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Power Rangers | Crítica

Power Rangers | Crítica

Crítica de Power RangersPower Rangers

Ano: 2017

Direção: Dean Israelite

Roteiro: John Gatins

Elenco: Dacre MontgomeryRJ CylerNaomi ScottLudi LinBecky G.Elizabeth BanksBill Hader e Bryan Cranston

Vivemos numa época em que a nostalgia vende. E vende muito. Revival de séries antigas, refilmagem de histórias clássicas, novas versões de games consagrados… Enfim, a indústria está investindo naquilo que foi sucesso em outros tempos para lucrar e, ao mesmo tempo, abraçar os nossos inquietos corações saudosistas. E está conseguindo.

Em 2017, chegou a vez dos heróis que soltam faíscas e posam em frente às explosões voltarem à ativa. Os Power Rangers, que estão completando 24 anos e já andavam meio esquecidos (mesmo sem nunca terem se aposentado das telinhas), ganharam uma nova chance no cinema. E não só isso, há grandes planos para o futuro do grupo. Ou seja, se esse filme der certo, uma nova franquia está chegando por aí. E a Lionsgate, que já não pode mais contar com Jogos Vorazes e Divergente, está cruzando os dedos para que isso aconteça.

O novo filme começa mostrando como os antigos Rangers chegaram na Terra, há 65 milhões de anos, em uma cena muito bem trabalhada e que vai deixar o pessoal que curte umas teorias malucas com um belo sorriso no rosto. Logo, somos transportados para a Alameda dos Anjos dos dias atuais, onde se inicia a apresentação e o desenvolvimento dos protagonistas. E eles são o grande trunfo do filme.

Com um inspirado elenco jovem, com destaque para o ótimo RJ Cyler, o Billy/Ranger Azul, que divide o protagonismo com Dacre Montgomery, o Jason/Ranger Vermelho, as histórias dos cinco protagonistas são bem convincentes e aprofundadas de maneira satisfatória para um filme que, convenhamos, ninguém espera nada muito além do que uma boa ação, frases de efeito e clichês. Não que não tenha, é claro que tudo está lá (tirando a parte da ‘boa ação’, isso não, mas explicarei melhor mais adiante), mas não são esses os principais elementos desse novo Power Rangers.

Os cinco adolescentes, cada um à sua maneira, fazem parte do clássico grupo de desajustados. Todos eles enfrentam algum tipo de problema, seja a perda de um ente querido, culpa por ter feito algo ruim, uma oportunidade desperdiçada, a eminência da morte ou a falta de liberdade para ser quem realmente é. E tudo isso é bem trabalhado, acredite. A reunião dos jovens acaba se tornando uma espécie de Clube dos Cinco, onde aqueles que vivem no mesmo mundo, mas em dimensões diferentes, por assim dizer, acabam criando uma inesperada amizade, fator determinante para que todos virem os heróis que nasceram para ser.

Claro, estas partes boas servem como um contraponto para aquelas que não funcionam muito bem. E nós vamos a elas agora: a maneira como o quinteto chega à nave onde encontram o carismático Alpha 5 (voz de Bill Hader) e Zordon (Bryan Cranston, sempre ótimo – que coisa impressionante), por exemplo, sofre daquele mal já comum nas produções de hoje em dia: o excesso de coincidências. Não, não é fácil de engolir aquela velha e manjada explicação de que “é o destino”, mas ok, no calor do momento, deixamos para lá. A vilã Rita Repulsa (Elizabeth Banks) está, para ser moderado, péssima. Nem se pode dizer que o problema é a atriz, pois a personagem é tão ruim que não dá espaço para qualquer desenvolvimento. E o plano dela, bom, nem tem o que comentar, porque nem existe um plano.

Chegamos, finalmente, na parte da ação. E era melhor não ter chegado nela. Com um orçamento orbitando a casa dos US$ 110 milhões de dólares, que não é um valor baixo, levando-se em conta que muitos filmes da Marvel custam cerca de US$ 150 milhões, o longa fracassa bonito na hora da pancadaria. Há bons efeitos no início do filme e em uma cena de acidente de carro, mas o desfecho é tecnicamente vergonhoso. Além do tempo do clímax ser bem reduzido e apressado, os zords são feitos em um CGI gritante e o monstro invocado por Rita, o tal de Goldar, que é todo feito de ouro, chega a dar raiva de tão tosco. Faltou dinheiro para o final, só pode.

Mas vamos destacar a presença de elementos clássicos legais, como a trilha original (que gruda na cabeça) e as boas participações especiais, como o próprio Bryan Cranston, que teve na série dos anos 1990 um dos seus primeiros trabalhos, dando voz a alguns monstros. Outro fato interessante é que, durante o longa, descobrimos que os ‘escolhidos’ são jovens demais para serem Power Rangers, deixando claro que os atores podem envelhecer tranquilamente nos papeis que vai estar tudo certo. Uma boa sacada.

Enfim, apesar de muitos problemas, esse reboot vai ser satisfatório para aqueles que eram fãs do seriado original e, ainda, vai conseguir captar novos admiradores. Com o foco no caminho que os personagens tiveram que trilhar até virarem heróis, atualizando os seus problemas e histórias para os dias de hoje, esse primeiro e promissor episódio merece uma continuação. E, quando sair, estarei lá para assistir.

Nota: 6/10

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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Tem 25 anos, se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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