Bode na Sala
Especiais Filmes

Especial | 13 filmes que celebram o orgulho LGBT

Especial | 13 filmes que celebram o orgulho LGBT

No dia 28 de junho é celebrado o Dia do Orgulho LGBT. Com o passar das décadas, o cinema nunca deixou de fazer a sua parte ao retratar as mais diversas lutas sociais, sempre sendo o porta-voz das minorias e representando os seus conflitos para que o mundo pudesse ver — e com o movimento gay não poderia ser diferente.

Por conta disso, a equipe do Bode na Sala preparou uma lista com 13 filmes que celebram o orgulho LGBT. Algumas das escolhas dessa lista foram vítimas de controvérsia quando lançados, boicotes de cinemas, das distribuidoras e de parte do público. Filmes que, mesmo enfrentando dificuldades, não falharam em transmitir as suas mensagens de amor, aceitação e inclusão.

Confira:

Filadélfia (1994)

Filmes que celebram o orgulho LGBTUm dos melhores filmes deste especial, se não o melhor. Não tem como não militar ao fazer uma síntese crítica de Filadélfia porque ele é realmente demais. A narrativa acompanha Andy Beckett (Tom Hanks), um ainda jovem homem gay que é demitido da “firma” de advocacia em que trabalha quando seus empregadores descobrem que ele está com AIDS – na época em que a doença era a “praga gay” e matava violentamente seus portadores. Para vencer o processo, o advogado Joe Miller (Denzel Washington) foi convencido e se convenceu a aceitar o caso, sendo que ele era declaradamente um preconceituoso que tinha medo de ter qualquer tipo de contato com gays em geral, especialmente os com AIDS. Esse cara vai sendo desconstruído ao longo do filme: no início, na primeira vez que Andy vai a seu escritório convencê-lo, eles apertam as mãos e logo após o advogado fica constrangido porque acha que poderia pegar AIDS (vai no médico, inclusive, para conferir isso) e fica cuidando onde o Andy toca; também mais pro início contamos com o seguinte diálogo entre Joe e sua companheira “- Ela é lésbica? Desde quando? – Provavelmente desde sempre”; todavia, começa a ter compaixão por Andy, querê-lo vivo e com a vitória. Vale destacar que Andy tinha total apoio familiar de origem abastada, o que facilita toda a situação. Em particular, podem ser destacados 4 trechos a serem lembrados desta super indicação: 1- o fato da bonequinha da filha de Joe ser negra como a menina e isso é muito representativo; 2- a frase “Me explica como se eu fosse uma criança de 4 (ou 2, ou 6) anos”, técnica que Joe sempre falava para instigar as pessoas a falarem abertamente sobre os assuntos; 3- a linda cena do Andy traduzindo uma ópera para o Joe, contando com um jogo de cores oscilantes, uma câmera em travelling, planos fechados nos rostos dos atores com expressões emotivas, se configurando por uma lindeza sublime, de chorar junto com o “eu sou o amor”; e 4- a cena de quando Andy mostra suas lesões no tribunal, sendo que as vemos antes nos desvios dos olhares dos jurados e acusados, depois no olhar com lágrimas da sua irmã, para, então, vermos a imagem concreta.


Azul é a Cor Mais Quente (2013)

Filmes que celebram o orgulho LGBTAzul é a Cor Mais Quente ficou rapidamente conhecido pelas suas extensas e gráficas cenas de sexo; o filme é bem mais do que isso. Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma adolescente introvertida que se relaciona exclusivamente com garotos até o dia que ela cruza na rua com uma mulher de cabelo azul e se sente atraída por ela. Adèle passa a ficar conflituosa quanto a sua sexualidade e frequentando bares gay encontra Emma (Léa Seydoux), a mulher de cabelo azul. O filme passa a explorar o relacionamento e as dificuldades que enfrentam. Adèle ainda está se descobrindo e apresenta muitas incertezas. Com quase três horas de duração, anos se passam na narrativa e acompanhamos com intimidade o amadurecimento de Adèle, sua transição de estudante para mulher adulta e os caminhos que seu namoro com Emma a conduzem. A experiente atriz francesa Léa Seydoux tem bastante química com a até então desconhecida Adèle Exarchopoulos, o romance entre as duas é crível e envolvente. Ao contrário de muitos filmes do gênero, Azul é a Cor Mais Quente em momento algum trata de intolerância ou preconceito, seu foco está unicamente no amor entre as duas mulheres.


Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)

O filme mais recente desta lista e três vezes vencedor do Oscar, Moonlight acompanha Chiron (Alex Hibbert/Ashton Sanders/Trevante Rhodes) em três momentos da sua vida: infância, adolescência e maioridade. Crescendo nas violentas ruas de Miami, Chiron tem que lidar com a sua mãe viciada em drogas, Paula (Naomie Harris), enquanto descobre a sua sexualidade numa comunidade que é hostil com homossexuais. Ainda na infância ele recebe ajuda de Juan (Mahershala Ali), um amigável traficante de drogas que se torna uma figura de mentor em meio aos dilemas que enfrenta. Enfrentando problemas domésticos, bullying na escola e as ruas cheias de tráfico na qual vive, acompanhamos o crescimento e a evolução de Chiron e como os traumas que ele vive acabam definindo o homem que se torna. O diretor Barry Jenkins conduz o filme com sensibilidade, sem deixar as cenas mais intensas com o devido peso. Naomie Harris (que filmou todas as suas cenas em apenas três dias) confere intensidade à sua personagem nas cenas emocionalmente desgastantes que protagoniza fazendo contraste ao personagem de Ali, cuja calma e serenidade servem de porto seguro para o Chiron. No último ato, presenciamos a vida adulta do protagonista e como sua vida levou um rumo inesperado, como o ambiente que ele estava inserido pré-determinou a pessoa que se tornou quando cresceu, um destino quase que inevitável para muitos que se encontram na mesma situação que Chiron.


Carol (2015)

Na Nova Iorque dos anos 1950, uma mulher de personalidade forte passa por um processo de divórcio com seu marido controlador, e seduz uma jovem solitária para uma viagem romântica e cheia de autodescobertas. É essa a premissa de Carol, filme dirigido por Todd Haynes e lançado em 2015. O filme conta com grandes atuações de Cate Blanchett e Rooney Mara, e, além de ser muito charmoso, trata de questões como o próprio romance das protagonistas em uma época extremamente conservadora e o machismo presente em praticamente todos os homens daquele período. O filme venceu a Queer Palm, no Festival de Cannes, e teve 5 indicações ao Oscar, incluindo as das atrizes.


Amor por Direito (2015)

Filmes que celebram o orgulho LGBTLuta pela igualdade é o mote desse filme, inspirado na história real da luta de uma policial (interpretada por Juliane Moore) de Nova Jersey (EUA) para garantir que sua companheira (interpretada por Ellen Page) tivesse direito a receber sua pensão quando ela morresse, o que aconteceria logo visto que ela fora diagnosticada com um câncer terminal. Laurel e Stacie tinham união estável e moravam juntas, mas os legisladores não queriam ceder os benefícios também porque os conservadores sabiam que esse caso seria utilizado pelos militantes LGBTTT em favor do casamento gay. É curioso ver que o nome do filme em inglês é Freeheld, sendo que os legisladores são chamados “freeholders”, essa relação se perde com a tradução do título… Este é um belo filme de luta, com sutilezas cotidianas como o fato de que o casal tinha que esperar as pessoas passarem para se beijar, o receio em poder trocar carícias em público, sem falar do preconceito dentro da força policial em relação aos profissionais homossexuais. Ademais, a importância desse filme para a luta LGBTTT é evidente pois impulsionou o andamento das leis locais e nacionais, sendo que apenas 7 anos após a morte da policial já era possível que pessoas do mesmo sexo se casassem legalmente e dois anos depois disso, em 2015, as leis evoluíram para a compreensão de que todos os cidadãos estadunidenses são iguais, com os mesmos direitos, um passo gigantesco, uma glória na luta diária.


Meninos Não Choram (1999)

Filmes que celebram o orgulho LGBTEste é um filme baseado na história real de Brandon (Hilary Swank), retratando a empreitada deste jovem homem transgênero para se afirmar e criar sua imagem/identidade masculina. É um filme que reflete sobre o que é “crise de identidade sexual”, na visão dos que reprimem e enquadram, e o que é autodescoberta e construção de si. Hilary Swank entrega ao Brandon uma ótima atuação, explorando bem todas as camadas que o personagem apresenta. Ele se envolve em romances, brigas, corridas de carro, e diversas aventuras no seu processo formativo tentando estabelecer conexões e se sentir incluído num mundo que o exclui por não procurar compreendê-lo. Esta obra é relevante para pensar sobre os embates pessoais ratificados por uma sociedade machista em que o patriarcado impera outorgando papéis sociais para homens e mulheres, desconsiderando se foram socializados nesse gênero ou não, e que as diferenças, mesmo que sutis, envolvem a todos, cada um com suas particularidades, sujeito múltiplo em si mesmo.


