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Okja | Crítica

Okja | Crítica

Okja

Ano: 2017

Diretor: Bong Joon-ho

Elenco: Ahn Seo-hyun, Tilda Swinton, Paul Dano, Steve Yeun, Lily Collins, Giancarlo Esposito, Jake Gyllenhaal, Byun Hee-bong

Okja é outra aposta ousada da Netflix. Em associação com o estúdio Plan B (que co-produziu The OA e War Machine), o serviço de streaming investiu US$ 50 milhões para a realização deste filme e a direção ficou por conta do sul-coreano Bong Joon-ho (Snowpiercer). O lançamento aconteceu no Festival de Cannes e foi recebido pela plateia com vaias e aplausos. Sua estreia no renomado festival de cinema iniciou uma longa controvérsia a respeito da Netflix: seus filmes podem ser considerados cinema ou são uma arte menor já que são produzidos direto para a TV?

Após muita discussão, o longa finalmente foi lançado na plataforma para todos os assinantes.

A jovem Mikha (Ahn Seo-hyun) tem um amigo pouco usual, uma “superporca” cinza com o quádruplo do seu tamanho, chamada Okja. As duas se conhecem há dez anos e sua amizade é ameaçada quando as Corporação Mirando – um odiado conglomerado de agroquímicos disposto a fazer de tudo para melhorar a sua imagem e dona de todos os “superporcos” como Okja – as separa. Para impedir que o pior aconteça com a sua amiga, Mikha conta com a ajuda de um grupo ativista da proteção de animais liderado por Jay (Paul Dano).

Começando como um filme infantil, a amizade de Mikha com Okja é explorada em cenas repletas de aventura com o senso de humor leve, focando na rotina da jovem com a criatura e estabelecendo a forte ligação entre as duas. O design de Okja ajuda a simpatizar com a criatura, pois apesar do tamanho descomunal, seu largo focinho e olhos grandes e chorosos compõem uma personagem adorável e que não hesita em salvar sua dona em situações de perigo. O CGI por trás do animal por vezes é bastante convincente, mas em vários momentos soa artificial; um problema não muito sério aqui porque não são os efeitos que carregam o filme.

A atuação central do filme, na atriz mirim de 13 anos que interpreta Mikha, é ótima. Mesmo contracenando com uma criatura inexistente no set de filmagens, ela exprime diversas emoções e, mesmo nos momentos mais intensos da trama, sua performance mantém o elemento humano ao lado de tantos personagens caricatos. O relacionamento da garota com Okja é bem explorado nas cenas iniciais, conseguindo facilmente investir o público nas desventuras que passam juntas.

A partir da metade do filme, o tom muda completamente: o que começou como algo divertido e leve que se assemelha a uma produção infantil para toda a família logo se torna um drama pesado sobre os horrores da indústria alimentícia. O ponto de transição é brusco, numa cena estamos rindo das trapalhadas de Okja e na cena seguinte estamos horrorizados com o que vemos em tela. O resultado final parece ser dois filmes diferentes com a mesma temática que foram forçados em um só.

Okja tem um tom satírico e apresenta personagens extravagantes. Tilda Swinton, como sempre, dá vida a uma personagem peculiar cheia de traços únicos, uma vilã empresária que geralmente seria retratada como unidimensional e com motivações simples, mas aqui vemos uma pessoa que, por mais cruéis sejam seus objetivos, tem um passado e motivações relacionáveis. Dr. Johnny Willcox (Jake Gyllenhaal, se divertindo no papel) é uma exagerada caricatura de apresentadores de programas televisivos sobre a vida selvagem. Praticamente todos os personagens que trabalham na Corporação Mirando são exagerados e, até certo ponto, divertidos.

Passando uma forte mensagem sustentável, Okja lida com sérios problemas de tom, ritmo e de público-alvo. Em contrapartida, dispõe de uma sensibilidade tocante, sem nunca soar falso ou manipulativo, que compensa pelos problemas que tem no enredo.

Nota do crítico:

Nota dos usuários: 

[Total: 4    Média: 4.8/5]
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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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