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Better Call Saul – 3ª temporada | Crítica

Better Call Saul – 3ª temporada | Crítica

Better Call Saul – 3ª temporada 

Ano: 2017

Criadores: Vince Gilligan, Peter Gould

Elenco: Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando, Michael McKean, Giancarlo Esposito, Mark Margolis

 

Better Call Saul nunca, ao contrário de outras derivadas, viveu à sombra de sua série original. Sim, por mais que traga personagens de Breaking Bad, nunca mostrou dependência dela, tendo um tom e ritmo narrativo próprios. Essas diferenças afastaram entusiastas do original que esperavam receber o mesmo produto, mas essas divergências são justamente o que fazem de Better Call Saul uma série tão competente.

Retornando do ponto que a temporada anterior parou, esta é definida pela rivalidade entre Jimmy McGill (Bob Odenkirk) e seu irmão Chuck (Michael McKean). O confronto agora vai para o tribunal e ambos os lados não hesitarão em prejudicar ao máximo o outro, não existe espaço para fraternidade. Enquanto Chuck tem como aliado Howard Hamlin (Patrick Fabian), Jimmy conta com o apoio de uma Kim Wexler (Rhea Seehorn) cada vez mais exausta de cuidar do seu único cliente, Mesa Verde.

No outro núcleo, Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) faz uma inesperada aliança com Gus Fring (Giancarlo Esposito) para lidar com o inimigo mútuo, Don Hector Salamanca (Mark Margolis), os dois não confiam um no outro e têm métodos diferentes para conquistar seus objetivos. Nacho (Michael Mando) começa a não concordar com o seu chefe e também cria seus próprios planos para eliminar a ameaça que ele causa.

Com a participação estendida do Chuck, Michael McKean finalmente pode dar mais dimensões ao seu personagem, que só aparecia como irmão louco e invejoso nas temporadas anteriores, por vezes, conseguindo a empatia do público. Em comparação, Bob Odenkirk continua a se superar a dar vida a um JImmy McGill desmotivado e tendo de se esforçar ao máximo para reparar os erros que cometeu, colocando as relações que criou em risco, seja profissionais ou afetivas. Jimmy continua seu caminho para a inevitável transformação em Saul Goodman, a humanidade e o remorso que ainda restam ao advogado vão lentamente sumindo a medida que a figura icônica fica mais evidente.

O antecipado retorno de Gus Fring é satisfatório, o ator continua dominando todas as cenas que aparece e vemos toda a sua rivalidade com o inescrupuloso Salamanca, que aqui surge como uma figura antagônica cujo orgulho e inveja beiram à insanidade; logo, as cenas dos dois em Breaking Bad tomam nova forma com o conhecimento do contínuo conflito entre os dois. Mike sai prejudicado, não tanto tantas cenas ou uma participação tão forte quanto antes.

A terceira temporada é a que mais se assemelha com a série original até agora. O tom cômico vai se perdendo conforme os dramas vividos pelos personagens se tornam mais sérios, ver Jimmy contar uma piada se torna algo menos frequente. Conflitos familiares e conflitos de traficantes tomam conta da narrativa. A atuação nunca foi um ponto menos que excelente nas duas séries e nesta temporadas vemos inúmeros personagens de Breaking Bad, suas aparições nunca soam artificias ou forçadas, se integrando de maneira orgânica à história.

Dentre muitos feitos, Breaking Bad sempre foi reconhecida por sua qualidade técnica e atenção aos detalhes. Não foi surpresa que sua derivada, Better Call Saul, mantivesse o alto nível estabelecido, a surpresa reside no amadurecimento dos produtores. Enquanto a série original apostava muito em colocar a câmera subjetiva em pontos de vista cada vez mais inusitados, Better Call Saul encontra seu ponto mais forte em longos momentos de silêncio, deixando a tensão crescer.

A série ainda conta com diversas ligações e paralelos visuais com a antecessoras, como, por exemplo, o retorno de um personagem tem simetria com a sua morte. Mesmo que a ausência de som seja um ponto notável, a trilha composta por Dave Porter continua envolvente, sendo difícil separá-la da cena. A fotografia continua sufocante, ao invés de vastos desertos, ambientes internos são lugares de tensão, como a escura casa do Chuck que permanece escura mesmo em plena luz do dia, refletindo a solidão do personagem.

Perdendo um pouco da força nos últimos episódios e quase se esquecendo do Mike, a terceira temporada traz outro sólido ano para a série e, mais uma vez, um gancho efetivo para o próximo ano. A transformação em Saul Goodman ainda parece longe, falta muito para Jimmy se perder completamente, mas a série prova que tem material suficiente para várias temporadas, expandindo cada vez mais o enredo e o número de personagens. Better Call Saul pode até mesmo superar o número de episódios de Breaking Bad.

Nota do crítico:

Nota dos usuários: 

[Total: 3    Média: 5/5]
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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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