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The Ranch – Parte 3 | Crítica

The Ranch – Parte 3 | Crítica

Crítica de The Ranch - Parte 3The Ranch – Parte 3

Ano: 2017

Criadores: Jim Patterson, Don Reo

Elenco: Ashton Kutcher, Danny Masterson, Sam Elliott, Debra Winger, Elisha Cuthbert, Megyn Price, Kelli Goss, Grady Lee Richmond

The Ranch tem uma historinha legal para uma sitcom: Colt (Ashton Kutcher) é um ex-jogador de futebol americano profissional que, depois de desperdiçar a sua carreira, volta ao Colorado para viver e trabalhar no rancho do pai, Beau (Sam Elliott), juntamente com o irmão mais velho, Rooster (Danny Masterson). O ex-atleta, que viajou por diversos lugares e se acostumou com a modernidade (como botas ugg) acaba trazendo um choque de culturas para aquela cidadezinha do interior.

No entanto, o foco do programa da Netflix é na relação dos três Bennett, que agem como adolescentes – fazendo birra, piadas sexuais e zombando de quem compra carros ecologicamente corretos ou vota na Hillary Clinton. Além de beberem o tempo inteiro. O tempo inteiro mesmo.

A terceira parte da série segue do ponto em que o ano anterior parou, com Hether (Kelli Goss), ex-namorada de Colt anunciando sua gravidez, logo quando o ex-atleta conseguiu conquistar o amor de sua vida, Abby (Elisha Cuthbert), e iria pedi-la em casamento.

A partir daí a trama foca nisso, transformando-se em um drama com raros momentos engraçados. Bem raros. E é em torno da gravidez de Heather que temos um momento que destoa da linha narrativa de The Ranch, que claramente tem um público-alvo mais conservador. Assim, a mãe de Colt, Maggie (Drebra Winger), acaba dando um importante discurso sobre o papel do homem na decisão da mulher sobre ter um filho ou não. Realmente, não é algo que se espera dessa série. Ponto positivo.

Claramente, não dá para se esperar um grande aprofundamento nessas questões, justamente por se tratar de The Ranch. Mesmo assim, é interessante ver esses personagens debatendo e aceitando pontos de vista diferentes e importantes para a sociedade. Em comparação com as duas primeiras partes da atração, The Ranch alivia nas piadas machistas e preconceituosas, mas também se mostra quase incapaz de fazer graça sem apelar.

Não dá para esperar muita coisa do programa, obviamente. Ele tenta entrar no assunto da imigração e deportação, envolvendo o personagem Umberto (Wilmer Valderrama), mas acaba não sabendo que discurso seguir. No final das contas, acaba ficando em cima do muro.

Falando em Valderrama, a série, que é dirigida por David Tainer, que também comandou todos os episódios That ‘70s Show, quer, cada vez mais, reunir o elenco da antiga comédia. Nessa terceira parte, além de Kelson, Hyde e Fez, o diretor também trouxe Kitty (Debra Jo Rupp), que aqui vive a mãe de Abby. Há também participação de Conchata Ferrell, a Berta de Two and a Half Men, programa que teve Kutcher como protagonista nas temporadas em que definhava.

Enfim, The Ranch é uma série divertida, principalmente para quem gosta da vida do interior. Sam Elliott continua como a melhor coisa do programa: sendo ranzinza, mas, dessa vez, na medida certa, amenizando os exageros do personagem das duas partes anteriores. Ao final, fica um gancho direto para os próximos episódios. A questão é: ainda queremos saber o que acontece no rancho dos Bennett?

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 28    Média: 3.3/5]

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Houve uma errata: a série não se passa no Texas, mas sim no Colorado, apesar da semelhança.
    Sobre os temas com teor político que eles trouxeram para esta temporada, só o que se tem a dizer é estranheza mesmo. Lançaram os tópicos mas não souberam trabalhar bem com eles, em especial o assunto da imigração/deportação. A temporada terminou, e ficou por aquilo mesmo.
    Sobre a questão do aborto, até que conseguiram apresentar um bom desenvolvimento. Heather não podia fazer aquilo mesmo, não tem nexo com a ideia central da série. Além disso, o problema foi discutido brevemente com muita pluralidade e sem forçar a barra para nenhum lado, se é que me entende.
    E pelo que leio de críticas sobre esta sitcom, parece que sou o único que não se sente incomodado com o “machismo, preconceito…” presentes em várias e várias piadas. É uma família de homens, rancheiros, cidade pequena…aquele é o mundo de muitas pessoas por aí, e creio ser o mundo real, fora da bolha de críticas, problematizações e etc que a vida moderna urbana traz. Eles não estão nem aí se é errado beber todos os dias, se é ofensivo chamar uma garota do bar de gata ou quanto a críticas do cabelo do Galo. A única coisa que importa e interessa é poder acordar às 5 da manhã para trabalhar sem se estressar com problemas e conflitos bobos, e aproveitar a vida com a família e amigos.

    • Tem razão, Rodrigo. Me confundi entre Texas e Colorado. Vou corrigir.
      Obrigado por ler a crítica e por compartilhar a tua opinião.
      Abração!

      • Legal, gostei da análise do Carlos e do seu comentário, Rodrigo. Concordo com seu ponto de vista! E respeito a cordialidade de ambos. É isto que o mundo precisa acima de tudo.

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