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Joaquim | Crítica

Joaquim | Crítica

Joaquim

Ano: 2017

Direção: Marcelo Gomes

Roteiro: Marcelo Gomes

Elenco: Júlio Machado, Nuno Lopes, Rômulo Braga, Izabél Zuaa, Welket Bungué, Diogo Doria

Joaquim é a desconstrução de um herói, mostrando-o como um ser humano que contém falhas e virtudes, mas principalmente ambições. O longa dirigido e roteirizado por Marcelos Gomes é um presente para o cinema brasileiro, sempre tão subestimado pelo público. Com um ritmo lento, a produção nacional desenvolve aos poucos um grande personagem da história do Brasil.

Joaquim é Tiradentes, um dos heróis que são contados para as crianças nas aulas de história. A trama inicia com uma forte cena, mostrando que não é um filme comum. Existem dois principais pontos da história: A paixão de Tiradentes por Preta, interpretada brilhantemente por Isabél Zuaa e a saga do protagonista atrás de ouro para o império português. Quem dá vida à Joaquim é Júlio Machado, que está surpreendentemente bem no papel. O ator dá realismo ao personagem, sem exagerar e sem deixar que falte emoção na sua atuação.

O relacionamento do personagem principal com Preta, uma escrava de personalidade forte, sempre agressiva e questionadora é muito interessante. Se trata de uma paixão intensa por parte de Joaquim e uma forte manipulação de sua amada. O porquê do apelido de Tiradentes é mostrado de forma sutil e natural, sem precisar jogar cenas desnecessárias. A história principal é desenrolada de forma delicada e cuidadosamente bem elaborada. Joaquim está esperando por uma promoção, mas ao invés disso é selecionado para buscar ouro em um lugar distante.

As nuances do personagem são bem exploradas e mostrá-lo de uma forma crua e sem romantismos foi uma sábia escolha. A humanização do herói torna o filme mais interessante do que seria, se contasse a história de uma pessoa qualquer. O filme possui problemas de ritmo, sendo exageradamente lento por muitas vezes. As cenas são exploradas ao máximo, tornando algumas partes cansativas.

O roteiro do longa não é perfeito, mas é bem encaixado e o seu desfecho é satisfatório e facilmente palpável. A fotografia é rica e a ambientação nos faz acreditar que aquelas pessoas estão mesmo vivendo no Brasil colonial. A direção é muito bem executada, com jogadas de câmera de cima para baixo quando o personagem precisa ser exaltado e de baixo para cima quando o momento do protagonista não é favorável.

Joaquim é um filme diferente e muito bem produzido, contando fatos históricos e contendo uma plasticidade ao contar a história de um personagem tão conhecido de uma forma diferente. O roteiro não esbarra em clichês e tudo parece ser bem pensado. Todas as atuações estão ótimas, tornando a obra de Marcelo Gomes importantíssima para o cinema nacional.

Nota: 8/10

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Jornalista, pretende seguir carreira como crítico de cinema. Gosta de dar opinião sobre tudo. Reside em Belém Novo, fim do mundo de Porto Alegre.

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