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Paterson | Crítica

Paterson | Crítica

Crítica de Paterson, novo filme de Jim JarmuschPaterson

Direção: Jim Jarmusch

Roteiro: Jim Jarmusch

Elenco: Adam DriverGolshifteh Farahani,  William Jackson HarperChasten Harmon, Method Man, Rizwan Manji Barry Shabaka Henley

A deslumbrante vida normal. A incrível rotina do dia a dia. A grandiosa simplicidade. Celebrar o cotidiano do homem comum é o objetivo de Jim Jarmusch com Paterson, filme indie estrelado por Adam Driver. Vale ressaltar que o indie, neste caso, não é apenas um rótulo para atingir aquele público mais alternativo, como muitas produções estão fazendo hoje em dia.

Paterson é uma cidade de Nova Jersey. Ali, vive Paterson (Driver), um jovem motorista de ônibus, responsável pela linha 23 Paterson. Ou seja, o protagonista, sua cidade e seu trabalho são, basicamente, uma coisa só. E isso não significa que as pessoas devam viver para trabalhar ou que nunca devam deixar sua rotina. O filme é apenas uma homenagem aos dias normais.

Ao início da projeção, vemos Paterson acordando ao lado de sua esposa Laura (Golshifteh Farahani) e, logo, aparece na tela que se trata de uma segunda-feira. Assim, percebemos que iremos acompanhar uma semana da vida do protagonista. Nestes sete dias com Paterson, descobrimos que sua rotina é quebrada pelas poesias que escreve em seu inseparável caderninho. Em seus versos, o protagonista fala sobre pequenas coisas do seu dia a dia, como uma caixa de fósforo, até sobre o amor que sente pela sua esposa.

A poesia está tão impregnada durante todo o filme, como a quantidade de gêmeos que Paterson encontra ao longo de seus dias, trazendo uma espécie de rima às sequências. Tudo é refletido. Tudo tem seu contraponto. Assim, a vida do personagem de Driver encontra-se equilibrada.

Mesmo mergulhado em um clima melancólico durante seus 118 minutos, Paterson é uma mensagem de otimismo. Não há grandes conflitos, problemas ou provações ao longo da trajetória do protagonista. Suas poesias, por exemplo, nunca são desacreditas por sua parceira. Ela está sempre o motivando para continuar. Ele não precisa dar uma volta por cima. Sua vida, do jeito que ela é, é tudo que Paterson quer. Ele enxerga poesia nas pequenas coisas. E isso o torna completo.

Laura, a esposa de Paterson, é o oposto do marido. Inquieta, ela está sempre à procura de mudanças, seja como cantora country ou rainha dos cupcakes. No lar do casal, por exemplo, a moça está sempre pintando e customizando os espaços, deixando tudo o que pode em preto e branco. Os opostos sempre em sincronia, atuando juntos. É como um yin yang, mais uma vez mostrando a dualidade da vida.

Paterson é uma cidade pequena e, dentro da trama, funciona como um personagem a parte. É lindo ver a paisagem pelo para-brisa. Em pouco tempo, já conhecemos a trajetória do personagem principal e, mesmo assim, a cada dia, vemos coisas novas, sob a ótica otimista dele. Sempre uma nova história, uma nova descoberta. Desde a zona das fábricas abandonadas, até onde a natureza ainda sobrevive, tudo naquele lugar tem um significado especial.

Com atuações inspiradas, principalmente a de Adam Driver, que se mostra cada vez mais um dos melhores atores de sua geração, Paterson nos mostra que os pequenos detalhes merecem ser apreciados. Não há nada de errado em ter uma vida simples. Além disso, Jim Jarmusch demonstra que isso é incrível e recheado de poesia. Afinal, cada página em branco é uma nova oportunidade.

Nota: 9/10

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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