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Logan | Crítica

Logan | Crítica

Logan

Ano: 2017

Direção: James Mangold

Roteiro: James Mangold, Scott Frank, Michael Green

Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne KeenBoyd HolbrookStephen Merchant, Elizabeth Rodriguez

Por Victor Andrade

Desde seu inicio como Wolverine, Hugh Jackman sempre dividiu a opinião dos fãs de quadrinhos: seja pela sua altura (nas HQs ele tem 1,50 de altura e Jackman tem quase 1,90) e jeito de galã, até mesmo pela interpretação, de ser muito mais humano do que um animal, como retratada nas HQs. A sua interpretação ao longo dos ultimos 17 anos sempre alternou entre altos e baixos – muito mais devido aos filmes do que a sua interpretação -, mas tudo está prestes a mudar devido a Logan, seu ultimo longa na pele do carcaju que acaba de chegar aos cinemas.

O novo filme entrega tudo do Wolverine que não foi feito nas outras produções: censura alta, violento ao extremo, sangue por todos os lados, e a decadência não de um, mas de dois mutantes: o do própria Logan, que é mostrado perdendo seus poderes de regeneração e suas agilidades de luta; e do Professor X (Patrick Stewart, em seu melhor momento na franquia), no qual o maior telepata do mundo sofre de Alzheimer. Há uma dinâmica extremamente emocional entre os dois, em vez de mestre e mentor, temos simplesmente, de filho para pai: do Logan cuidando de seu ex-mentor. Super tocante tais cenas (com diálogos afiadíssimos e cheios de palavrão entre os dois). Mas tudo está prestes a mudar quando Logan recebe uma nova encomenda para atravessar o país: se trata de Laura/X-23 (Dafne Keen, ótima), uma menina mutante de 11 anos com características e poderes semelhantes ao de Wolverine e que os ciborgues conhecidos como, Carniceiros estão bastantes interessados em captura-la.

Logan possui uma carga dramática forte entre os personagens, antes pouco mostrados em filmes do gênero de super-herói. O diretor do longa, James Mangold (o mesmo de Wolverine: Imortal), sempre vendeu o filme que ele não se encaixa na categoria de filmes de super-heróis e sim como um road movie pós-apocalíptico, mais centrado nos personagens do que em explosões. Com uma bela fotografia, lembrando muitos os Westerns, Logan nos entrega profundidade também na trama no geral, utilizando alguns elementos de O Velho Logan, escrita por Mark Millar (Guerra Civil, Kick-Ass) e desenhada por Steve McNiven, lançada em 2008. O filme apresenta a extinção dos mutantes, que não nascem na Terra a aproximadamente à 25 anos, e a pequena Laura é chave fundamental nessa história. A trama se assemelha muito com o filme Filhos da Esperança, do Alfonso Cuarón, pelo pessimismo e decadência do mundo e de seus personagens, onde uma figura feminina pode ser a salvação de um povo.

Mesmo sendo um filme que os fãs esperam há 17 anos, Logan comete também alguns deslizes óbvios de trama e desenvolvimento da mesmo, e de alguns personagens. Da metade do filme para o arco final, o longa comete os mesmos equívocos de Wolverine: Imortal (numa escala bem menor, claro): personagens confusos e mal aproveitados e uma trama demasiada repetitiva com a do começo do filme, sendo assim, não seguindo o mesmo ritmo que ela impôs desde seu inicio. Os ciborgues Carniceiros, se não fossem ciborgues, de nada acrescentariam a trama; a relação do Logan para com a Laura é fria e apática, por mais que ele seja retratado como um animal, ele ainda possui um coração bom – isso porquê ela o olha com admiração. No mesmo momento da trama, somos surpreendidos com uma reviravolta devidamente óbvia e sem explicação alguma – por mais que ela renda excelentes lutas.

Apesar de um ato final um tanto apressado com os demais personagens apresentados ao longo do filme, Logan possui um dos desfechos mais tocantes e emocionantes do gênero – impossível não chorar na cena. Finalmente a honra e a brutalidade de Wolverine dos quadrinhos foi transportado para a tela grande, com o Hugh Jackman literalmente, dando o sangue para o papel. Ele da adeus ao personagem com extrema dignidade.

Nota: 8,5/10

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