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Especial | 15 filmes que mostram como Nicolas Cage é um ótimo ator

Especial | 15 filmes que mostram como Nicolas Cage é um ótimo ator

Se você pesquisar no Google, encontrará uma estatística afirmando que quanto maior a média de filmes que Nicolas Cage faz anualmente, menor é o número de acidentes de helicóptero no mesmo período de tempo. Isso é algo bom, certo? Depende de quem diz. Nos últimos 7 anos, Cage tem atuou em mais de 25 filmes, mas isso não significa que eles são bons. No entanto, ele mesmo já defendeu com unhas e dentes esses filmes de qualidade duvidosa que ele estrela, mostrando que acredita nesses projetos.

Nicolas Cage é sobrinho de ninguém menos que Francis Ford Coppola, mas nem isso fez ele escapar de bombas como O Apocalipse ou Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança. O ator é um meme na internet, e um meme de sucesso, acredite! Mas houve um tempo em que um filme estrelado por Cage era sinônimo de sucesso e/ou qualidade. E por gostarmos muito do trabalho do ator, nós, do Bode na Sala, decidimos listar alguns filmes que mostram como Nicolas Cage é um ator dos bons.

Se você é jovem, tem 18 anos ou menos, há uma grande chance de ter crescido com os fracassos do ator e que em sua mente esteja formada uma imagem negativa sobre o mesmo. Esperamos que esta matéria lhe desperte o interesse e que você crie uma nova imagem sobre ele. Aos mais velhos, apenas o saudosismo basta.

Asas da Liberdade (Birdy) – 1984

Pode-se considerar este como um dos primeiros grandes trabalhos que Nicolas Cage teve no cinema. Asas da Liberdade serve tanto como um grande filme de amizade como um filme para análise psicanalítica. Alan Parker tinha acabado de lançar The Wall quando resolveu adaptar o livro homônimo (Birdy, no original), e para os papéis principais, chamou Matthew Modine (outro ator que anda meio sumido) e Nicolas Cage, um astro em ascensão. A história é basicamente essa: Al (Cage) retorna da Guerra do Vietnã com o rosto desfigurado para ajudar a tirar seu amigo Birdy (Modine) de um manicômio. O mote do filme é esse, mas é nos flashbacks onde está sua essência. Parker constrói uma amizade totalmente plausível entre Birdy e Al, que possuem uma química fantástica. Paralelo a isso, vemos o personagem de Cage enlouquecer enquanto tenta salvar Birdy. O processo da sanidade para a loucura já estava calcado pelo Vietnã, e a presença de Al no manicômio só ajuda a firmar essa insanidade. O melhor de tudo é que não é só Cage quem está bem, pois Matthew Modine tá ainda melhor que ele como um jovem insano. Bons tempos os que esses atores tiveram nos anos 80…

Arizona Nunca Mais (Raising Arizona) – 1987

Que os irmãos Joel e Ethan Coen são consagrados no meio cinematográfico, todo mundo já sabe. O que quase ninguém lembra quando se fala dos diretores e roteiristas é que, nos anos 80, quase ninguém os conhecia. Mas eles já estavam lá, criando seus filmes com personagens excêntricos e tramas mais excêntricas ainda. Arizona Nunca Mais é um filme que se tornou cult muitos anos depois, mais precisamente na consagração dos Coen com Fargo (1996). Com uma história contada rapidamente, mas de maneira extremamente eficiente, este filme apresenta uma das tramas mais inverossímeis e absurda que os irmãos Coen já criaram. Trata-se de um casal apaixonado (Nicolas Cage e Holly Hunter, excelentes em cena) que não pode ter filhos, mas decidem roubar um dos Quíntuplos de Arizona, filhos recém-nascidos do magnata dos imóveis sem pintura Nathan Arizona (Trey Wilson) por acharem que ele e sua esposa tem mais filhos do que conseguem cuidar. É de longe uma das interpretações mais contidas de Cage, mas também uma das mais eficientes. Seu personagem é muito carismático, e bastante conformado com o modo de vida que leva – seu Hi McDunnong é um cara que já foi preso diversas vezes por roubar mercadinhos, e ele está ok com isso. Porém, os melhores momentos de Cage estão quando Edwina (Hunter) entra em cena. É fantástica como a química entre os dois personagens é uma das únicas coisas verossímeis do filme, e com apenas 10 minutos de filme, já é possível comprar esse casal. O melhor de tudo é que, por mais surtada que seja, Arizona te tira risadas sem forçar, e esse é só um dos grandes trunfos que levou o filme ao status de cult.

Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas) – 1995

Eis que em 1995 Nicolas Cage atinge o ápice de sua carreira. Em Despedida em Las Vegas, de Mike Figgis, acompanhamos Ben (Cage), um roteirista alcoólatra abandonado por esposa e filho que, após ser demitido, decide mudar-se para Las Vegas e beber até morrer. Sim, ele junta tudo o que lhe sobrou e vai para o oásis em meio ao deserto de Nevada para se matar te tanto beber. Sim, é trágico. E fica mais trágico ainda, pois o autor do livro que deu origem ao filme, John O’Brien, suicidou-se durante as gravações do longa. Logo, o drama vira uma obra autobiográfica e premonitória. Provavelmente, não há um personagem tão autodestrutivo no cinema quanto o Bem de Cage. Não há esperança em seu olhar. Não há um momento em que ele não esteja envolto de copos e garrafas de bebidas. Ele está em uma jornada sem volta ao fim de sua própria vida. Durante a trajetória de Ben rumo à destruição, ele esbarra com a prostituta Sara (Elisabeth Shue), que é quem acompanha o personagem rumo ao seu fim irreversível. O filme trata de maneira importante o alcoolismo, mostrando as consequências do vício e quão destrutivo ele pode ser. Cage demonstra, em cada momento em que a câmera está focando nele, a complexidade da mente de seu personagem, fazendo-nos sentir a sua angústia e melancolia. Falando em melancolia, esta é a palavra exata para adjetivar Despedida em Las Vegas. É um drama pesado, sem esperanças e extremamente bem-sucedido em sua mensagem. Uma grande obra e a maior demonstração do potencial de Nicolas Cage, que, infelizmente, todos estão esquecendo (provavelmente, até ele mesmo).

A Outra Face (Face/Off) – 1997

Se você está procurando um verdadeiro filme de ação bem no padrão bonzinho versus malvadão, A Outra Face é a pedida! A trama do filme repete o que foi fórmula garantida de sucesso para muitos seriados de TV dos anos 80/90: polícia pega ladrão, a reinvenção dos filmes de faroeste centralizada em um departamento de polícia mobilizado para prender o malvado excêntrico e sempre mais divertido do que o tira certinho que não mata inocentes. A diferença é que esse policial em questão pode não querer que inocentes morram, mas realmente quer ver o bandido morto porque há um envolvimento entre eles que despertou a fúria do bonzinho, que ficou ranzinza e desgostoso da vida. Isso tudo vira pano de fundo para BRILHANTES atuações de John Travolta e Nicolas Cage, desacreditados como atores mas que nos mostram dedicação aos personagens que incorporam, com expressões muito intensas em todas as fases da narrativa. Em específico, Nicolas Cage desde o começo do filme mostra que não podemos duvidar de sua capacidade de atuação, seja interpretando um Padre dançarino engraçadíssimo, ou um bandidão andando em câmera lenta, ou mesmo um policial inocente com crise de consciência tendo que lidar com dilemas que não deveriam ser seus e, ainda, sendo bem badass batento em geral. Sua boa atuação vem junto com o típico filme de ação: se preparem para muitas explosões e tiroteios. Tem um momento que o filme até parece que se perde e vira perseguição sem sentido, mas não podemos esquecer que se trata de uma briga particular entre dois homens, um duelo na corriqueira (sem banalizar, única aqui pois é bem criativa) luta do bem contra o mal.

