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Crítica | LEGO Batman – O Filme

Crítica | LEGO Batman – O Filme

Crítica de LEGO Batman - O FilmeLEGO Batman – O Filme (The LEGO Batman Movie, 2017)

Direção: Chris McKay

Roteiro: Seth Grahame-SmithChris McKennaErik SommersJared SternJohn Whittington

Elenco de dubladores: Will Arnet, Michael CeraRosario DawsonRalph FiennesZach Galifianakis, Seth Green, Channing Tatum e Jonah Hill

Por André Bozzetti

Animações costumam levar muito público ao cinema. Normalmente são filmes infantis e se tornam um ótimo programa de família, ou grupos de escola por exemplo. No entanto, muitas vezes os filmes funcionam bem para as crianças mas não para os adultos, tendo pouca ou nenhuma graça para estes que acabam não aproveitando tanto o programa, mesmo que fiquem felizes em ver seus pequenos entretidos. Felizmente, algumas produções conseguem, de maneira muito eficaz, atingir em cheio um público muito mais abrangente. E é o caso deste LEGO Batman.

Dirigido por Chris McKay que é mais conhecido pelo seu trabalho com o Frango Robô e com um grupo de cinco roteiristas creditados (o que normalmente não é um bom sinal), a nova animação da LEGO nos traz o Homem-Morcego lutando para proteger Gotham City de perigosos vilões liderados pelo Coringa. Ao mesmo tempo, ele precisa lidar com a dificuldade de se relacionar e trabalhar em equipe, principalmente ao se ver obrigado a criar um órfão que adotou.

Quem acompanha as produções da LEGO, inclusive o excelente Uma Aventura LEGO, já está familiarizado com o visual que é bem diferente das animações comuns.  Não só esteticamente, mas também na forma como os personagens lidam com este visual, tratando com naturalidade o fato de serem compostos por blocos de montar. E é fantástico como este elemento é bem trabalhado e explorado pelo roteiro. Por exemplo, a bomba que ameaça Gotham City se mostra uma grande ameaça porque cientistas descobriram que a cidade está montada sobre uma espécie de mesa e que não há nada embaixo. Caso a estrutura rache, todos habitantes cairão no limbo.

O filme ainda é uma festa de referências aos fãs do Batman. Existem homenagens ou citações desde capas de revistas clássicas, passando pela icônica série de TV dos anos 60 e por todos os filmes do herói lançados no cinema. Também brinca com os equívocos da DC, tanto com frases como “Um grupo de vilões para combater vilões? Que ideia estúpida!” (alguém falou Esquadrão Suicida?) ou quando o Coringa apresenta um vilão chamado “Rei dos Condimentos” e, ao ser questionado se era inventado, ele nega e manda pesquisar no Google (algo que fui obrigado a fazer ao chegar em casa e posso dizer: sim, ele existe). Robin, por sua vez, rouba a cena em praticamente todos os momentos nos quais aparece com seu uniforme bem peculiar.

LEGO Batman funciona tanto como comédia quanto como filme de aventura, com cenas de ação de tirar o fôlego. Ao pesquisar sobre os roteiristas do filme, percebi que alguns deles são responsáveis pelo desenho American Dad, e isso explica muita coisa. O sarcasmo utilizado e algumas críticas em tom de piada ao comportamento do Batman como super-herói lembram muito os diálogos daquela série. São piadas que crianças conseguem entender no contexto do filme e adultos podem relacionar à vida real, tornando-as ainda mais eficazes.

No que se refere à direção e direção de arte, o filme brinca com o gosto do Batman por preto, uma Gotham City incrivelmente colorida que só se desbota para acompanhar o momento emocional do herói, e com uma coleção fantástica de uniformes para todas as ocasiões. E se a primeira grande cena de ação é meio confusa com seus movimentos acelerados demais, isso se corrige ainda no início e todas as outras lutas e batalhas seguintes (e são muitas) são muito bem coreografadas, além de contar com muitos personagens inesperados que dão um toque especial à história.

É incrível que depois de tantos filmes que a DC acertou apenas na trave ou nem isso, o mais irretocável Batman do cinema seja feito de peças de LEGO. Talvez sirva como lição para a DC e Warner de que colocar cores e fazer graça não é crime nenhum.

Nota: 10/10

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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