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Crítica | Beleza Oculta

Crítica | Beleza Oculta

Beleza OcultaBeleza Oculta (2016)

Direção: David Frankel

Roteiro: Allan Loeb

Elenco: Will Smith, Kate Winslet, Keira Knightley, Helen Mirren, Edward Norton, Naomie Harris, Michael Peña, Jacob Latimore

Por Rafael Bernardes 

Um drama que fala sobre depressão, com a presença de Will Smith, Edward Norton, Kate Winslet, Helen Mirren, Michael Peña, Keira Knightley e Naomie Harris no elenco. Uma produção com grandes atores desse porte, obrigatoriamente deveria ser boa o suficiente para concorrer ao Óscar, pelo menos na categoria de melhor ator/atriz, ou melhor ator/atriz coadjuvante. Beleza Oculta é a prova de que não adianta juntar grandes estrelas e um bom diretor como David Frankel (O Diabo Veste Prada), se não há uma ideia consistente e um bom roteiro.

A premissa é interessante, Howard é um empresário nova-iorquino depressivo, por conta da morte de sua filha de seis anos. O filme se passa no natal e o amor, o tempo e a morte vão confrontá-lo, fazendo referência às histórias clássicas natalinas onde os fantasmas do natal passado, presente e futuro sempre lembram o protagonista de sua importância na vida das pessoas. Essas três entidades reencarnadas nesse filme não possuem o mesmo impacto dos fantasmas em outras produções e a trama é confusa. O objetivo é fazer com que Howard retome a sua vida e saia daquela situação. Na teoria, pois na prática é apenas a ganância de seu sócio (Edward Norton) e seus “capangas” (Kate Winslet e Michael Peña), que pretendem provar a insanidade do protagonista para que ele seja obrigado a assinar a venda de sua empresa.

Os nomes dos personagens não foram citados anteriormente por que eles não têm importância. Não são bem desenvolvidos e é difícil nos importarmos com suas vidas. Os seus problemas (que não são poucos) são jogados de forma displicente. A mensagem no final é bonita e de auto ajuda, mas a forma com que ela é passada não é bem desenvolvida. Há um ponto alto no filme, quase no final. É quando dá aquele nó na garganta e nos surpreendemos. A intenção do filme era fazer isso com o espectador, mas não apenas em um momento e sim durante a história inteira.

O roteiro possui inúmeros clichês de auto ajuda e muitos furos. A fotografia é limpa, típica de “good vibe movies”. A trilha sonora é boa e agradável, mas nada de espetacular. A maioria das atuações são fracas, outras médias. O maior destaque é Will Smith, que está bem no papel. Além do roteiro, o principal problema de Beleza Oculta é a alta expectativa colocada em cima de grandes atores reunidos. Uma trama mediana com atores menos consagrados seria melhor recebida pelo público e pelos críticos, que massacraram a obra. A direção de David Frankel não é ruim, lembra o seu trabalho em Marley e Eu, mas não é algo que se destaque.

O potencial era enorme, porém a falta de coragem e o exagero no apelo emocional limitam a produção, sendo apenas um filme esquecível. A emoção em uma cena específica não vale a presença de tantos grandes atores. No final, o sentimento é de decepção com o que esse filme poderia ter se tornado.

Nota: 4/10

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