Cidade dos Anjos (City of Angels) – 1998

Cidade dos Anjos trabalha com a clássica ideia popularizada no cristianismo de que todos nós temos um anjo da guarda. Cage interpreta aqui um desses anjos cujo nome é Seth, e seu trabalho é resguardar as pessoas que precisam de proteção. Em um certo dia, Seth vê uma cirurgiã (interpretada por Meg Ryan) passar por uma experiência ruim na sala de cirurgias. Maggie, como é chamada, intriga Seth, e ele acaba se encontrando pessoalmente com ela mais vezes, criando, assim, um sentimento afetivo. Cada diálogo entre Seth e Maggie é de uma riqueza e profundidade ímpar, pérolas em um filme de romance água-com-açúcar, mas, clichês do gênero à parte, precisamos falar da atuação de Nicolas Cage. Seu personagem é introspectivo, curioso, e o ator consegue entregar essas nuances muito bem, porém, em determinado momento do filme, há uma grande reviravolta; não na trama, pois isso já era esperado, mas no modo como Cage faz o personagem. Seth se torna um homem extremamente animado, por vezes confundido com um lunático atravessando a rua ou mesmo um homem que passou a noite bebendo, e Cage novamente consegue entregar essas nuances que o roteiro lhe pedem. Cidade dos Anjos é só uma amostra leve da capacidade interpretativa que o ator possui.

Olhos de Serpente (Snake Eyes) – 1998

Em Olhos de Serpente vemos um Nicolas Cage divertido no início, como um apresentador de TV envolvente, que sabe lidar bem com a câmera, um ótimo frontman de TV show, sendo que essa relação de TV não se mantém o tempo todo durante a narrativa, visto que depois ele incorpora “o” tira convicto, um policial convincente. Cage apresenta uma confiança em si mesmo que nos convence com esse personagem, interpretando um policial diferente de outros que já personificou no cinema. O filme em si é um drama mais simplório, mas com conflito existencial referente ao que se vê na superfície e ao que se quer ou não ver ao adentrar nas entrelinhas e complexidades que no fundo falam das relações sociais e de como vemos os outros e do quanto julgamos conhecer sem de fato nos importarmos em comprovar isso ou não. A câmera é bem louca, às vezes enjoativa, mas tem uma sacada bem legal que rola várias vezes: a câmera parte da perspectiva do olhar de um personagem e depois sai e vira olhar externo, vê a cena de fora, misturando o olhar e a aflição vivenciada por determinado sujeito e fazendo-nos flutuar novamente para uma visão mais geral da cena. Por outro lado, vemos coisas através dos olhos dos personagens sem vermos de verdade pois olhamos para eles e eles nos contam o que veem (aliás, nos contam tudo, praticamente nos pegam pela mão e dizem tudo bem explicadinho, inclusive fazendo uso de flashbacks), e tem-se uma reflexão sobre o que realmente vemos e o que é construto midiático. Nesse caso, se destaca mais uma vez a tocante atuação de Cage, que nos faz mergulhar na confusão desse roteiro e tentar descobrir uma rede de conspiração por trás de uma luta e de um homicídio.

