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GLOW – 1ª Temporada | Crítica

GLOW – 1ª Temporada | Crítica

Crítica de GLOW, nova série da NetflixGLOW – 1ª Temporada

Ano: 2017

Criadoras: Liz Flahive, Carly Mensch

Elenco: Alison Brie, Betty Gilpin, Marc Maron, Sydelle Noel, Britney Young, Britt Baron, Kimmy Gatewood, Rebekka Johnson, Sunita Mani, Marianna Palka, Gayle Rankin, Kia Stevens, Jackie Tohn, Ellen Wong, Kate Nash, Chris Lowell, Rich Sommer

Logo na primeira cena de GLOW conhecemos a protagonista Ruth Wilder (Alison Brie), que está fazendo teste para um papel. Ela lê as suas falas, que demonstram ser de um importante personagem para a trama daquela produção. Em seguida, a diretora de casting olha para Ruth e diz que ela leu a parte errada do roteiro. Aquelas seriam as falas do homem e que as dela não passariam de meia dúzia de palavras, e que sua personagem, uma secretária, apenas avisaria ao protagonista que sua esposa estava na linha e queria falar com ele. E, mesmo assim, ela não consegue o papel. A explicação vem da selecionadora, que diz para Ruth: “você é a garota que a gente traz quando os diretores pedem uma mulher real, aí eles veem você e se convencem de que não querem uma pessoa normal”.

Logo, descobrimos que a principal personagem da história não tem dinheiro para pagar as contas e, além disso, acabou traindo a confiança de sua melhor amiga, Debbie Eagan (Betty Gilpin). Ou seja, está no fundo do poço. E é aí que ela acaba encontrando o projeto GLOW (Gorgeous Ladies of Wrestling), que tem como objetivo colocar mulheres para lutarem wrestling na televisão, aproveitando a alta popularidade da modalidade nos anos 1980. Lá, Ruth encontra um time de mulheres tão problemático quanto ela. A narrativa não se utiliza de cansativos flashbacks para nos contar o que cada uma viveu. E, mesmo assim, conhecemos os seus dramas e dificuldades. Ponto positivo.

Criada por Liz Flahive, de Nurse Jackie, e Carly Mensch, de Orange Is the New Black, além de contar com produção de Jenji Kohan, também de OITNB, a série, inspirada em uma história real, traz diversos elementos dos dois programas, como o jeito de fazer comédia e a dinâmica do elenco. Misturando drama com comédia, GLOW reconstrói toda aquela atmosfera envolvente dos anos 1980, com roupas espalhafatosas, cabelões armados, calças de cintura alta, muita cor e uma trilha sonora incrível. Sério, a trilha é incrível mesmo.

Selecionadas pelo diretor decadente Sam Sylvia (Marc Maron, ótimo), as 14 participantes de GLOW, que não entendem absolutamente nada de wrestling, precisam aprender sobre a luta e, mais do que isso, se entenderem. E é na química do elenco que está um dos pontos mais fortes da série. Cada uma das personagens tem uma história, com problemas e convicções, o que faz com que a integração entre todas seja algo difícil. E ver a construção (e, também, a desconstrução) das personagens enriquece a narrativa, conseguindo gravar aquelas mulheres em nossa memória, mesmo que em apenas 10 episódios de 30 minutos.

Ruth, o fio-condutor da trama, é passiva e constantemente humilhada, fazendo com que a situação em que sua personagem se encontra seja desconfortável, o que a transforma em alguém tão real quanto poderia ser, com defeitos, inseguranças, frustrações, mas com uma perseverança incrível e um brilho no olhar que é contagiante. Em um determinado momento da trama, em que a personagem está passando por um momento extremamente importante, Ruth é questionada se quer continuar com a sua difícil decisão e, baixinho, ela diz para si mesma: “sim, eu sou uma lutadora”. Sensacional e emocionante. E Brie está impecável!

Com boas sacadas e piadas interessantes, a série explora diversas possibilidades e situações em que aquele grupo de mulheres distintas poderia se meter. O humor, muitas vezes ofensivo, se justifica dentro da trama. São apenas pessoas sem-noção fazendo um programa mais sem-noção ainda e que vão aprendendo, juntas, o que é certo e errado. Um exemplo são os nomes das personagens: a menina filipina, por sua origem asiática, acaba se chamando Biscoito da Sorte. A filha de indianos se torna Beirut, uma terrorista que quer acabar com os Estados Unidos. Até uma dupla da Ku Klux Klan entra no ringue.

Ganhando ainda mais força do meio para o fim, a série desenvolve melhor as personagens, revela motivações, resolve (ou quase) alguns confrontos e o programa GLOW acaba encontrando dificuldades para sair do papel. Neste momento, o grupo tão díspar de mulheres precisa se unir e levar o projeto adiante. E é dessa união e das confusões em que elas se metem que temos uma ótima comédia sobre diferenças, semelhanças, amizade, lealdade e ter a sua voz ouvida. E, apesar de alguns tropeços no meio do caminho, GLOW é cativante e encantadora. Engraçada e dramática. Inteligente e boba. Ofensiva e inocente. Enfim, uma grata surpresa da Netflix e que, com certeza, merece muitos mais episódios. Vida longa a GLOW!

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 3    Média: 4.7/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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