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Eu, Wolverine | Crítica

Eu, Wolverine | Crítica

Eu, Wolverine

Roteiro: Chris Claremont

Arte: Frank Miller, Paul Smith

Publicação: 1982 – 1983 

Por Victor Andrade 

Sou o melhor naquilo que faço, mas o que faço não é nada bom.” Abertura de Eu, Wolverine, no qual temos a melhor simples definição para um personagem.

Em Eu, Wolverine, Logan descobre que sua amada Mariko Yashida foi obrigada a se casar com um dos chefes da máfia para que seu pai, que a muito estava dado como morto, retomasse o poder do submundo oriental. Não concordando com o que tinha acontecido, e querendo seu amor de volta, Wolverine viaja até o Japão, mas encontra somente fúria em seu caminho.

Escrita pelo consagrado roteirista Chris Claremont (no qual na epóca, estava refurmulando as histórias do X-Men) e desenhada pelo ainda novato, Frank Miller, aqui vemos o Wolverine em suas primeiras aventuras solo, longe dos X-Men, em busca de seu grande do amor do passado, Mariko Yashida. Logo no começo da história vemos um Wolverine solitário, furioso e muito animalesco, lutando contra um enorme urso e depois usando suas habilidades de olfato contra um caçador, cujo havia deixado o mesmo urso envenenado.

O roteiro de Claremont é, basicamente, uma história de honra e amor, deslocando Wolverine para o país do sol nascente atrás de Mariko. O tom da HQ fica ainda mais evidente após a luta entre Logan e o pai de Mariko, Lorde Shingen: o lado fera, assassino de Wolverine versus o seu lado humano, carinhoso e apaixonado. O conflito é claro e os diálogos internos que Claremonte escreve passam exatamente bem essa idéia. Poderia um animal amar como um ser humano?

Muito inspirado pela fase em que passou por Demolidor (leia as nossas criticas aqui e aqui), Miller desenha Wolverine com movimentos parecidos como uma dança, cuidadosamente bem coreografados. Mesmo ‘nanico’, o (anti) herói parece esguio, com poses animalescas, principalmente quando rasteja pelas sombras ou escala paredes. Há também muita graça e elegância nas diversas sequências de luta contra os ninjas do Tentáculo (sim, aquela mesma organização que o Demolidor luta contra) e especialmente contra o Lorde Shingen, que é retratado como um espadachim. Na segunda luta entre eles, basicamente nas sombras, mostra um lado do Wolverine que não se importa com a própria vida, apenas com o objetivo final. Em ambas as lutas, podemos notar caracteristas peculiares nos desenhos de Miller: jogo de claro/escuro, contra luz e claro, a classica de jogar alguém através da vidraça de um bar. Isso porque não é um dos melhores trabalhos de Miller; há alguns equivocos de proporção e anatomia, mas nada que tire a sua competência.

Eu, Wolverine, é basicamente dividida em duas partes: a primeira parte, que é mais focada na luta de Logan contra o Lorde Shingen e a segunda, que é mais focada na luta contra o Samurai de Prata, meio-irmão de Mariko, que para poder comandar o sub-mundo de Tóquio, precisa mata-lá. Há um certo declínio nessa segunda parte, muito devido ao desenhista, que trocou: sai Frank Miller e entra Paul Smith. Não que o trabalho de Smith seja ruim (longe disso, inclusive), mas ele não é nenhum Frank Miller, e portanto, não espere certas peculiaridades e dinamicas entre os quadros nessa segunda parte da HQ; apenas um trabalho comum e convencial de qualquer quadrinhos de super-herói dos anos 80 (o traço dele lembra muito o inicio de carreira do John Romita Jr).

Mesmo focando mais na luta entre o Wolverine e o Samurai de Prata, essa segunda parte conta com participação dos X-Men, especialmente da Tempestade e da Vampira (no qual, há uma dinâmica muito bacana entre ela e o Logan no final). Nessa parte, além de termos a participação dos X-Men, somos apresentados a vilã Víbora, aliada do Samurai de Prata.

Criando um dos conceitos mais interessantes para Wolverine, dele ser um ‘samurai defeituoso’, Claremont e Miller entram de cabeça no ser humano Logan, criando assim, um conflito interno entre a besta interna e o ser humano que deseja amar. Eu, Wolverine, com certeza é uma história  que cria elementos e conceitos para o baixinho mais barra-pesada das HQs e indispensável para qualquer fã da Casa das Idéias.

Nota: 8\10

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