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Crítica | Quatro Vidas de Um Cachorro

Crítica | Quatro Vidas de Um Cachorro

Quatro VidasQuatro Vidas de Um Cachorro (2017)

Diretor: Lasse Hallström

Roteiristas: W. Bruce Cameron, Cathryn Michon, Audrey Wells

Elenco: Dennis Quaid, Britt Robertson, K.J. Apa, John Ortiz, Luke Kirby, Logan Miller, Peggy Lipton, Josh Gad

Por Rafael Bernardes

Gostaria de comunicar que o Bode na Sala e todos os seus membros repudiam qualquer tipo de maus tratos a animais.

Uma proposta diferente para um filme inserido em um gênero solidificado. Quatro Vidas de Um Cachorro não é só mais um longa que fala sobre a relação de um pet com seu dono (Marley & Eu e derivados). Lasse Hallström foi o responsável pela direção de Sempre ao Seu Lado, um grande filme do gênero e também assume a responsabilidade por essa produção. Aqui, a intenção é passar a leveza respectiva e emocionar durante a trama.

A história acompanha as vidas de um cachorro, inicialmente chamado de Bailey (essa acaba sendo a sua identidade definitiva, mesmo tendo outros nomes futuramente), o cão narra o tempo inteiro o que está acontecendo e isso serve de alívio cômico, pois as piadas e tiradas são convincentes a ponto de aceitarmos que o animal poderia estar realmente se comunicando dessa forma, se falasse. Além disso, a narrativa em primeira pessoa possibilita que a história seja executada. A primeira vida é marcada pela grande amizade do pet com seu dono, Ethan. O laço entre os dois é fortíssimo, passando a veracidade de uma amizade verdadeira entre cão e dono.

Após a vida terminar, Bailey nasce novamente e se torna uma cadela farejadora que trabalha para a polícia. Podemos identificar uma nítida e bela referência ao K-9, clássico da Sessão da Tarde. Seu parceiro é um policial fechado e solitário, mas a amizade entre os dois é bonita. Nesse momento do filme, inúmeras façanhas são feitas pelo cão, mas ele não entende ao certo e isso diverte. Quando seu novo ciclo termina, mais uma vida começa e o cachorro questiona constantemente qual seria o sentido de sua vida. Outra amizade se inicia e a experiência de conviver com crianças faz com que o animal de estimação goste daquela vida e quando ele se vai, sente uma espécie de satisfação.

A última vida não parece ser uma das melhores, o cão é adotado por uma mulher que possui um relacionamento abusivo e as condições financeiras não favorecem. O presente parece chato e sem carinho, até o casal resolver abandonar o animal. Sozinho, ele reencontra a fazenda em que Ethan continua morando e por consequência reencontra seu antigo dono. Bailey está de volta, ele sempre se lembrou de tudo o que viveu e seu primeiro amigo ainda é o melhor.

A trama é emocionante, mas não cai na mesmice de mostrar a vida do animal de estimação e fazer com que o espectador se emocione com a morte. Vamos nos envolvendo e absorvendo uma constante montanha russa de sentimentos ao longo do filme. A fala do cão ser um pensamento não estraga a sensação de estarmos assistindo a uma história que poderia ser real. Esse artifício é muito bem utilizado. A câmera focada no cão, que muitas vezes mostra o que ele está vendo é um dos pontos fortes da direção, pois faz com que acompanhemos a vida de uma forma verdadeira e encantadora. A fotografia é limpa e bela, títica de filmes do gênero. A trilha sonora é composta por músicas alegres e todas são inseridas nos momentos respectivos. O roteiro esbarra em clichês, deixando a história um tanto previsível e o trailer entrega diversas surpresas que poderíamos ter. Alguns furos são encontrados e algumas atuações não são convincentes, como a de John Ortiz, que interpreta Carlos, o policial parceiro do cachorro.

Mesmo com problemas, Quatro Vidas de Um Cachorro tem tudo para se tornar um clássico da Sessão da Tarde futuramente. Leve, descontraído e emocionante, o longa não tenta ser maior do que é e cumpre bem o seu papel. Não se limitar a um simples filme de cachorro que faz chorar no final e apresentar uma trama criativa e bem encaixada são grandes virtudes do diretor, que sabe muito bem realizar produções nesse estilo. O longa será assistido por gerações inúmeras vezes, por ser fácil de digerir e leve em praticamente todo o tempo.

Nota: 7/10

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