Milk: A Voz da Igualdade (2008)

Filmes que celebram o orgulho LGBTSurpreendentemente, esse é um daqueles poucos filmes em que a tradução do título engrandece a síntese narrativa que apresenta o filme, porque ele conta a história real de um ativista político chamado Harvey Milk (Sean Penn) que virou a “voz da igualdade” na luta pelos direitos da população gay em São Francisco e em todos os EUA, assumindo um caráter quase messiânico. Seu assassinato é apresentado logo na primeira cena e todo o filme acontece numa espécie de flashback narrado oralmente pelo próprio Milk, que nesses momentos aparece sentado contando tudo a um gravador, guardando os registros para o caso de ser assassinado. Ele sabia que se tornaria um mártir. Ele abriu precedentes ao ser o primeiro homossexual assumido (e ativista, ainda por cima) a se eleger em um cargo público, no caso no cargo de Supervisor de São Francisco, em 1978 – mesmo ano de sua morte. O filme o acompanha desde 1970, no dia de seu aniversário de 40 anos, quando ele conhece Scott (James Franco) e resolve construir a mudança na sua vida, sair de vez do armário e viver feliz com seu companheiro. A influência deles vai aumentando, e Milk começa sua corrida eleitoral para assumir um cargo público, representar a causa gay (assim como os negros têm seus representantes, como ele mesmo destaca) e cessar minimamente o perigo ao qual esta população está exposta diariamente. Foram 5 anos lutando para se eleger, marcados por rupturas, derrotas e vitórias, e tudo culminou em sua morte precoce, sendo covardemente assassinado aos 48 anos.


Minhas Mães e Meu Pai (2010)

Filmes que celebram o orgulho LGBTO enredo gira em torno do conflito criado quando um novo elemento é inserido no seio familiar e as relações que já estavam marcadas por rachaduras começam a se quebrar e serem postas à prova para se reconstruir. Todos estamos sujeitos a passar por isso, pois a intensidade da vida cotidiana pode sucumbir verdades e recriá-las. Especificamente nesse filme o que acontece é que o filho mais novo (Josh Hutcherson, interpretando um adolescente de 15 anos que gosta de esportes de equipe) de um casal de lésbicas (Juliane Moore e Annette Bening) se interessa em saber quem é o pai biológico e convence a irmã (Mia Wasikowska, que recém completou 18 anos e está passando o último verão em casa antes de se mudar para o alojamento da faculdade na qual recebeu uma bolsa de Ciências) a contatar o programa de doação de espermas, o que os leva a descobrir, conhecer e conviver com essa nova figura (Mark Ruffalo) e cria o conflito familiar. Esse filme entra no nosso especial não somente por ter como protagonistas um casal de lésbicas (que poderia ser trabalhado com estereótipos, o que não acontece), mas por fazer questionar a complexidade das relações amorosas e trazer bons elementos de reflexão e visibilidade sobre o que é um casamento homoafetivo, que tem os mesmos conflitos e potencialidades dos casamentos heterossexuais.


O Segredo de Brokeback Mountain (2005)

Filmes que celebram o orgulho LGBTExiste figura que represente mais a masculinidade do que um cowboy? É um sujeito durão, que não expressa sentimentos e faz sucesso com a mulherada. Mas será mesmo? Em O Segredo de Brokeback Mountain o diretor Ang Lee nos traz um olhar completamente diferente sobre essa mítica figura. Quando os vaqueiros Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhaal) ficam isolados, pastoreando ovelhas, no alto da Montanha Brokeback, eles acabam se apaixonando de maneira ardente. Só que, na década de 1960 e em um local extremamente conservador, os dois não assumem a sua relação e, quando terminam o serviço, seguem para vidas consideradas “normais” – casando-se com mulheres e tendo filhos. Apesar disso, a paixão proibida entre os dois nunca vai embora. Depois de anos separados, Ennis e Jack se reencontram e o amor que eles sentem um pelo outro se mostra mais forte do que nunca. Delicada, intensa e extremamente importante, a história de Brokeback Mountain fala de aceitação, preconceito e amor da forma mais pura que existe. O saudoso Ledger está ótimo no papel e Gyllenhaal está totalmente entregue ao personagem, em uma atuação memorável. Um filme incrível e que, como seu próprio slogan diz, mostra que “o amor é uma força da natureza”. Filme vencedor de três prêmios Oscar, incluindo Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.