Vivendo no Limite (Bringing Out The Dead) – 1999

Este não é só mais um filme para ver Nicolas Cage dando seu melhor e nos mostrando quão bom ator ele é, com toda sua expressão corporal e mil faces de sensações. Não, esse é um filme que vai além. É mais um maravilhoso trabalho do Scorsese – pesado, mas excelente. Tem um ritmo enlouquecedor, quase piramos junto com Frank, personagem de Cage. Mas vamos à história: Frank é um paramédico que vê em sua profissão a possibilidade de ter um instante divino ao salvar vidas; no entanto, ele começa a enlouquecer quando a maioria de seus atendimentos acabam em óbito – toda a magia da medicina se esvai quando alguém morre em suas mãos. Essa é a trama, complexa em si, um drama psicológico dos mais profundos e que nos apresenta um protagonista denso, cheio de camadas, tentando se entender e entender o mundo através de seus fantasmas, da culpa por perder vidas. A gente vê um Nicolas Cage desesperado, pirando, descompassado, que se aliena do mundo ao seu redor e volta num rompante com um piscar de olhos – com o mundo quase o sufocando ao redor. Isso tudo em uma composição de cena que em determinados momentos emana luz das pessoas, o som quase cessa e ora ouvimos apenas alguns passos ora apenas uma ou outra gota caindo, ou um lamento de um choro que vem num sussurro. Até temos cenas rápidas com a câmera de cabeça para baixo ou de lado. Tem sequências lindas de foco na expressão de um personagem, com takes rápidos de vários ângulos de seu rosto em close. Os corpos irradiam e se apagam, e voltam a ser luz e vemos a beleza de uma cena de morte em que a luz vai se apagando do corpo da pessoa e entendemos que ela morreu antes mesmo de ser declarada morta – quer dizer: a fotografia conta! O filme é brilhante, deem uma chance a ele porque vale as horas investidas.

Um Homem de Família (The Family Man) – 2000

Quem nunca se perguntou o que teria acontecido se tivéssemos tomado aquele caminho decisivo em nossas vidas? É esta a grande pergunta desta comédia dramática farofa. Esse tema já rendeu muitos filmes, como o cultuado e natalino A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra, e Click, comédia estrelada por Adam Sandler. Nicolas Cage é a estrela deste filme, que interpreta um homem que tomou uma decisão em 1987 que o impediu de viver com o amor de sua vida (interpretado por Téa Leoni). Na noite de natal, ele acaba impedindo uma atitude violenta de um homem (Don Cheadle), mas o que ele não imaginava é que isso provocou um rebuliço em sua mente e em sua vida. Ele acorda no dia seguinte em uma vida diferente, com sua esposa, um cachorro e dois filhos. Quando o personagem de Cage surta, o filme possui seus melhores momentos. É sempre bom ver o ator surtando em algum filme, e aqui ele não deixa a desejar em nenhum momento. A medida que seu personagem vai se adaptando à nova vida, ele percebe que aquilo é o que gostaria de ter vivido. É um filme bem gostoso de assistir, sem histórias muito complexas e com uma típica mensagem de filme natalino.

Adaptação (Adaptation) – 2002

Maior indicação que você respeita nessa lista! Não é apenas um filme ok com uma baita atuação do Nicolas Cage. Este é um puta filmão, do início ao fim. Tem um roteiro insano e que dá muito certo. Tem viradas narrativas que fazem ele caber em muitos gêneros ao mesmo tempo. Tem drama psicológico, tem caçada, tem a complexidade da vida. O enredo gira em torno de um consagrado roteirista (Charlie Kaufman) que não consegue criar a adaptação de um livro para filme e pira com isso porque se vê pressionado pela figura de seu irmão gêmeo (Donald Kaufman) – que ele julga acomodado e sem talento – que se se inspira nele e resolve ser roteirista também, iniciando um curso de roteiro e criando uma obra comum e recheada de clichês mas que é considerada genial por produtores. Charlie afunda em si e precisa se reencontrar para se estabilizar e encontrar sentido para seguir vivendo. O mais legal é que essa é uma trama que mistura abertamente “ficção” com “realidade”, pois o personagem principal é o próprio roteirista do filme que estava realmente tentando adaptar um livro real brincando com o que pode ter acontecido e o que seria recurso narrativo – o que sabemos com certeza é que o Charlie Kaufman não tem um irmão gêmeo. O resultado é uma narrativa inteiramente envolvente, com um Nicolas Cage no seu auge conseguindo reproduzir de uma maneira louca a cabeça a milhão e as crises de ansiedade que todos podemos vivenciar. É magneticamente real e maravilhoso!

