Bode na Sala
Críticas Séries

Fargo – 3ª temporada | Crítica

Fargo – 3ª temporada | Crítica

 Fargo – 3ª temporada

Ano: 2017

Criador: Noah Hawley

Elenco: Ewan McGregor, Carrie Coon, Mary Elizabeth Winstead, Goran Bogdan, David Thewlis, MIchael Stuhlbarg, Shea Whigham 

Após uma primeira temporada inovadora e um olhar ousado sobre o gênero de super-herói com Legion, Noah Hawley volta ao universo de Fargo para outra excelente temporada.

No terceiro ano da série introduzidos aos irmãos Emmit e Ray Stussy (ambos interpretados por Ewan McGregor); enquanto Emmit se deu bem na vida como sócio de uma cadeia de estacionamentos de sucesso, Ray trabalha como agente de condicional. A rixa entre os dois se dá por causa da herança: Ray ganhou o Corvette do pai e Emmit ganhou uma coleção de selos raros com os quais construiu o seu império. Quando o plano de conseguir o último selo dá terrivelmente errado, Ray e sua noiva, NIkki Swango (Mary Elizabeth Winstead) se veem encurralados com a investigação policial conduzida pela ex-chefe de polícia Gloria Burgle (Carrie Coon). Emmit também se vê numa posição complicada quando sua empresa faz parceria com a Narwhal, liderada pelo inescrupuloso V.M. Varga (David Thewlis).

Não só Fargo, mas todas as séries antológicas (uma história completamente nova por temporada ou episódio) se beneficiam de conseguir atores renomados, uma vez que sua participação vai se resumir a apenas uma única temporada. Ewan McGregor acaba não sendo muito recompensado pelo papel duplo, ambos os Stussy são bastante similares em termos de personalidade e apenas na reta final o ator consegue espaço para brilhar. Carrie Coon dá uma atuação competente como a esforçada policial Burgle. Mary Elizabeth Winstead dá a melhor performance da sua carreira como Nikki Swango, ela é engenhosa, confiante e não mede esforços para conseguir o que quer, desafiando figuras perigosas no caminho, tendo um excelente desenvolvimento ao longo da temporada.

A verdadeira estrela da terceira temporada é David Thewlis. V.M. Varga é um vilão nojento, desagradável, antipático e, ainda assim, dispõe de certo carisma, toda cena que ele aparece é igualmente prazerosa e desconfortável de assistir. Com seus dentes podres, bulimia e um sorriso enviesado que esconde suas verdadeiras intenções, Varga, sempre acompanhado de seus capangas, Yuki Gorka (Goran Bogdan) e Meemo (Andy Yu), se descreve como um verdadeiro capitalista e seus esquemas ilegais ameaçam a integridade de Emmit, que não pode fazer nada a respeito. O ator tem presença magnética em tela e compõe um antagonista que fará falta nas temporadas futuras.

Começando a temporada com ritmo lento, a trama vai se desenvolvendo com humor negro característico do filme de 1996, a linha do que é aceitável rir é tênue. Os primeiros episódios são apenas diálogos e situações infortunas que progressivamente levam à inúmeros banhos de sangue e tragédias em todos os núcleos.

O oitavo episódio, Who Rules the Land of Denial?, é o maior exemplo de maestria da série. A tensão é crescente e entra embaixo da pele. Mesmo que não haja tantos momentos de adrenalina quanto na temporada anterior, as cenas mais intensas continuam surpreendendo e mantendo o espectador no ápice. A violência alterna entre gratificante e chocante, o gore é bem executado e não falha em oferecer cenas memoráveis. Fargo nunca poupou inocentes, pessoas morrem por terrem sido meras testemunhas ou por terem nascido com o sobrenome errado, nem crianças são poupadas. A morte central do primeiro episódio desencadeia uma série de massacres.

A série sempre apresentou um flerte com o surreal, a terceira temporada é a que mais abraçou esse aspecto até agora. A presença do misterioso Paul Marrane (Ray Wise) oferece apoio e acerto de contas, a cena no boliche é cheia de significados, passando pela reincarnação.

Repleto de referências à temporadas anteriores (alguns personagens até retornam) e aos outros filmes dos irmãos CoenO Grande Lebowski e Onde os Fracos Não Tem Vez, Fargo consegue novamente construir uma história nova que se mostra consistente em qualidade e em comparação ao filme original. Onde True Detective falhou, aqui vemos total capacidade dos roteiristas em inovar sem perder a essência da série.

Nota do crítico: 

Nota dos usuários:

[Total: 11    Média: 3.5/5]

 

The following two tabs change content below.
Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

Comments

  1. É no mínimo intrigante como a maioria das críticas assinadas por profissionais e por blogueiros é favorável, enquanto a imensa maioria dos comentários dos leitores é reconhecendo os problemas seus que a 3a temporada tem:
    – Furos de roteiro,
    -inverossimilhança, personagens incoerentes,
    – várias interferências ex-machina que só tornam o roteiro mais esnobe e não ajudam em nada no desenvolvimento,
    – abuso de clichês de filmes policiais, como os superiores tacanhos que não deixam a investigação prosseguir,
    – personagens que sai vendidos como profissionais, competentes e experientes e depois cometem as atitudes mais ridiculamente amadoras,
    – Ewan MacGregor competente, mas não escalado para o papel do irmão (a maquiagem incomoda todo o tempo!)
    E assim eu poderia prosseguir…
    O que nos prende é só é unicamente o brilhante elenco. Mesmo a direção fica perdida à mercê do roteiro fraco. Gostaria de estar enganado, mas acho que é hora desta série acabar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *