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Homem-Aranha: Caído Entre Os Mortos | Crítica

Homem-Aranha: Caído Entre Os Mortos | Crítica

Marvel Knights Spider-Man 01 – 06

Ano: 2004

Roteiro: Mark Millar

Arte: Terry Dodson & Frank Cho

Em Caído Entre Os Mortos, Peter Parker faz surpreendente aliança com seu mais odiado inimigo, Norman Osborn, o Duende Verde, numa frenética corrida contra o tempo para salvar a vida de May Parker.

O selo Marvel Knights/Max foi criado pela Marvel Comics no final dos anos 90 com a proposta de contar histórias mais sombrias e adultas de seus personagens, principalmente dos mais barra-pesadas da editora, como Demolidor e Justiceiro. Porém, toda regra tem a sua exceção e nesse caso foi uma história para o Amigão da Vizinhança para o selo adulto da Marvel. Mesmo sendo uma história escrita para o selo, Caído Entre Os Mortos está longe de ser uma história adulta ou sombria, porém, ela ainda possui uma trama e arte mais sombria para os padrões do Cabeça-de-Teia.

Mark Millar (Guerra Civil, O Velho Logan, Kick-Ass) coloca o Homem-Aranha em um dos momentos mais crueis de sua carreira como super-herói: a tia May é sequestrada por um misterioso vilão! E a partir disso Peter faz de tudo para descobrir o paradeiro de sua tia e quem foi o misterioso vilão que a sequestrou; até mesmo fazer uma parceria com o seu arqui-inimigo, o Norman Osborn – preso na Ilha Riker e um dos poucos a saber a identidade secreta do Aranha. Destaque para os diálogos entre ambos, sendo muito mais um “jogo” de gato e rato. Com certas informações em mãos, Peter vai atrás dos possiveis vilões responsaveis e nisso esbarra com clássicos vilões, como Abutre, Electro, Doutor Octopus e até mesmo com o Coruja, além da gatuna, Gata Negra (excelente participação). Com as participações de tais vilões a trama parte para a ação e é daí que os desenhos de Terry Dodson ganham vida e têm um destaque à parte para a HQ: o Homem-Aranha desenhado por ele, mesmo tendo suas icônicas poses, apresenta um ar mais cru na maioria dos socos e chutes. Apesar das expressões caricatas dos personagens, Dodson compensa na hora da ação, deixando sempre os desenhos energéticos e vibrantes. A paleta de cores utilizada é mais voltada para cores frias, deixando de lado o clima ensolarado e colorido das histórias do Aranha.

A partir da metade da HQ a trama se torna mais pessoal, colocando o Peter como todos nós estamos acostumados a ver: com problemas mais cotidianos, principalmente em relação a questão financeira (numa situação devidamente forçada) – fortalecendo mais à relação entre ele e a Mary Jane. Caído Entre os Mortos leva o Peter ao limite de sua sanidade, fazendo-o se afastar do trabalho, estudos e lazer, e questionar coisas antes pouco questionadas por ele. Há comparações sendo feitas dessa HQ com A Queda de Murdock do Demolidor – onde vemos um herói sendo levado ao seu limite psicológico e físico por seus inimigos e abrindo mão das coisas que mais importam -, porém, temos que lembrar que Millar não é nenhum Frank Miller e Dodson é muito menos um David Mazzucchelli…

No final, a trama ganha um novo gás bem plausível, deixando a história com um ar de conspiração bem interessante. Uma das coisas mais bacanas em se ler histórias de super-heróis da Marvel ou da DC é quando um roteirista chega à revista e tenta fazer algo novo para o personagem, tirando-o de sua zona de conforto e Caído Entre os Mortos foi um ótimo passo para uma história mais sombria do Aranha. Pena que não há uma conclusão definitiva para Caído Entre os Mortos, sendo algo como a “1ª temporada” do Homem-Aranha no selo Marvel Knights, com um final deixando mais perguntas do que respostas. Porém, será uma boa espera por Homem-Aranha: Herói da Resistência.

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