Os Vigaristas (Matchstick Men) – 2003

Em Os Vigaristas, longa de 2003 dirigido por Ridley Scott, Nicolas Cage vive o larápio Roy Waller, que utiliza toda a sua lábia para aplicar golpes financeiros em pessoas inocentes. Ou seja, é um vigarista. No entanto, ele não se vê como um cara mau. Afinal, ele sempre defende suas atitudes por nunca ter utilizado uma arma em seus trambiques. No desenrolar da trama Roy, um especialista em enganar pessoas ao lado de seu pupilo Frank (Sam Rockwell), descobre ter uma filha adolescente, vivida pela ótima Alison Lohman, que mudará a sua vida completamente. “Ah, mas essa premissa aí é manjada”, você deve estar pensando. Bom, você até poderia estar certo. Poderia. Você lembra que o filme é de Ridley Scott? Mas se você acha que isso não é suficiente, é porque não viu a atuação de Cage no longa. Ele é a alma do filme. Não, não estou exagerando. O Roy de Cage é hipocondríaco e que está à beira de um ataque de nervos por causa do seu TOC e por tentar ser exemplo para sua filha adolescente recém-descoberta. É um deleite ver Cage fazendo de Roy um sujeito atormentado pelo seu transtorno, gaguejando e piscando os olhos compulsivamente, tirando manchas inexistentes de seu carpete e polindo suas janelas. Um filme subestimado e extremamente divertido, com um final bem interessante e diferente daquilo que a tal “premissa manjada” poderia oferecer.

O Senhor das Armas (Lord of War) – 2005

Este é um dos filmes que todo mundo lembra quando vão defender Nicolas Cage. Em seu início, há uma quebra da 4ª parede com o traficante de armas internacional Yuri Orlov (Cage sensacional no papel) perguntando como armar o restante das pessoas do mundo. Em seguida, há um ótimo plano-sequência do ponto de vista de uma bala (!!!), desde sua fabricação até atingir a cabeça de uma criança do continente africano. Como se isso não bastasse, a narração de Cage contando a história de seu Yuri Orlov é totalmente despreocupada, como se aquilo que ele vai contar é algo que acontece normalmente. Para o personagem é. E ainda levou pra essa vida do tráfico o seu irmão mais novo e viciado em cocaína (um ótimo papel de Jared Leto). O final do filme mostra que não dá pra evitar as consequências de certas ações, e que a grande ironia do mundo é o fato de que os 5 países membros permanentes do conselho de segurança da ONU (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China) também são os 5 maiores comerciantes de armas do mundo. O Senhor das Armas foi feito pra deixar um gosto amargo na boca mesmo…

O Sol de Cada Manhã (The Weather Man) – 2005

O ano de 2005 foi de fartura para Nicolas Cage. Dentro dos 12 meses, ele fez o excepcional e já citado O Senhor das Armas e emendou o bom O Sol de Cada Manhã. Ambos filmes enriquecidos com as ótimas e elogiadas performances do ator (como que ele foi perder rumo?). Enfim, no longa de Gore Verbinski, um diretor subestimado, mas que se reinventa constantemente, Cage dá vida ao homem do tempo de um canal de Chicago David Spritz. E, em sua vida profissional, tudo deveria estar indo bem, afinal, recebe um salário invejável e está sendo sondado para trabalhar em um programa em rede nacional. No entanto, para embarcar na nova empreitada, David, que é um recém-divorciado, precisaria se mudar para Nova York, o que implicaria num distanciamento dos filhos, que estão passando por problemas (um com drogas e a outra com sobrepeso). Além disso, o homem do tempo ainda nutre esperanças em salvar o seu casamento. Para fechar a conta, o pai de David está com os dias contados, o que faz com que o filho, que busca desesperadamente o seu reconhecimento, entre em uma profunda angústia. Com todos esses problemas e diversos objetos que são arremessados contra si, David se mostra um homem comum, passando por problemas comuns e que não precisam ser mirabolantes para serem incríveis. E é no tom mais contido de Cage que entendemos o momento pelo qual o seu personagem passa e conseguimos nos identificar com suas preocupações. Um filme leve, simples, meio triste, meio divertido, mas muito interessante.

