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Mulher-Maravilha | Crítica

Mulher-Maravilha | Crítica

Mulher-Maravilha (Wonder Woman)

Ano: 2017

Direção: Patty Jenkins

Roteiro: Allan Heinberg

Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, Danny Huston, David Thewlis

Criada em 1941, a Mulher-Maravilha foi a primeira super-heroína num mercado composto apenas por heróis masculinos. Mesmo tendo uma série de TV de sucesso, nos anos 1970, interpretada pela Lynda Carter, Diana Prince ainda não havia sido representada nas telonas.

A versão de Gal Gadot fez sua estreia em Batman vs Superman: A Origem da Justiça e, apesar da sua aparição ser apenas no terceiro ato e com poucos diálogos, conseguiu roubar a cena dos dois heróis que têm uma história muito maior nos cinemas. Além da beleza estonteante, a atriz demonstrava força e sabedoria. Era hora da heroína ganhar um filme solo para desenvolvê-la.

Começando o filme ambientado em Temiscira, lar das amazonas, mulheres guerreiras que vivem sem a presença dos homens, somos apresentados a uma pequena Diana, a única criança na ilha, que almejava treinar e lutar contra os protestos da sua mãe, Rainha Hipólita (Connie Nielsen), e estimulada pela tia, Antíope (Robin Wright). A princesa amazona cresceu para ser a melhor, treinada arduamente pela tia numa carga maior que as outras guerreiras da ilha.

Já crescida, Diana vê seu lar sendo atacado por homens e seu primeiro contato com o sexo oposto é marcado pela morte de inúmeras companheiras. Ela aprende sobre os horrores da Primeira Guerra Mundial e decide, ao lado charmoso espião Steve Trevor (Chris Pine), tentar conter esse conflito que acredita ter sido impulsionado pelo terrível Deus da Guerra, Ares.

Mulher-Maravilha contrasta com os outros filmes da DC em todos os sentidos. Logo no início, somos apresentados a Temiscira, um lugar claro e ensolarado; o filme só assume uma estética mais cinzenta quando a trama alcança Londres e outros territórios afetados pela Grande Guerra, mas ainda assim, as cores da armadura da Diana Prince são claras e reluzem contra a sobriedade dos ambientes. O humor se mostra bastante presente com breves piadas que aparecem regularmente, sem nunca tirar o peso do que está acontecendo em cena.

Gal Gadot confere um carisma encantador a Diana Prince. Sua inocência e sua falta de conhecimento sobre como as coisas funcionam nunca se contrapondo à sua determinação. A química com Chris Pine é competente e rende momentos leves e sem se entregar totalmente ao romance. Também impressiona em sua evolução como personagem, pois conforme a narrativa avança, a heroína vai aprendendo mais sobre a natureza humana e perdendo a fé na humanidade.

A ação do filme tem um ritmo agitado, que perde a intensidade com a insistência em usar slow-motion  (nesse ponto já pode ser considerado marca registrada da DC nos cinemas), a todo o momento, esticando uma cena que seria bem mais impactante se vista em velocidade normal. Mesmo com a guerra e a violência do homem contra o homem sendo temas recorrentes, Mulher-Maravilha nunca deixa de lado um espírito otimista.

No terceiro ato o filme descarrila. Traz consigo três vilões e não se preocupa em desenvolver ou ao menos tornar interessante nenhum deles, cuja única motivação discernível é a sede de poder. Enquanto estava indo bem utilizando a Mulher-Maravilha em cenas de combate de guerras mais simples, o clímax tem uma carga exagerada de CGI que causa um contraste enorme com o que foi visto até ali. Se comparado aos outros filmes de herói da produtora, aquele que seguia sendo o mais tranquilo e mais situado na realidade, perde-se numa batalha de proporções épicas que tira o peso das ações feitas pelos personagens humanos durante o duelo.

O roteiro consegue consolidar a sua mensagem de paz, contanto, passa por todos os lugares comuns dos filmes de super-herói. Peca em fazer de todos os seus vilões clichês batidos: a cientista maluca, o cara mau do exército que mata um de seus homens só para mostrar que é mau e o vilão que explica a sua única fraqueza (logo após, calmamente, esperar a sua oponente sair, pegar a sua arma e voltar). Insiste também em não trazer reações fiéis para os personagens: numa sociedade do início do século XX, durante um conflito que traz somente homens uniformizados carregando armas de fogo, ninguém parece se impressionar ou se importar com o fato de uma mulher de armadura e minissaia, com força, velocidade e agilidades sobre-humanas sair destruindo tudo com sua espada e escudo.

Mulher-Maravilha acerta ao estrear em um contexto importante enaltecendo a presença feminina como sendo perfeitamente capaz em uma sociedade dominada pelos homens. Num mercado dominado por blockbusters, é o primeiro filme dirigido por uma mulher (Patty Jenkins, que abandonou a direção de Thor: Mundo Sombrio por diferenças criativas) a ter um orçamento maior que US$ 100 milhões de dólares. O filme em si, entretanto, merecia ser bem melhor.

Nota: 6/10

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Estudante de jornalismo, tem 19 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, é fissurado no cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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Comments

  1. O CARA QUE FEZ ESSA CRITICA , TEM UM PONTO DE VISTA TOTALMENTE MARVETE, KKKKKK
    UMA GRANDE PIADA, AINDA BEM QUE NINGUÉM VER ESSE SITE..RSRS, SÓ EU..KKKK

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