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House of Cards – 5ª temporada | Crítica

House of Cards – 5ª temporada | Crítica

House of Cards – 5ª temporada

Ano: 2017

Criador: Beau Willimon

Elenco: Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Campbell Scott, Patricia Clarkson, Derek Cecil, Neve Campbell, Joel Kinnaman

Depois de perder o seu showrunner, Beau Willimon, e atrasar alguns meses a estreia da quinta temporada devido ao resultados das eleições norte-americanas que elegeram Donald Trump, House of Cards retorna em seu ponto mais baixo em cinco anos. A série já havia demonstrado sinais de desgaste na terceira temporada, mas recuperou o fôlego ao entregar um quarto ano sólido.

Frank Underwood (Kevin Spacey) cumpre a promessa que fez no final do último season finale, a medida que sua aprovação como presidente cai e sua desejada reeleição fica distante, ele não mede esforços para usar a ameaça do terrorismo para seu ganho pessoal, independente da ameaça existir ou não. Em contrapartida, sua esposa e vice-presidente, Claire (Robin Wright), é bastante querida pelo público se distanciando dos escândalos que ocorrem na Casa Branca. Ameaças vêm de todos os lados, a medida que o Congresso, o Senado e a imprensa conduzem investigações e assembleias para tirar a presidência dos Underwood.

Os primeiros cinco episódios são bastante competentes mostrando o desgaste de todos os personagens em meio ao caos eleitoral enquanto a eleição não acontece. Will Conway (Joel Kinnaman) é o maior beneficiado, vemos o quanto é afetado pela incerteza da presidência, o stress que está passando a cada vez que Frank coloca um empecilho no seu caminho . O passado do candidato republicano no Exército também é explorado, mas sem trazer todas as respostas do incidente que o tornou herói de guerra. Frank e Claire entram em uma agenda desprovida de sono ao participarem do maior número de campanhas o possível, tudo para reconquistar o público perdido.

A temporada começa a oscilar antes de atingir sua metade, a decisão de estender a eleição se mostra problemática. A partir de determinado ponto, os acontecimentos que atrasam o resultado final se mostram absurdos e beiram o inacreditável, um ponto negativo para uma série que sempre apostou em se manter fidedigna a realidade. Não só a eleição, mas os principais eventos têm desenvolvimento lento e demoram muito para chegar a uma conclusão; como a caçada ao terrorista Al Ahmadi e a investigação do jornalista Tom Hammerschmidt (Boris McGiver) para desmascar todos os podres envolvendo Underwood e o seu governo. Não haveria problema se esses eventos prendessem a atenção, mas são retratados de forma que não cativam o interesse.

Outro ponto fraco é o foco no Tom Yates (Paul Sparks), o personagem é desprovido de qualquer carisma e seu caso com a Claire sempre passa pelos mesmo conflitos, só acontecendo algo diferente perto do final. Outros personagens da série se mostram competentes como o usual, atuação nunca foi um ponto fraco da série. Com o governo Underwood em risco, alianças e traições são feitas de todos os lados. Doug Stamper (Michael Kelly) precisa cobrir os rastros de seu envolvimento com a Rachel; LeAnn Harvey (Neve Campbell) se vê numa posição complicada quando sua maior contribuição ao governo sai pela culatra.

O estrategista de campanha republicano Mark Usher (Campbell Scott) e a Secretária do Comércio Jane Davis (Patricia Clarkson) encabeçam a lista de novas adições no elenco, o primeiro não mede esforços para conseguir a presidência de Conway e a segunda oferece ajuda aos Underwood, mas mantendo suas principais motivações escondidas. Outros novos personagens, não são interessante e não tem profundidade alguma atribuída.

O roteiro dessa temporada é repleto de altos e baixos. Trás alguns momentos eficientes como um personagem sendo apagado e algumas quebras da quarta parede que só o Frank é capaz de proporcionar. Porém, no geral, a série vem apresentando sinais de desgaste. Os planos do Frank sempre dão certo, o que cria um senso de imunidade e as possíveis ameaças não parecem surtir efeito. Claire perdeu boa parte da força e determinação que a tornou tão formidável nas duas últimas temporadas. Sem contar personagens que simplesmente somem da narrativa e não voltam sem motivo algum.

Recuperando um pouco da energia nos episódios finais, House of Cards prova que está no fim de sua vida útil. Mesmo que a última cena abra novas possibilidades para a série, não há muito que possa ser feito que já não foi feito: cinco temporadas de Frank e Claire Underwood ascendendo/tentando se manter no poder manipulando todos a sua volta e eliminando as suas maiores ameaças; no caso da série, a maior ameaça é a repetição.

Nota do crítico:

Nota do usuário:

[Total: 1    Média: 4/5]

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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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