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Mulher-Maravilha: Terra Um | Crítica

Mulher-Maravilha: Terra Um | Crítica

Mulher-Maravilha: Terra Um (Wonder Woman: Earth One, 2016)
Roteiro: Grant Morrison
Arte: Yanick Paquette

Reinterpretações de personagens tão antigos para o século XXI é algo quase que corriqueiro dentro dos quadrinhos, ainda mais para personagens criados em meados da 2ª Guerra Mundial, como a Mulher-Maravilha. Terra Um, foi pensando na DC Comics como a atualização desses personagens para o século atual, sendo como um “universo Ultimate da Marvel”.

Mulher-Maravilha: Terra Um, reconta a origem da guerreira amazona pelo peculiar escocês Grant Morrison e desenhada pelo competente, Yanick Paquette. Na história, durante milênios, as Amazonas da Ilha Paraíso criaram uma sociedade próspera longe das pragas dos homens. Uma residente, entretanto, não está satisfeita com essa vida isolada. Diana, a princesa das Amazonas, sabe que há mais no mundo e quer explorá-lo, mas é frustrada pela sua protetora mãe, Hipólita. Mas Diana encontra uma maneira de escapar quando o piloto da força aérea Steve Trevor – o primeiro homem que ela já viu – sofre um acidente. Com a vida dele em risco, ela se aventura no proibido mundo dos homens. As Amazonas passam a persegui-la e a levam de volta para a Ilha Paraíso acorrentada, onde enfrentará um julgamento por quebrar a mais antiga de suas leis: manter-se longe do mundo que não fez justiça a elas.

Morrison começa a história num prelúdio: vemos a rainha das Amazonas, Hipólita, libertando as Amazonas dos abusos do semi-Deus Hércules, onde já podemos notar uma forte presença do poder feminino que Morrison coloca na trama. Logo nas primeiras paginas, vemos o traço forte que Paquette fez para a HQ, com os contornos grossos para os personagens e cenários, pesando a mão por vezes de forma desnecessária, deixando uma vez ou outra a leitura um pouco estática. Destaque para os quadros da HQ: Paquette vai além do óbvio na hora que os pensou, ele deixa de lado o padrão usado em história de super-heróis, distribuindo bem seus personagens, deixando-os mais ‘livres’ e algumas vezes fora do quadro (muitas vez lembrando um ‘W’ e que simulam o movimento de um laço), brincando com o fluxo de leitura. A paleta de cores escolhida por Nathan Fairbairn é forte para a HQ, com a predominância de cores quentes, com destaque para laranja e vermelho, contrapondo às vezes, com a azul do céu ou dos cenários.

A HQ intercala muito bem os momentos entre o “mundo dos homens” e a Ilha do Paraíso, mostrando ação e consequência nos atos da Diana: desde seu julgamento pelas Amazonas – Morrison escreveu excelentes diálogos entre ela e Hipólita -, e de Diana conhecendo mais o “mundo dos homens”. As reflexões feministas questionadas por Diana em nossa sociedade encontram um contraponto interessante com a escolha de etnia de Steve Trevor (aqui ele é negro e originalmente ele é caucasiano). Uma escolha muito bem feita e não apenas aleatória, por atender as exigências do atual mercado cultural.

Terra Um de Morrison pode não conter a melhor construção de personagens e elementos, porém os apresenta muito bem. Deixando de lado a ação e focando nos diálogos, ele apresenta a princesa Diana muito bem para uma nova geração de leitores.

Nota: 8/10

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