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Um Limite Entre Nós | Crítica

Um Limite Entre Nós | Crítica

fences-poster-bode-na-salaUm Limite Entre Nós (Fences)

Ano: 2016

Direção: Denzel Washington

Roteiro: August Wilson

Elenco: Denzel Washington, Viola DavisStephen HendersonJovan AdepoRussell HornsbyMykelti WilliamsonSaniyya Sidney

Por Carlos Redel

Nem todos temos a vida que sonhamos. E, mesmo assim, temos que seguir em frente. Um Limite Entre Nós, protagonizado e dirigido por Denzel Washington, nos leva até os anos 1950 para contar a história de um promissor jogador de baseball que, agora um catador de lixo, tem uma relação conturbada com a sua família. E, mais do que isso, traz um importante recorte sobre o papel do negro durante o desenvolvimento dos Estados Unidos.

A trama, baseada na premiada peça de August Wilson, que teve James Earl Jones no papel principal, nos anos 1980, e Washington assumindo o protagonismo no revival de 2010, foca na vida de Troy (Washington) e sua família, formada pela esposa Rose (Viola Davis), os filhos Cory (Jovan Adepo) e Lyons (Russell Hornsby) – este de uma relação anterior – e o irmão Gabriel (Mykelti Williamson), que voltou da guerra com problemas mentais.

Depois de um conturbado passado, Troy reconstruiu sua vida abdicando de seu grande sonho e, por conta disso, acabou se tornando uma pessoa rígida e conservadora. Analfabeto e trabalhando em meio ao preconceito, ele aceitou a sua posição, priorizando dar uma vida digna para a sua família. Ou, como ele mesmo diz, cumprindo as suas responsabilidades.

A frustração de Troy, no entanto, não permite que ele deixe os demais sonharem, como o filho mais velho que quer ser músico, o mais novo que tem a oportunidade de ser jogador de futebol americano ou, até mesmo, a sua esposa fazendo pequenas apostas para ganhar um dinheiro a mais no final do mês. Para Troy, um emprego em uma loja ou em uma construção é o máximo que alguém pode almejar em um mundo de preconceitos.

É com longos diálogos e uma forte tensão que Um Limite Entre Nós avança em suas mais de duas horas de projeção. Washington, atrás das câmeras, faz questão de aproveitar ao máximo o material original, fazendo desta obra, praticamente, um teatro filmado. Algumas cenas têm, tranquilamente, mais de 20 minutos de duração, mas isso não torna a narrativa cansativa. Pelo contrário, podemos ver uma boa construção dos personagens apenas vendo eles contarem suas histórias, sejam elas verídicas ou não.

O título original do longa, Fences, ou Cercas para nós, se encaixa perfeitamente à trama e, em diversos momentos, há uma analogia ótima sobre o motivo de construção das mesmas. Afinal, uma cerca serve para evitar que invadam o seu espaço ou para não deixar aquilo que você ama sair? Mas, mais do que isso, está diretamente ligada à relação entre os personagens.

Washington, aqui, entrega uma de suas melhores atuações. Nos provoca diversas emoções e isso, independentemente se elas são boas ou não, é digno de aplausos. No entanto, é em Viola Davis que está o grande destaque. Sua Rose é uma mulher contida, receptiva e, ao mesmo tempo, forte. Ela sabe o que é preciso ser feito. Quando é exigida a sua ação, ela não decepciona. No segundo ato, por exemplo, há um momento forte e definidor e, ali, Viola assume o controle e dá um show de atuação. Aliás, a dupla tem o pleno domínio do roteiro e sabe exatamente como tirar o melhor aproveitamento de cada cena.

Mas é na interação de Troy com Cory que o filme tem seus momentos altos. O filho mais novo, apesar de sentir medo do pai, busca se tornar o mais parecido possível com ele, seguindo os seus passos no esporte. No entanto, acreditando que o seu insucesso de anos atrás, por ser negro em um área majoritariamente branca, vá se repetir com o seu filho, Troy o desestimula e o obriga a arrumar um emprego normal. E é dessa desavença que surgem os melhores diálogos do longa, além de momentos com fortes emoções.

Claro, nem tudo são rosas. Apesar de bem construído, em certas ocasiões Troy acaba sendo elevado demais, fazendo com que o seu protagonismo absoluto se torne um pouco cansativo. Além disso, os momentos finais do filme oscilam bastante, entregando momentos emocionantes, forçados e clichês, em questão de poucos minutos. Mesmo assim, no final das contas, há importantes mensagens em Um Limite Entre Nós as quais as pessoas precisam assistir, além de um elenco espetacular em cena. Ah, e é sempre bom ressaltar: entreguem todos os prêmios para Viola Davis!

Nota: 8/10

https://www.youtube.com/watch?v=spCxVd9ctFs&t=1s

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