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Guardiões da Galáxia Vol. 2 | Crítica

Guardiões da Galáxia Vol. 2 | Crítica

Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol. 2)

Ano: 2017

Direção: James Gunn

Roteiro: James Gunn

Elenco: Chris PrattZoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley CooperMichael RookerKurt Russell e Sylvester Stallone

Nem sempre é fácil mudar conceitos com os quais convivemos há muito tempo. Para alguém que aprendeu a ler com histórias em quadrinhos, assistir filmes de super-heróis, mesmo sendo adaptações muitas vezes problemáticas, sempre serviu como uma diversão e ao mesmo tempo uma concretização de alguns sonhos infantis. Porém, com aquela eterna ressalva: nos quadrinhos é mais legal. Sempre esperamos ver na tela aquela saga fantástica que lemos anos atrás, ou determinado personagem sendo perfeitamente caracterizado e ganhando vida diante dos nossos olhos. No entanto, os Guardiões da Galáxia parecem ter vindo para quebrar esta escrita. Um filme pode ser tão bom quanto os quadrinhos. E talvez até melhor.

Escrito e dirigido por James Gunn, Guardiões da Galáxia Vol. 2 consegue, contra todas as probabilidades, ser tão bom quanto seu antecessor, inclusive o superando em alguns momentos. Nesta segunda aventura, enquanto a equipe segue cumprindo suas missões fantásticas e se metendo em apuros, surgem novos fatos acerca do passado de Peter Quill.

O primeiro ponto de destaque é como o filme consegue reverter rapidamente uma sensação incômoda de superexposição de um personagem. No caso, o Baby Groot. Os trailers de Esquadrão Suicida, por exemplo, conseguiram estragar completamente a única personagem que poderia salvar o filme do fiasco completo: no caso, a Arlequina, vivida por Margot Robbie. Todas as suas boas piadas e principais momentos do filme já estavam nos trailers, acabando totalmente com o fator surpresa e ainda sendo prejudicada pela péssima montagem do longa. Nos trailers de Guardiões da Galáxia Vol.2, parecia que o mesmo aconteceria com o Baby Groot. Apostando todas as fichas no carisma indiscutível do personagem, a cena de ação que inicia o filme fica completamente em segundo plano enquanto Groot passeia, dança e faz fofurices em meio ao campo de batalha. E é impossível não se encantar com aquela arvorezinha ambulante com belos e grandes olhos castanhos. Durante todo o filme, Groot surge tal qual vídeos de gatinhos nas redes sociais, arrancando sorrisos, suspiros e risadas, sem a menor preocupação em negar esta sua função na história.

A direção de arte volta a dar um show de cores e de conceitos visuais aplicados aos diferentes mundos e espécies alienígenas. Neste filme, até a morte é colorida. Ver Yondu (Michael Rooker) exterminar dezenas de inimigos com sua flecha controlada mentalmente enquanto seu traçado se desenha na tela com um tom vermelho brilhante, torna toda aquela violência incrivelmente bela. E esta é só mais uma das cenas de batalha nas quais James Gunn prova toda sua eficiência na direção. Existem conflitos para todos os gostos: com naves, com socos, com tiros e espadas. E todos eles empolgam.

É inegável que este resultado de encantamento que o filme provoca está diretamente ligado ao carisma dos atores e seus personagens. Chris Pratt (Peter Quill/ Senhor das Estrelas) volta a mostrar um timing cômico fantástico, e dessa vez conta com a parceria de uma Zoe Saldana (Gamora) ainda mais confortável em seu papel. Isso se aplica também aos seus colegas de equipe Drax (Dave Bautista) e até o guaxinim digital Rocket, ao qual Bradley Cooper cede sua voz. A adição de Mantis (Pom Klementieff) e a maior participação de Nebulosa (Karen Gillan) na história foram ganhos significativos. No entanto, é preciso ressaltar o trabalho fantástico de Kurt Russell, um ator que tem mostrado uma maturidade e autoconfiança admiráveis em seus últimos papéis. Relembrando seu personagem Mr. Nobody de Velozes e Furiosos 8 lançado recentemente, novamente utiliza um tom sarcástico na voz que indica que ele sabe muito mais do que realmente expõe, agora como o misterioso e poderoso Ego.

Recheado de referências à cultura pop e à década de 1980, de Cheers a Super Máquina, e de personagens muito queridos do universo Marvel fazendo pequenas participações surpresa, Guardiões da Galáxia Vol. 2 ainda se preocupa o tempo todo em passar uma mensagem bonita, apesar de muitas vezes piegas, de valorização da amizade e da família.

Apesar de uma forte e extensa desaceleração no meio do segundo ato, que tornou alguns momentos um pouco arrastados, as tramas paralelas seguram de maneira eficiente o ritmo do filme. Se entregando sem medo a uma quantidade infindável de piadas, quase todas muito eficazes, o filme tem o humor como uma das suas principais armas. Entre tantas as adaptações de histórias em quadrinhos já feitas, esta é sem dúvida a que mais se parece com uma. Como nas revistinhas nas quais nós quase sempre sabemos qual será o destino dos personagens e, mesmo assim, ficamos tensos com os momentos que eles passam e nos encantamos com a maneira como eles lidam e enfrentam seus desafios. Para terminar, algumas entre as cinco cenas pós créditos fazem o fan service perfeito, nos deixando já ansiosos pela próxima continuação e pela participação dos Guardiões em Vingadores: Guerra Infinita.

Nota: 8,5/10

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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