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O Rastro | Crítica

O Rastro | Crítica

O Rastro

Ano: 2017

Direção: J. C. Feyer

Roteiro: André Pereira e Beatriz Manela

Elenco: Rafael Cardoso, Leandra Leal, Natália Guedes, Claudia Abreu, Felipe Camargo, Jonas Bloch, Alice Wegmann, Érico Brás

O cinema nacional vem se reinventando nos últimos anos. Em 2016, tivemos Sinfonia da Necrópole, um musical dramático misturado com humor negro e neste ano contamos com Joaquim, drama que fala sobre as motivações de Tiradentes indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim. O Rastro, um terror gravado nas instalações de um hospital abandonado na cidade do Rio de Janeiro surgiu como mais um longa diferenciado do cinema nacional.

O filme conta com um visual diferente do que encontramos na maioria das produções brasileiras. A cinematografia é acinzentada e escura, conseguindo fazer com que praças e regiões arborizadas pareçam assustadoras e sem vida. O hospital abandonado já é macabro por si só, a fotografia diferenciada eleva isso, gerando grande tensão apenas por estar sendo filmado nesse local.

A história se passa ao redor de João (Rafael Cardoso), funcionário do governo responsável por desocupar o hospital. Ele enfrenta diversas adversidades por conta da resistência do diretor do local em deixar que a desocupação ocorra. Grande parte do primeiro ato se passa mostrando a tensão que o protagonista enfrenta. João consegue conforto apenas em sua esposa, Leila (Leandra Leal), que está grávida. Na primeira metade do filme, Leandra Leal atua apenas como coadjuvante. A personagem assume somente o papel de esposa do protagonista. Na segunda metade as coisas mudam totalmente de forma e Leila se torna protagonista. Destaque para a atuação de Leandra Leal, que está impecável no papel.

As performances dos atores estão ótimas, todos estão interpretando de forma consistente os respectivos personagens. Destaque também para Rafael Cardoso, que consegue passar todos os sentimentos transmitidos pelo personagem sem parecer forçado. A atuação é natural e passa a veracidade do que está acontecendo.

O segundo ato do longa é o mais problemático, diminuindo o ritmo da trama e realçando os elementos sobrenaturais. Os jumpscares incomodam por conta da utilização excessiva de barulhos altos em cenas que não geram medo. O terror psicológico não funciona muito bem durante grande parte do filme, o que acaba atraindo é a curiosidade para saber o que realmente está acontecendo.

O terceiro ato também tem problemas, como a colocação de elementos que não se encaixam na narrativa. O ritmo acelera e acaba não combinando com o resto do filme. As críticas sobre corrupção e um sistema de saúde falido são boas e o encaixe é feito de forma sutil. Alguns furos de roteiros e clichês atrapalham no desfecho da história.

Apesar de possuir problemas, O Rastro é um bom filme de terror, com ótimos efeitos práticos e ambientação feita de forma diferente dos longas tradicionais de mesmo gênero. A produção poderia ter apostado mais no terror psicológico e colocado uma carga dramática ainda maior no protagonista. Mesmo assim, se trata de um avanço para o cinema nacional, apostando em algo diferente.

Nota: 6/10

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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