As Torres Gêmeas (World Trade Center) – 2006

Deixemos de lado toda a questão ideológica de “terrorismo” a que associamos diretamente só ao ouvir falar em Torres Gêmeas até porque não é disso que o filme se trata. É, sim, um filme “baseado em informações obtidas com os sobreviventes da tragédia”, mas que foca num enredo de heroísmo em que se retrata os “mocinhos” do dia-a-dia, aqueles sujeitos que diariamente salvam vidas e as tem como responsabilidade cotidiana, podendo ser bombeiros, paramédicos ou policiais (também suspendamos o preconceito com a classe, nem todo policial é corrupto/escroto). Independente da origem do ataque e do desabamento do edifício que originou todas aquelas mortes, temos o processo árduo de dois sujeitos que partem com outros três policiais com o intuito de resgatar o máximo de pessoas que conseguissem das Torres Gêmeas, mas que veem sua equipe ruir nos escombros e ficam presos neles. O que acontece é que os policiais em questão não tiveram tempo de salvar ninguém, ficaram presos antes mesmo de começar suas ações. Quando o filme realmente engrena somos conquistados pela atuação de Cage e Michael Peña. À parte as viagens de fogo que surge sem motivo e armas que disparam sozinhas, vemos como Cage é bom ator porque tem foco a todo momento num close no rosto dele de lado, deitado-preso, e acompanhamos suas expressões de dor e lamento – rola até uns rezos em meio aos gritos procurando encontrar em que se afirmar para permanecer sem dormir e aumentar as chances de continuarem vivos. Este é um filme de persistência, de muitos erros de comunicação, de prepotências mil pelos que se acreditam “homens de bem”, e de dedicação (e valorização) da equipe de resgate que arrisca a própria vida em virtude de salvar as dos outros.

Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans) – 2009

Surtada. Louca. Insana. A atuação de Nicolas Cage em Vício Frenético é, sem sombra de dúvidas, uma das melhores do ator na última década (o que não seria uma tarefa muito difícil, levando-se em conta as infinitas bombas em que esteve envolvido). No filme de Werner Herzog, Cage dá vida ao policial Terrence McDonagh que, após um ato heroico em uma New Orleans pós-Furacão Katrina, acaba sendo promovido a tenente. Enquanto ele procura investigar o assassinato de uma família de imigrantes, uma lesão em suas costas torna-se insuportável, levando-o a largar os medicamentos e buscar acabar com sua angústia com narcóticos. Ao emergir no caos dentro do caos, Terrence vai se tornando cada vez mais o mau tenente do título original. E podemos sentir a transformação e a loucura do personagem graças ao exagero e (por que não?) maluquice de Cage, que é deixado com a coleira frouxa por Herzog, tendo liberdade de apresentar aquilo que faz de melhor. As cenas em que Terrence enxerga répteis passando pelos lugares onde está são sensacionais.

Joe – 2013

Joe é um respiro na fase ruim da carreira de Nicolas Cage. O ator se saiu tão bem neste filme que, em sua exibição no Festival de Veneza, recebeu aplausos pela sua atuação. Mas do que se trata exatamente este filme com um nome tão simples e comum? Joe (Cage) é um ex-presidiário que não consegue se desprender de seu passado e possui um vício no álcool. Ransom trabalha em uma madeireira, onde conhece Gary (Tye Sheridan), um jovem de 15 anos que é abusado pelo pai e batalha arduamente para sustentar a família. Com o passar do tempo, Joe e Gary se tornam grandes amigos e confidentes. É basicamente isso. Pode até soar repetitiva esta trama, mesmo na carreira de Cage, mas a diferença é que Joe é um filme poderoso, e possui momentos que lembram muito uma das obras-primas de Scorsese, Taxi Driver. E ainda é surpreendente saber que o diretor é David Gordon Green, que fez a excelente comédia non-sense “de maconheiros” Segurando as Pontas. Não é demais?

 

Especial realizado com a colaboração de Maytê Ramos Pires Carlos Redel

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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