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Crítica | Desventuras em Série – 1ª Temporada

Crítica | Desventuras em Série – 1ª Temporada

Crítica de Desventuras em Série, nova produção da Netflix com Neil Patrick HarrisDesventuras em Série – 1ª Temporada (A Series of Unfortunate Events)

Criador: Barry Sonnenfeld

Ano: 2017

Elenco: Neil Patrick Harris, Patrick Warburton, Malina WeissmanLouis HynesK. Todd FreemanPresley Smith, Will ArnetCobie SmuldersUsman Ally, Alfre Woodard, Don JohnsonAasif Mandvi Joan Cusack

Por Carlos Redel

Se você gosta de finais felizes, não assista essa série. Foi assim que a Netflix vendeu Desventuras em Série, a sua nova aposta. E o marketing, apesar de ser divertido e de aguçar a curiosidade do espectador, não poderia ser mais honesto. O programa é uma grande sequência de infelicidade e sofrimento e, se você assistiu (ou pretende), não foi por falta de aviso.

A história acompanha os irmãos Baudelaire que, após ficarem órfãos, graças a um incêndio, são enviados para o parente mais próximo. Eles acabam sob os cuidados do terrível vilão e ator de talento duvidoso, conde Olaf (Neil Patrick Harris), que planeja se apossar da fortuna que as crianças têm direito. Após descobrirem as intenções perversas de seu responsável, os Baudelaire conseguem escapar e, a parti daí, começam sua jornada pela casa de tutores, ao mesmo tempo em que fogem das garras de seu malfeitor.

A produção conta com oito episódios e, a cada dois, um dos quatro primeiros livros é adaptado, do total de 13 escritos por Lemony Snicket, o pseudônimo de Daniel Handler. E, com essas horas destinadas para contar a história dos órfãos, percebemos que a televisão é o espaço perfeito para vermos os infortúnios serem bem desenvolvidos e aprofundados, diferenciando-se do longa-metragem de 2004, que é bom, mas não consegue dar a verdadeira dimensão e destaque que as crianças merecem.

Quem acompanhou o processo de divulgação da série, percebeu que o grande chamariz é Neil Patrick Harris no papel de conde Olaf. E não é para menos. O ator, realmente, dá vida de maneira impecável ao maléfico perseguidor dos Baudalaire. Sendo mais cruel e sombrio que Jim Carrey foi no longa-metragem que adapta a história, Harris conseguiu achar um ponto de equilíbrio interessante, sendo destaque no programa, mas sem roubar a cena. Esse, talvez, seja o grande trunfo da série. Afinal, as crianças são as verdadeiras protagonistas e o seu sofrimento é o fio condutor da trama.

Os irmãos Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) são crianças peculiares. Cada um conta com uma habilidade útil para enfrentar as adversidades que encontram pela frente. Os atores, muito inspirados, conseguem cumprir o seu papel de maneira convincente e, sem esforço, tomam a série para si. Torcemos por eles, partilhamos de seus sofrimentos e acreditamos neles.

No entanto, a maior surpresa de Desventuras em Série é Lemony Snicket (Patrick Warburton). Aqui, o autor é o narrador e guia, além de fazer parte da história. Com participações frequentes e importantes, Snicket consegue nos situar na história e nos adiantar as tragédias que virão, dando explicações interessante e até didáticas, mas todas na medida certa. Claro, sempre reforçando que a história só trará tristeza ao espectador. Genial.

Com um design de produção impecável, a série nos transporta para um mundo alternativo, em que não sabemos em que época as coisas acontecem. Os personagens utilizam carros antigos e máquinas de escrever, mas, ao mesmo tempo, falam que compraram objetos pela internet. Em um dos momentos mais legais da primeira temporada, Stefano, um dos disfarces de conde Olaf, diz que prefere assistir filmes no conforto de casa ao invés de ir ao cinema, fechando com Patrick Harris dando uma olhada diretamente para a câmera, com uma clara e divertida referência a Netflix.

As cores, sempre tristes e sem vida, dão o tom certo para a série, compartilhando com o público o sentimento dos Baudelaire. Em raros momentos, temo tons quentes e vivos, simbolizando a esperança dos órfãos, mas, claramente, não dura muito tempo.

Obviamente, nem tudo são flores. Desventuras em Série tem diversos problemas. A duração e a falta de ritmo de alguns episódios podem deixar a experiência cansativa. A Netflix, por ser um serviço de streaming, oferece mais liberdade, não limitando o tempo dos episódios. A maioria com a média de 43 minutos, mas a série conta com dois maiores, com cerca de uma hora, e é neles que sentimos um certo exagero. Outro elemento que prejudica o programa é a qualidade da computação gráfica. Em diversos momentos, percebemos a limitação orçamentária que um programa de TV tem, com efeitos especiais ruins, o que estraga um pouco a imersão.

Capitaneada por Barry Sonnenfeld, que tem relevantes filmes de fantasia em seu currículo, como A Família Addams e MIB, a série cumpre o seu propósito com êxito. O elenco e o roteiro são ótimos e a primeira temporada entrega bastante, mas não tudo, deixando o terreno preparado para os próximos anos, que deverão trazer uma narrativa ainda mais grandiosa e com respostas para diversas perguntas que ficaram no ar.

E se a história não for suficiente para ficar na sua cabeça, a música de abertura fará o serviço. Dificilmente você não ficará cantarolando ela por dias.

Nota: 8/10

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