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O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro | Crítica

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro | Crítica

O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (The Amazing Spider-Man 2)

Ano: 2014

Diretor: Marc Webb

Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Cambpell Scott, Embeth Davidtz, Colm Feore, Sally Field, Paul Giamatti, Felicity Jones. 

Havia muita esperança depositada neste filme, principalmente por parte da Sony. Após o primeiro filme do reboot da trilogia dirigida por Sam Raimi ter tido um sucesso considerável (mesmo não alcançando a bilheteria dos anteriores) e o com sucesso crescente do Universo Cinematográfico Marvel, o estúdio que pensou que este fosse o início do Spiderverse, que contaria com filmes como Sexteto Sinistro, Venom (ainda vai sair), Mulher-Aranha e um filme solo da Tia May. O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro sofre muito desta pressão, seu roteiro serve mais para estabelecer sequências do que para funcionar como filme.

O início da projeção se dá alimentando uma das maneiras que o reboot inventou de criar uma nova abordagem à história já contada do Aranha: a morte dos pais do Peter Parker. Existe uma grande conspiração por trás da morte dos pais dele e a fonte disso tudo é a Oscorp. Praticamente todos os eventos do filme têm alguma conexão ou tiveram origem na grande e corrupta corporação com vários segredos enterrados. A ideia começa promissora, mas logo fica repetitiva.

Após o flashback da morte de Richard e Mary Parker, somos introduzidos ao filho do casal e à sua rotina. Peter tem problemas em conseguir conciliar sua vida pessoal e sua vida de vigilante, ilustrados muito bem por meio de uma divertida montagem em que o protagonista sofre para combater o crime e ser um estudante, um namorado e um sobrinho. O carisma de Andrew Garfield e sua encarnação de Homem-Aranha carregam o filme nas costas, nunca deixando de contar piadas enquanto encara criminosos e super-vilões, um dos únicos pontos em que essa franquia conseguiu superar a trilogia original, mas ainda falha no Peter Parker enquanto personagem. A falta de dinheiro característica dele é brevemente citada e nunca explorada, assim como o subplot da Tia May (Sally Field) ter que conseguir um emprego como enfermeira que vai a lugar nenhum, tirando o relacionamento com a Gwen Stacy, não existe nada de interessante no homem por trás da máscara.

Marc Webb, diretor do fascinante (500) Dias com Ela, pode não ter uma mão muito boa como diretor de uma superprodução de ação, mas como ele provou no seu filme anterior, ele entende de romance. O namoro de Peter e Gwen Stacy (Emma Stone, amável como sempre) é um ponto muito forte no filme. Os atores tem uma adorável química e os altos e baixos na relação deles são envolventes. Peter se sente mal em continuar namorando a Gwen após prometer ao pai dela que a manteria longe do perigo, tarefa que parece cada vez mais difícil, uma vez que sua vida de vigilante nunca descansa, a possibilidade da Gwen conseguir uma bolsa de estudos e ir morar na Inglaterra dificulta mais as coisas entre os dois.

Homem-Aranha 3 é considerado um fracasso por diversos motivos, o principal deles sendo o fato do filme ter três antagonistas e não conseguir balanceá-los na trama. O mesmo acontece aqui, a ironia reside nesta ser a razão que a franquia recomeçou do zero em primeiro lugar. Primeiro, temos Max Dillon (Jamie Foxx), eletricista na Oscorp que é abusado no trabalho, não recebe o menor reconhecimento pelos feitos que obteve na empresa e não tem amigo algum. Essa poderia ser uma origem convincente para o vilão Electro, só que o filme trata a solidão de Max com um tom cômico, perdendo assim a chance de criar qualquer laço afetivo com o personagem; sua motivação também é um tanto absurda: ele quer acabar com o Homem-Aranha por não se lembrar do nome dele depois de salvá-lo anteriormente na narrativa e por roubar a atenção que conseguiu após obter os poderes elétricos. Segundo, temos Harry Osborne (Dane DeHann), amigo de infância de Peter que acabaram separados pela vida e voltam a ter contato após o morte do pai de Harry, Norman (Chris Cooper). A explicação para a criação da persona de Duende Verde é tola, os Osborne têm uma doença degenerativa (que convenientemente transforma o hospedeiro em uma espécie de duende com unhas largas e um aspecto esverdeado) e Harry acredita que a cura está no sangue do Homem-Aranha. Por fim, temos Paul Giamatti numa performance exagerada como Rino, tudo o que o ator faz é berrar e atirar para todos os lados, mas este tem a motivação mais convincente do filme: quer roubar.

E o filme se perde em meio a tantas narrativas principais e subtramas que não acrescentam em nada, como um avião em perigo quando o Electro está aterrorizando a cidade durante o clímax. É perceptível que muito foi deixado de fora na edição, como a personagem Felicia (Felicity Jones), secretária do falecido Norman Osborne, que só está na trama para dar ao Harry as informações que ele necessita, que aparenta ter tido uma aparição maior do que as duas ou três breves cenas que participou. O filme ainda contaria com a presença de uma Mary Jane Watson vivida pela Shailene Woodley, que foi cortada completamente do filme. Mais todas as conexões para um futuro filme do Sexteto Sinistro, que sairia antes de O Espetacular Homem-Aranha 3. Não há filme que sobreviva a este caos na produção.

Encontrando certa redenção na parte técnica, o CGI alterna entre ótimo e regular nas cenas de ação, que apresentam um uso satisfatório de slow-motion ao diminuir a velocidade das cenas para que o espectador seja capaz de ver todas as coisas que estão acontecendo ao mesmo tempo sem abusar da técnica. A trilha sonora conduzida pelo experiente Hans Zimmer e o cantor Pharrell Williams é esquecível e barulhenta, remetendo diversas vezes ao dubstep.

No final, O Espetacular Homem-Aranha 2 se mostra um filme fraco e sem qualquer tipo de enredo próprio. A Sony colocou muita pressão em cima do filme, querendo estabelecer diversas sequências desnecessárias e o tiro saiu pela culatra. Como resultado, não veremos mais Andrew Garfield como o amigo da vizinhança, o que é uma pena – o ator nunca teve um roteiro decente para verdadeiramente brilhar como o herói.

Nota do crítico: 

Nota dos usuários: 

[Total: 4    Média: 1.5/5]
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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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