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Girlboss – 1ª temporada | Crítica

Girlboss – 1ª temporada | Crítica

Girlboss

Ano: 2017

Criador: Kay Cannon

Elenco: Britt RobertsonEllie ReedJohnny SimmonsAlphonso McAuleyRuPaulDean Norris

 

Já se tornou habitual o assinante da Netflix procurar pela nova série daquela semana. A cada sexta-feira, pelo menos uma nova produção original do serviço de streaming é lançada, e normalmente faz sucesso. O assinante assiste àquela produção sem dar nada por ela. Às vezes se decepciona, mas às vezes se surpreende com o que está vendo. Girlboss é do tipo que te surpreende.

Tendo estreado na última sexta-feira (21/04), Girlboss conta a história real da empreendedora Sophia Amoruso, fundadora e ex-CEO da Nasty Gal. A série toma muitas liberdades em relação ao que realmente aconteceu (a série te avisa disso em todo episódio), mas é possível que a decisão de tomar tais liberdades surgiu com a ideia de se diferenciar de outras obras audiovisuais biográficas.

Sophia (interpretada por Britt Robertson, muito bem no papel) é uma jovem adulta da geração millennial, que odeia seu emprego, e tem uma grande ideia quando é demitida: vender roupas em leilões do eBay. Quando percebe que a venda da primeira peça dá muito certo, ela decide fazer disso um empreendimento. A partir daí, vemos toda sua trajetória com a Nasty Gal até o lançamento de seu site próprio, passando pela sua vida amorosa e por uma fase ruim relacionada à sua saúde física.

Girlboss é uma série que não funciona para se ver no modo de maratona. Por mais que haja um enredo principal, a série navega por episódios bem avulsos, mas que funcionam se vistos sem qualquer contexto (o melhor exemplo disso é o episódio “Top 8”). Muito disso acontece graças à Robertson. Sua personagem é cheia de nuances e trejeitos, e é perceptível que a atriz se dedicou bastante para a construção do papel. Sophia tem momentos de antipatia, tem momentos que se mostra a mulher mais forte do mundo, e isso é mais mérito de Robertson do que do próprio roteiro. Sua dinâmica com a personagem Annie (Ellie Reed) é incrível, e as duas atrizes são as que mais tem química entre o elenco principal. É provável que, se não fosse por elas, esses episódios avulsos não funcionariam bem.

Um ponto muito forte e presente na série, é sua trilha sonora. Todas as músicas executadas na série dizem bastante sobre a personagem principal. É uma sonoridade punk dos anos 70 e 80 tocada por bandas femininas. Sophia é assim, punk, impulsiva (e por que não repulsiva?), mas também é independente. Em um momento nos episódios finais, há uma música específica que a protagonista odeia, e ela ecoa em sua cabeça de maneira que o público sinta o que a personagem está passando.

Nem tudo são flores nessa série. Alguns momentos soam bem forçados, furos no roteiro aqui e ali, e um elenco coadjuvante bem medíocre (com exceção, talvez, de RuPaul). O fato da protagonista ser uma pessoa antipática e com atitudes duvidosas também pode afastar boa parte do público. Porém, a série tem mais a oferecer e é capaz de agradar a maioria.

Resumindo, Girlboss é (livremente) baseada na vida de uma empreendedora antipática. Possui uma fotografia saturada espetacular, episódios com ótimas sacadas, uma grande atuação de sua protagonista, mas cujas atitudes podem desagradar boa parte do público. Só o tempo dirá se a série recebe uma 2ª temporada. Este que vos fala acredita que não.

Nota: 07/10

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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um editor de vídeos que está se formando em Publicidade & Propaganda aos 21. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ainda não possui o hábito de ver filmes de terror e é um pouco leigo quando se trata de cinema nacional, mas é um carinha boa praça que não dispensa ver um filme. Fã confesso do Nolan, Aronofsky e da Pixar.

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