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Orange Is The New Black – 5ª Temporada | Crítica

Orange Is The New Black – 5ª Temporada | Crítica

 

Orange Is The New Black – 5ª temporada

Ano: 2017

Criadora: Jenji Kohan

Elenco: Danielle BrooksTaylor SchillingUzo AdubaLaura PreponKate MulgrewDascha PolancoSelenis LeyvaNick SandowNatasha LyonneJackie CruzTaryn ManningAdrienne C. MooreJessica PimentelYael StoneLea DeLariaElizabeth Rodriguez

Se eu quisesse listar a quantidade de temas que Orange Is The New Black apresentou nessa 5ª temporada, um parágrafo seria tranquilamente preenchido. A série original da Netflix atingiu um patamar de qualidade que beira o de séries como Breaking Bad, mas isso já acontecia antes mesmo da nova temporada, pois ela só veio para firmar mais sua posição.

A temporada passada foi finalizada com o início da rebelião das detentas de Litchfield, ocasionada pela sede de justiça por Poussey, morta por um guarda de maneira desnecessária e sufocante. O desafio para o novo ano era o maior que a série já teve, pois condensaria os 3 dias de rebelião em uma temporada de 13 episódios, e o risco de sair algo arrastado era gigantesco e com a chance da série não conseguir. Jenji Kohan (a criadora e showrunner da série) aceitou esse desafio, e, felizmente, conseguiu entregar para o público a melhor temporada da série, e, facilmente, uma das melhores coisas da TV/streaming neste ano.

É difícil não lembrar da época onde o protagonismo estava enraizado em Piper (Taylor Schilling) e a série ainda não era tão ambiciosa – o que não era ruim, longe disso, pois a série sabia seu lugar e continua o fazendo. Mas essa fase já passou. Quem (finalmente) comanda a série agora é sua melhor personagem, Taystee (Danielle Brooks), alguém que todo mundo amava e que estava esperando seu momento.

Taystee carrega um fardo dos mais pesados: sua melhor amiga foi assassinada de maneira brutal (e contraditoriamente limpa), e tudo o que ela queria era que Poussey tivesse justiça, ou mesmo fosse lembrada pelo diretor Joe Caputo (Nick Sandow) em seu pronunciamento. Taystee lidera uma rebelião, negocia melhorias com membros do governo, passa dias sem dormir e ainda precisa lidar com problemas de suas amigas e parceiras de rebelião. Taystee se torna o que Vee Parker foi para a personagem lá na 2ª temporada, mas de uma maneira muito menos egoísta. Ouso dizer que este ainda foi o melhor momento (até agora) da carreira de Danielle Brooks, pois sua Taystee é enérgica, está triste e revoltada, e sua interpretação apresenta um mix de emoções que ainda não havia sido visto anteriormente – destaque para seus momentos com Natalie Figueroa (Alysia Reiner) e com Desi Piscatella (Brad William Henke).

Como se não bastasse o núcleo negro tomando o protagonismo da série, o núcleo latino também se torna muito mais importante do que anteriormente. Maria Ruiz (Jessica Pimentel), Gloria Mendoza (Selenis Leyva) e Dayanara Diaz (Dascha Polanco) continuam sendo os nomes que movimentam o núcleo. A própria Daya protagoniza a primeira cena da rebelião apontando a arma para Humphrey, finalmente decidindo o destino do guarda sádico que o público esperou um ano para saber. As anteriormente rivais Maria e Gloria não se desentendem mais como anteriormente, e cada uma tem sua jornada pessoal na temporada, ambas envolvendo filhos e liberdade, e ambas as atrizes nos brindam com atuações impecáveis.

A série ganha mais pontos ao introduzir flashbacks daquele que se torna o vilão definitivo no final, Desi Piscatella. O guarda barbudo que infernizou nossas detentas favoritas na temporada anterior ganha novas camadas, mostrando um lado ainda não explorado do personagem. Piscatella é um psicopata, mas como todo vilão bom ele possui uma história cheia de perdas e remorsos. Meus parabéns a Brad William Henke por entregar uma atuação digna do personagem.

Roteiro e atuações à parte, nem só de qualidade técnica vive OITNB. A série está mais relevante do que nunca ao inserir uma penca de temas que, como já disse, não dá pra listar de tão extensa que a crítica ficaria. A luta contra o sistema é o principal, e provoca um questionamento no espectador leigo (e até mesmo no mais antenado deles) sobre o quanto o sistema prisional funciona, e o quanto ele é cheio de corrupção. Isto é o que mais me cativa na série, pois ela não tem a frescura de acusar empresas que lucram com serviços terceirizados em prisões. Na voz de Taystee, OITNB joga na cara da sociedade que elas, as detentas, são seres humanos, e não apenas criminosas, e que o fato de estarem na prisão não justifica todas as covardias que elas vivenciam.

OITNB passeia por momentos pesados e necessários para o seu andamento e por momentos descontraídos e cheios de humor negro, como os protagonizados por Carmen (Rosal Colón) e Ramona (Miriam Morales), as novas “guardas” da prisão, ou mesmo o episódio do Litchfield Idol. É este equilíbrio entre drama e humor que configura o elo que a série tem com o público. E é assim que se faz uma série com conteúdo sócio-político, sem que ela se torne chata para o espectador, e que faça ele se importar, e até mesmo rever os seus conceitos. E nisso OITNB é expert.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 5    Média: 4.4/5]

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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