. Joseph Fiennes e Yvonne Strahovski interpretam o comandante que leva Offred como sua serva e a esposa do comandante, Serena, cujo casamento está se esvaindo. Alexis Bledel (a Rory de Gilmore Girls) interpreta Ofglen, uma companheira corajosa de Offred. Muitos momentos de tortura física e psicológica do regime autoritário são reservados a ela na série.

Os paralelos da série com a realidade podem ser intermináveis e o medo assustadoramente relevante. A facilidade com que as democracias escorregam para o autoritarismo como resultado da misoginia é historicamente verídico, assim como os tipos de violações sofridos pelas mulheres na série. Handmaid’s Tale foi renovada por mais uma temporada e voltará a ser exibida em 2018. Quanto mais você aprende sobre Offred, mais convencido fica de que ela é a nova heroína feminista da TV.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 2    Média: 5/5]
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