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Riverdale – 1ª temporada | Crítica

Riverdale – 1ª temporada | Crítica

Riverdale – 1ª temporada

Ano: 2017

Criador: Roberto Aguirre-Sacasa

Elenco: KJ ApaLili ReinhartCamila MendesCole SprouseMarisol NicholsMadelaine PetschAshleigh MurrayMädchen AmickLuke Perry

 

Até o anúncio de Riverdale, eu não conhecia a Turma do Archie. Nunca havia ouvido falar. Sequer pesquisei sobre para saber se essa série de quadrinhos/animada dos anos 60 e 70 foi relevante algum dia. Mas a premissa de Riverdale (uma série de mistério protagonizada por adolescentes) me agradou bastante. Para minha surpresa, a crítica especializada chegou a comparar a série com outra do gênero, Twin Peakssendo carinhosamente apelidada de Teen Peaks.

Riverdale tem início quando Jason Blossom (Trevor Stines) é dado como desaparecido, e, supostamente, morto. Por ser filho de uma rica e influente família de Riverdale, o caso, envolto de mistério, repercute; a cidade não para de falar sobre o que aconteceu. Até que algumas reviravoltas logo no primeiro episódio mostram que ainda há muito o que descobrir nesse caso. Esse é o mote principal da série, mas outros temas e subtramas não deixam de ser explorados, o que é bom.

Temos como personagem principal Archie Andrews (KJ Apa), e logo no início da série, percebemos que o ator não consegue ter carisma para protagonista, e toda a sua atuação soa bastante forçada. Felizmente, o restante do elenco principal é ótimo. Lili Reinhart entrega uma ótima Betty Cooper, uma personagem cheia de camadas que diversas vezes roubou o posto de protagonista facilmente. A atriz só é “fraca” (com aspas, pois Reinhart é mesmo muito boa) quando contracena com Mädchen Amick (a Shelly Johnson, de Twin Peaks). Amick, apesar de coadjuvante, é excelente em cena como uma mãe controladora e com uma personalidade “preto no branco”, que é cheia de expectativas quanto ao futuro da sua filha mais nova e decepcionada com o que sua mais velha se tornou. Quando as duas entram em cena, é como se tivéssemos assistindo às melhores cenas de discussões familiares de uma novela global, e digo isso como um elogio.

O restante do quarteto principal é formado pela brasileira Camila Mendes como Veronica Lodge e por Cole Sprouse (um dos gêmeos de Zack & Cody, do Disney Channel) como Jughead Jones. Depois de Apa, Mendes é a mais fraca do elenco principal, mas ainda bem melhor que o protagonista. O roteiro dá à Veronica Lodge uma grande participação no caso de Jason Blossom que domina a temporada, envolvendo todos os Lodge, inclusive o pai, que nunca está em cena mas é corriqueiramente citado. Já Sprouse não convence muito como Jughead, um jovem problemático no início; culpa do roteiro que o coloca apenas como uma 3ª pessoa, mas à medida que a série cresce, o personagem cresce junto, e sua construção é, talvez, a melhor de todos os personagens junto com Betty Cooper. Nos episódios finais, os dois personagens mostram que são os melhores da série, por mérito do roteiro, e é claro, do elenco.

Mas, como sempre, nem tudo pode ser perfeito. Os diversos momentos musicais me incomodaram bastante. Archie é compositor, e todos os seus amigos dizem que sua música é incrível, mas em momento algum vemos o quão incrível sua música é. Chega a ser irritante sempre que o Archie robótico de KJ Apa diz que seu sonho é estudar música, pois é o que o personagem ama, e ele não se cansa de dizer isso.

Dramas adolescentes sempre me agradaram, e isso é muito bem feito aqui, porém, alguns momentos soam forçadíssimos quando inseridos na trama. O melhor exemplo disso é a química entre Archie e sua professora. É muito difícil comprar o relacionamento secreto que eles tem, e esse enredo soa mais como um fetiche de aluno e professora do que algo necessário para a trama. A parte boa é que a personagem é bem misteriosa e isso é uma das coisas que mais aguarda para a já confirmada 2ª temporada.

Não se pode deixar de falar dessa série sem comentar sobre sua incrível fotografia e sua direção de arte. É incrível como a série conseguiu criar quadros icônicos e definir bem o tom das cenas através das cores. O bordô é uma cor que predomina quando se trata da família Blossom, pois é uma família envolta de mistério, e sua mansão é constantemente associada a uma casa de bruxas. Já a lanchonete Pop’s, com seus tons em neon, conseguem transmitir uma familiaridade e alegria aos amigos, principalmente após os mesmos terem passado por maus bocados apenas alguns minutos antes.

Assim como Twin Peaks, a trama de Riverdale envolta de mistério teve uma primeira temporada bem finalizada e nem um pouco corrida, com um gancho para a segunda temporada também bem semelhante. Mas não é tão perfeita como a mãe dos seriados de mistérios, que teve a primeira temporada toda escrita antes e sem alterações, enquanto aqui alguns personagens simplesmente sumiram por conta de compromissos dos atores com outras produções (Ross Butler, eu falo é de você). No entanto, a expectativa é boa para o futuro, nem tão baixa e nem tão alta. Greg Berlanti, possivelmente, esta é sua melhor série.

Nota: 08/10

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

Comments

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