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Master of None – 2ª temporada | Crítica

Master of None – 2ª temporada | Crítica

 

Master of None – 2ª temporada

Ano: 2017

Criadores: Aziz Ansari e Alan Yang 

Elenco: Aziz Ansari, Eric Wareheim, Lena Waithe, Alessandra Mastronardi, Bobby Cannavale 

 

Depois de uma pausa de 18 meses, a série de comédia da Netflix retorna em sua melhor forma. Master of None fez sua estréia em novembro de 2015, criada e estrelada pelo comediante Aziz Ansari no papel de Dev Shah, um ator de 30 anos que tenta fazer a vida em Nova York, mesmo sem saber o que quer para o futuro. O formato da série trazia dez episódio de meia hora, cada um trazendo um tema diferente, tais como preconceito, machismo, paternidade e relacionamentos.

O primeiro episódio da nova temporada, The Thief, começa poucos meses depois do final da temporada anterior: Dev está na Itália e o futuro do seu relacionamento com a Rachel (Nöel Wells) é incerto. Trazendo uma estética preto-e-branco, o episódio homenageia o neo realismo italiano e principalmente o filme de 1948, Os Ladrões de Bicicleta. Aziz, que viveu alguns meses na Itália em preparação para a série, demonstra o seu amor pelo país na direção, com vários conhecimentos sobre a cultura italiana, as locações e trazendo uma belíssima fotografia na cidade de Modena.

Não muito tempo depois, Dev volta para Nova York e os seus dilemas habituais. A insatisfação com o que consegue com a carreira de ator, o relacionamento com os pais e amigos e a incapacidade de conseguir um relacionamento estável. A atuação de Ansari evoluiu muito desde a última temporada, mais episódios trazem uma carga dramática em relação a temporada anterior e o comediante consegue transmitir os conflitos internos do protagonista.

O elenco de apoio continua se destacando, o pai de Dev (Shoukath Ansari, pai do ator na vida real) continua roubando todas as cenas que aparece com um timing cômico perfeito; os melhores amigos Arnold (Eric Wareheim) e Denise (Lena Waithe) desta vez têm maior desenvolvimento, explorando os seus passados. Das novas adições, Francesca (Alessandra Mastronardi) é a que mais brilha, sua personagem traz muito carisma e uma doce química com Dev. Participações especiais se fazem presentes com John Legend, Angela Bassett e Bobby Cannavale (a energia e intensidade do seu personagem remete ao Richie Finestra, da prematuramente cancelada, Vinyl).

A série continua a inovar ao longo da temporada. O quarto episódio, First Date, tem uma edição agitada conforme vai entrecortando durantes os vários encontros de Dev, criando um caos controlado, mostrando todos os encontros ao mesmo tempo, mas sem jamais ficar confuso e criando uma personalidade marcante para cada pretendente, fica fácil diferenciá-las.

O destaque do segundo ano da série fica por conta do episódio New York, I Love You. Todos os personagens conhecidos são abandonados e o enfoque fica em três núcleos diferentes: a classe trabalhadora, um trio de surdos e um grupo de imigrantes. O episódio ressalta a importância dessas minorias no país mostrando eles no país e os problemas diários que passam. Quando foca na narrativa dos surdos, a cena perde completamente o som, um silêncio que não é quebrado enquanto eles estão em telas, se comunicando apenas pela língua de sinais, gestos e textos escritos, fazendo o espectador ficar no lugar deles, mesmo que por oito minutos.

Passando por religião, assédio, aceitação e romances proibidos, a temporada cresce nos arcos dramáticos. Os conflitos de Dev aumentam a medida que ele se sente mais sozinho, não encontrando o amor. As cenas que divide com a Francesca o dão esperança, mas o fato dela estar comprometida o impede de ter algo a mais. Passando de encontro a encontro, desconhecida a desconhecida, toda chance que ele tem de iniciar um relacionamento com alguém acaba de forma negativa e cedo demais.

O ar melancólico é recorrente e intensificado com uma trilha sonora que passa o que o protagonista sente, as letras das músicas casam perfeitamente com o que Dev está passando. A fotografia é vital nessa composição, existe um contraste muito grande entre a Modena ensolarada e a escura Nova York, criando um contraste entre como Dev estava na Itália e como ele ficou voltando para a casa.

Finalizando a temporada com outro gancho emocional , Master of None continua a se superar, alternando precisamente entre o humor e o drama, sem nunca deixar de ser competente em nenhum dos dois e permanecendo relevante a medida que os conflitos de seu protagonista são facilmente identificáveis ao espectador.

Nota: 10/10

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Estudante de jornalismo, tem 18 anos e é assistidor de séries semi profissional. Fissurado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e é adepto ao estilo sul-coreano de vingança.

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