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Crítica | La La Land – Cantando Estações

Crítica | La La Land – Cantando Estações

La La LLa La Landand – Cantando Estações (2016)

Direção: Damien Chazelle

Elenco: Ryan GoslingEmma Stone, J. K. SimmonsFinn WittrockCallie HernandezRosemarie DeWittMeagen FayJohn LegendJessica RotheSonoya MizunoJason Fuchs

Por Rafael Bernardes

A consagração de um jovem cineasta e uma mistura de referências e homenagens. Após colocar seu nome como um dos diretores mais promissores da nova geração ao realizar Whiplash, Damien Chazelle mostrou que não é um diretor de apenas um sucesso. É possível observar toda a sua paixão por música e por musicais, por conta da dedicação em realizar um ótimo filme, que vai muito além do gênero. La La Land é uma homenagem ao visual e à atmosfera dos clássicos dos anos 50 e 60. A obra contém a turbulência artística de Nasce uma Estrela (1954), a fluidez de movimento de Cantando na Chuva (1952), a fotografia com cores vibrantes de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e o jazz de New York, New York (1977).

Logo na sequência de abertura, o diretor nos mostra um pouco de seu talento. Com certeza é o maior plano sequência em musicais. A verdade é que existem cortes, mas são quase imperceptíveis e “enganam” muito bem o espectador. Chazelle repete a forma de dirigir as cenas diversas vezes, mas não torna a experiência cansativa, pelo contrário. O filme contém duas horas e oito minutos de duração, mas o tempo voa na sala de cinema, a história cativa de uma forma intensa. La La Land superou grandes musicais como Chicago e Os Miseráveis, por conta da originalidade e por ser um filme completo e não “apenas um musical”. Chicago surgiu na Broadway e La La Land é uma ideia aplicada diretamente no cinema, por isso a originalidade. Os Miseráveis como musical é superior, mas como filme não. A direção de Chazelle faz com que o filme seja acessível até ao público que rejeita o gênero, pois há diálogos interessantíssimos e a trama nunca fica cansativa.

As atuações também são destaque no filme. Emma Stone está atuando de forma magistral, é o papel de sua vida. A atriz mostra todo o seu talento interpretando Mia, uma jovem atriz que sonha em fazer sucesso, mas não consegue passar nos testes e se sente como se fosse igual às outras jovens atrizes. Toda a sua melancolia pessoal é transpassada de forma sutil e arrebatadora, fazendo-nos ter grande empatia por ela e muitas pessoas podem se identificar com a personagem. Do outro lado temos Ryan Gosling interpretando Sebastian, um pianista de jazz que sonha em abrir seu próprio clube. O músico não possui emprego fixo e não consegue tocar o que gosta, apenas o que o mandam tocar. A atuação de Gosling está exemplar, também sutil e convincente. O filme atinge seu auge quando os dois atores estão juntos em cena. A sintonia entre os dois é assustadora, eles possuem química e uma sensualidade conjunta.

A história dos dois se cruza de uma forma bem pensada, com encontros casuais e leves desentendimentos. Aos poucos e sem parecer forçado, eles se aproximam e começam a viver uma história de amor. Pode parecer clichê, mas a direção e o roteiro fogem dos clichês e apresentam uma história original e emocionante. A interação dos dois artistas que possuem sonhos é interessante, demonstrando uma espécie de batalha de egos inconscientemente por parte dos protagonistas e que é apresentada de forma natural.

Os atores principais não são excelentes cantores, mas são afinados e isso basta. Os atores coadjuvantes funcionam muito bem. J.K. Simmons rouba a cena quando aparece e o cantor John Legend entrega um personagem carismático, mesmo sem muita profundidade. O roteiro é redondo e tudo vai se encaixando do início ao fim. As músicas são cantadas apenas nos momentos necessários e mesmo com a espetacularização na hora da cantoria (típica dos clássicos), não estraga e nem atrapalha o que está sendo contado.

É possível concluir que Damien Chazelle obteve toda a liberdade para deixar a sua marca no filme, assim como fez em Whiplash. O cineasta tem tudo para se destacar no gênero por conta desse filme, assim como Quentin Tarantino se destacou em Pulp Fiction, absorvendo diversos elementos de filmes clássicos e colocando-os em uma ótima trama. Não se trata de uma comparação entre os dois diretores, pois ambos possuem características completamente diferentes, porém os dois observam peculiaridades em filmes consagrados e conseguem unificá-las, realizando obras cinematográficas excelentes. Nota-se uma semelhança entre os dois em um aspecto peculiar utilizado para contar a história. Tarantino costuma desenvolver algumas de suas obras através de capítulos e Chazelle utiliza as estações do ano para demostrar as situações decorrentes da trama. É difícil criticar algo nessa produção, se trata de um grande filme, porém há um erro de enquadramento durante uma cena em que Emma Stone está cantando sozinha, mas nada que seja grave. La La Land absorve elementos dos musicais clássicos e se torna um clássico moderno, irreverente, original (mesmo com tantas referências, não há cópia) e maravilhosamente bem executado em todos os sentidos.

Nota: 10/10

 

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