Priscilla, A Rainha do Deserto (1994)

Filmes que celebram o orgulho LGBTNesse filme australiano, duas drag queens e uma transexual, a bordo de um ônibus estilizado e carinhosamente chamado de Priscilla, têm como objetivo atravessar o deserto para se apresentar em um resort. O longa, dirigido por Stephan Elliott, marcou época, com muita diversão, músicas famosas e paetês. Mostrou-se um importante aliado na luta contra o preconceito, logo após o início da epidemia da AIDS. Terence Stamp, Hugo Weaving e Guy Pearce formam o inspirado trio de protagonistas, com carisma e uma alegria contagiante. E, apesar de ser uma comédia, a produção aborda interessantes temas, como aceitação e o drama que a maioria da comunidade LGBTTT enfrenta ao revelar sua sexualidade para família. Vencedor do Oscar do Oscar de Melhor Figurino.


Será Que Ele É? (1997)

Filmes que celebram o orgulho LGBTDurante um discurso de agradecimento por ter recebido um Oscar, um ex-aluno ressalta a importância do seu ex-professor gay, Howard Brackett (Kevin Kline). Este, no entanto, vê a sua vida virada de cabeça para baixo. Afinal, nem ele sabia que era homossexual. Agora, sua noiva, seus pais e toda a cidadezinha em que vive estão questionando sobre a sua sexualidade. A trama, leve e divertida, brinca com diversas situações que um mal-entendido desses geraria. Afinal, depois da fala do seu ex-aluno, o professor não sabe se é gay ou não, mas tenta não ser –  apesar de começar a perceber ter uma forte tendência. Então, ele tenta, de diversas maneiras, agir como “um homem normal”, mas sempre acaba saindo frustrado, nos presenteando com momentos hilários. Kline usa todo o seu corpo para fazer comédia, entregando uma ótima performance – incluindo uma genial cena de dança. Tom Selleck, sem bigode (como assim?), aqui interpreta um repórter gay que quer entrevistar Brackett, mas acaba fazendo com que o professor fique ainda mais confuso. Joan Cusack, a noiva do professor, também está ótima em cena. Não espere que Será Que Ele É? tenha um grande aprofundamento ou mensagens incrivelmente fortes. No entanto, a comédia, que poderia ter acabado de maneira mais interessante, acaba falando sobre a bobagem que é ter preconceito com a sexualidade do outro. No final das contas, poder rir de um divertido filme e ele ainda falar sobre a importância de aceitar as diferenças é sempre ótimo.


Queda Livre (2013)

Tido como O Segredo de Brokeback Mountain da Alemanha, Queda Livre acompanha a história de Marc (Hanno Koffler) e Kay (Max Riemelt), dois policiais que, aos poucos, começam a sentir uma forte atração um pelo outro. No entanto, um deles vem de uma família conservadora de policiais e, além disso, sua esposa (é namorada, mas eles moram juntos, então…) está grávida. O amor entre os rapazes acaba aflorando e eles vivem uma relação proibida, fazendo com que Marc tenha uma vida dupla, até que sua família e companheiros do batalhão descobrem o seu relacionamento com Kay. A partir daí, começa a queda livre do título. A falta de aceitação dos pais, a confusão na cabeça da esposa e o machismo no ambiente policial. Stephan Lacant conduz a trama de maneira fluída e que vai direto ao ponto, mostrando a intensidade do relacionamento de Marc e Kay. Além disso, não poupa nos momentos de conflito, tornando a história cada vez mais real e interessante. Ao final, Queda Livre, assim como Brokeback Mountain, não é uma história de amor que se espera, mas é precisa, atual e importante.


Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014)

Versão em longa-metragem do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de 2010, o brasileiro Hoje Eu Quero Voltar Sozinho fala de amor, independência e autodescoberta. Leo (Guilherme Lobo) é um adolescente que nasceu cego e sempre teve uma vida monótona e de dependência, até o dia em que Gabriel (Fabio Audi) chega à sua escola. Logo, os dois começam a se aproximar. A partir daí a vida de Leo muda completamente e o jovem começa a experimentar situações nunca antes imaginadas e, aos poucos, começa a se apaixonar pelo novo amigo. Apesar de contar com atuações fracas, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho é um filme fofo, delicado, mas forte e que fala de amor da maneira mais pura e sensível possível.


Elaboraram este especial: Maytê Ramos Pires, Diego Francisco, Carlos Redel e João Vitor Hudson

 

The following two tabs change content below.

Redação

Latest posts by Redação (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *