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Crítica | Westworld – 1ª Temporada

Crítica | Westworld – 1ª Temporada

WestworldWestworld – 1ª Temporada (2016)

Criadores: Jonathan Nolan e Lisa Joy

Elenco: Evan Rachel Wood, Thandie Newton, Jeffrey Wright, James Marsden, Ben Barnes, Ingrid Bolsø Berdal, Clifton Collins Jr., Luke Hemsworth, Sidse Babett Knudsen, Simon Quarterman, Rodrigo Santoro, Angela Sarafyan, Jimmi Simpson, Tessa Thompson, Shannon Woodward, Ed Harris, Anthony Hopkins

Por Mariana Pacchioni

Um futuro hedonista não tão distante povoado por androids (quase) perfeitos é o que promete a nova série queridinha pelos aficcionados em ficção científica. Westworld, da HBO, estreiou em 2 de outubro de 2016 e é baseada no filme de mesmo nome de 1973. Com um lado muito mais sombrio e profundo do que a produção da década de 70, a série retrata um parque temático que simula o Velho Oeste povoado por robôs com aparência humana. Cada android – conhecidos como anfitriões – possui uma história: as linhas de narrativa de cada personagem do parque contam com um passado e um objetivo. O propósito de cada android é vivenciar sua história em um grande looping. Por trás dos criadores desse mundo existe um roteirista para criar  essas histórias e escrever as falas dos robôs. Desse modo, nada sai do script. Caso um android seja morto, ele é levado para a manutenção, onde reparam sua carcaça e apagam sua memória. Dessa maneira, ele é obrigado a lembrar apenas aquilo que o seu criador permite.

O parque foi criado para satisazer os desejos de seus convidados. Durante a estadia, os convidados podem deliciar-se nas mais diferentes aventuras. O parque, no caso, seria um lugar para encontrar-se e ser tudo aquilo que o mundo real não permite. O problema começa quando os robôs que habitam esse universo paralelo começam a rebelar-se contra seus criadores. O questionamento durante muitos dos episódios é: até que ponto podemos emular o ser humano em um robô? Será que é possível criar uma inteligencia artificial sem os atributos que nos tornam humanos? Ao longo dos episódios descobrimos.

Com uma narrativa não linear,  ao longo da trama conhecemos um pouco mais da história de cada personagem e sua ligação com o parque. Como os episódios são carregados de detalhes e referências, o ideal é sempre estar atento. O problema é que isso nem sempre é possível, já que algumas histórias são um pouco lentas e acabam dando aquela sensação de estarem arrastando-se. Outro problema também é que, por ser uma série com muitos desfechos e reviravoltas, muitas informações são jogadas para o telespectador em uma tentativa de apenas criar o suspense. Isso lembra um pouco as primeiras temporadas de Lost, em que éramos bombardeados de mistérios e na hora de solucioná-los a resposta era pouco satisfatória.

No entanto, a série acerta muito mais do que erra. Para começar, as interpretações são um dos pontos altos. O elenco é carregado de nomes de peso como Anthony Hopkins, que interpreta o “pai” dos androids, Dr. Ford, Ed Harris como o Homem de Preto e Thandie Newton como uma android que precisa lidar constantemente com as lembranças de seu passado. Nosso querido Rodrigo Santoro também dá o ar da graça no papel de Hector Escaton, o típico bandido procurado de qualquer filme de faroeste que se preze. O papel não é de grande destaque, mas nada impede que o personagem cresça ao longo das próximas temporadas.

O trabalho de Evan Rachel Wood como a android Dolores é igualmente impecável. É possível sentir-se na pele de Dolores com suas dúvidas e sofrimentos em uma jornada que é o ponto central da trama. Dolores é a android mais antiga do parque e carrega em sua história grande parte dos segredos de Westworld.

O roteiro da série fica por conta de Jonathan Nolan, irmão de Cristopher Nolan, responsável pela história do filme Amnésia, que concorreu ao Oscar de melhor roteiro original e melhor montagem em 2002. Apesar da insistência no fator surpresa, o que pode prejudicar um pouco a narrativa da história, o roteiro é muito bem costurado pela ligação das histórias dos personagens e a busca por respostas para os acontecimentos. Cada episódio segue uma lógica e nos apresenta diferentes detalhes que servirão como chave na parte final da temporada, fazendo com que o telespectador sinta-se envolvido durante toda a trama.

Se você curte distopias quase irreais e quer ver até que ponto a tecnologia pode interferir em um mundo em que robôs são facilmente confundidos por humanos, Westworld é a série ideal. Vale também para os amantes de suspense e aqueles que adoram uma boa história cheia de enredos e reviravoltas. Seja qual for o caso, Westworld é uma série que ainda pode entregar muito mais do que mostrou. Resta agora esperar a próxima temporada, confirmada para 2018, e torcer para que Nolan não se perca no emaranhado de fios de seus androids e consiga manter o excelente nível mostrado neste primeiro momento.

Nota: 8/10

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