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Meus 15 Anos | Crítica

Meus 15 Anos | Crítica

Meus 15 Anos

Ano: 2017

Direção: Caroline Fioratti

Roteiro: Luiza Trigo, Clara Deák, Marcelo Andrade, Mirna Nogueira, Caroline Fioratti

Elenco: Larissa Manoela, Rafael Infante, Daniel Botelho, Bruno Peixoto, Victor Meyniel, Clara Caldas, Bruna Tatar, Pyong Lee, Heslaine Vieira, Polly Marinho, Rafael Awi

Dentro da proposta, acho que tá bom – foi isso o que respondi logo que saí do cinema. E é isso mesmo.

Este é um filme sobre adolescentes, mas principalmente para adolescentes. A protagonista é uma atriz que ganhou destaque pela sua participação na telenovela Carrossel muito recentemente e vê-se claramente a tentativa de angariar esse mesmo público.

O filme não surpreende em nenhum momento – o espectador estabelece o panorama de princípio e o desenrolar das cenas vai apenas confirmando o que já era óbvio que ia acontecer desde o comecinho… vamos então falar dessas obviedades: o enredo gira em torno da festa de 15 anos de Bia, uma menina meio excluída (ela mesma se vê como alguém “apagadinha”, que não chama nenhuma atenção) que tem medo de se destacar mas enfrenta um dilema pois é cantora e toca seu ukelelê, acompanhada pelos tambores de Bruno – seu melhor amigo -, e o palco faz parte da vida de quem quer fazer música, ou quase isso; ao mesmo tempo, ela tem uma quedinha pelo bonitão mais popular do colégio, e enfrenta todos os dramas das adolescentes da sua idade, ou pelo menos os dramas que sempre são retratados nesses filmes e passam longe da complexidade da vida, resumindo os jovens a imaturos que se importam mais com suas imagens e seu status do que em se construírem como sujeitos.

Isso nos leva à relação familiar de Bia: ela tem um pai mucho loko (com certeza o melhor personagem de todo o filme) que a ama muito e a cria sozinho desde que a mãe dela faleceu (não fica claro de quando foi). É esse pai que a inscreve em uma promoção no shopping para concorrer à festa de 15 anos dos sonhos, porque toda menina sonha em uma festa de 15, né? Não, não é. Se perde a oportunidade de problematizar essa questão porque Bia não queria a festa, mas no filme ela só não queria porque achou que as pessoas não iam, porque no fundo ela queria ser popular e ter muitos amigos numa baita festa de 15 anos – e ela é retratada de modo a fazer crer que todo mundo quer ser popular, o que pode tornar as coisas mais fáceis mas não é possível encaixar todos os jovens nesse anseio pois tem quem abomine isso… Para completar, a protagonista é o estereótipo da “bonitona escondida” – quantos filmes já vimos que a mina é super gata (digo, corresponde aos padrões de beleza) e daí colocam um óculos nela pra ela fica “comum” na primeira fase da narrativa e depois fazem uma mega transformação que na verdade se resume a uma maquiagem leve, tirar os óculos, colocar umas roupas mais da moda e deu, está linda? E mesmo depois, quando ela se dá conta de que precisa ser ela mesma, as roupas não voltam ao padrão anterior, ela assume outra identidade visual e modo de falar de si.

Como se pode ver, é um enredo fraco. Não preciso dar spoiler de quem fica com quem no final porque isso é mais do que claro… O bom é que tinha Anitta na festa dando pitacos de como temos que ser nós mesmas e não nos afirmarmos nos padrões – isso foi realmente bom. E, apesar de todo esse estereótipo do que é ser jovem e o que se quer das relações, a saída do cinema teve saldo positivo porque, ainda assim, é um filme que é bem realizadinho, que tem uma trilha que fecha bem com ele e que traz recursos imagéticos interessantes para retratar internet. Ele tem uma atuação bem boa do melhor amigo de Bia (Daniel Botelho) e uma Bia que convence como cantora e nerd, mas não consegue derramar uma lágrima sequer quando precisa – é só a cara de dor, sem lágrimas. Então, mesmo reproduzindo o estereótipo de que toda mina quer ser popular, pegar o gato e é inocente e meiga, ele no fim traz a mensagem de que devemos ser nós mesmas e não quem querem que sejamos e nem quem acham que somos.

Eu poderia considerar esse filme em relação a muitos outros, pensar prós e contras, mas não gosto disso. Olho o filme por ele mesmo, por como ele se apresenta a mim, pelas sensações despertas quando saio do cinema e as que perduram até o momento da crítica.

Sendo assim, pelo que nele me capta, dou nota 3/5.

Nota do crítico:

Nota dos usuários:

[Total: 1    Média: 5/5]

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