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Crítica | Os Penetras 2 – Quem Dá Mais?

Crítica | Os Penetras 2 – Quem Dá Mais?

Crítica de Os Penetras 2 - Quem Dá Mais?, comédia com Eduardo Sterblitch e Marcelo AdnetOs Penetras 2 – Quem Dá Mais? (2017)

Direção:  Andrucha Waddington

Roteiro: Renato Fagundes

Elenco: Eduardo Sterblitch, Marcelo Adnet, Stepan Nercessian, Mariana Ximenes, Danton Mello, Elena Sopova, Laila Zaid, Mikhail Bronnikov e Stenio Garcia

Por André Bozzetti

Existem filmes excelentes que tornam-se clássicos mesmo após décadas de seu lançamento. Existem filmes bons que marcam uma época. Existem filmes que divertem ou entretém por duas horas e são esquecidos em seguida. Outros, são ruins e bate aquele arrependimento de ter assistido. Alguns péssimos que nos fazem pensar que são duas horas da nossa vida que jamais voltarão. E depois, abaixo de todos esses, chega Os Penetras 2 – Quem Dá Mais?.

Escrito por Renato Fagundes, João Paulo Horta e Ulisses Molusco Oliveira, o roteiro de Os Penetras 2 surpreende por conseguir não trazer absolutamente nada que faça algum sentido e que justifique ter sido filmado. Além disso, os vergonhosos e constrangedores diálogos que seriam supostamente engraçados, soam quase todo o tempo como improvisações ruins dos “comediantes” (sou obrigado a usar aspas) que protagonizam o longa. Sendo assim, temos uma comédia que não tem graça nenhuma.

Não assisti o filme que originou esta continuação, então não sei exatamente como se formou aquele grupo de vigaristas (que seria um nome mais apropriado para o filme do que “penetras”, mas tanto faz). Desta vez, Beto (Eduardo Sterblitch) vai parar em um hospício, após ser traído por Marco (Marcelo Adnet) e abandonado pelos seus outros parceiros. Internado, recebe um telegrama cujo conteúdo o motiva a fugir do hospício e contatar seus antigos comparsas. Acho que é o suficiente. A partir desse momento, falar do roteiro é como juntar vários quebra-cabeças diferentes, onde as peças obviamente não se encaixam direito e o resultado final é uma figura totalmente disforme. Ver Andrucha Waddington dirigindo mais um filme catastrófico e caça-níqueis como esse só reforça o pensamento de que os ótimos Casa de Areia  e  Eu, Tu, Eles foram acidentes de percurso no currículo do diretor.

Imagino que o primeiro Os Penetras tenha rendido um bom dinheiro para justificar a produção deste segundo filme sem que houvesse sequer uma história para contar. Também suponho que o diretor tivesse uma confiança enorme no seu elenco, acreditando que eles sozinhos carregariam o filme nas costas. Infelizmente, isso não chega nem perto de acontecer. Considero Marcelo Adnet um comediante talentoso e acredito que ninguém desaprende algo no que é realmente bom. Apesar de queimar o filme no fraquíssimo programa Adnight que apresentou na Rede Globo, conseguiu mostrar seu talento no excelente Tá no Ar. Mas vale lembrar que isso é TV e não cinema. Nem tudo que funciona em um funciona em outro. E neste caso, passou longe de dar certo. Já Eduardo Sterblitch, que já era péssimo na TV, consegue aparecer em praticamente todas as cenas do filme e, ainda assim, não acertar uma piada sequer. O mais ridículo é que são óbvias as tentativas pois todas as cenas são irritantemente forçadas. Mas não dava pra esperar nada além disso de alguém cuja atuação mais relevante está ligada ao intragável programa Pânico na Band.

Completando o elenco principal, Mariana Ximenes, Stepan Nercessian e Danton Mello. Ximenez faz o papel de Laura e alterna o filme inteiro apenas três ações: 1. caminhar rebolando de forma exagerada; 2. xingar / reclamar de alguém; 3. fazer uma expressão sensual enquanto mente ou participa de um golpe. Às vezes, duas delas ao mesmo tempo. Danton Mello como Santiago não consegue mudar a expressão nem tom de voz independente da situação na qual se encontra. E chegamos em Stepan Nercessian como Nelson, que é um oásis de talento no meio de tanta mediocridade. Mas, obviamente, não consegue fazer milagre com um personagem secundário, sendo insuficiente para garantir algo de muito positivo para o filme. Sem contar, que é justamente ele o escalado para falar palavrões em holandês em um dos tantos momentos que não acreditei no ridículo e absurdo que estava diante dos meus olhos.

Não consigo parar de pensar como alguém consegue aceitar participar de um filme após ler um roteiro como esse. Ele é ofensivo. Ofende a inteligência do público. Como nada é tão ruim que não possa ficar pior, há uma cena pós-créditos tão constrangedora quanto tudo que foi visto antes. Muito otimismo por parte dos realizadores acreditar que alguém vá ficar sentado lá após o final do filme. Se o público não sair bem antes de terminar, eles já deveriam considerar uma vitória. Estamos em janeiro, mas já temos um candidato fortíssimo a pior filme do ano.

Nota: 0,5/10

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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Comments

  1. Acho que essa pessoa não assistiu ao mesmo filme que eu!
    Ri do começo ao fim ,e a sala que estava lotada teve a mesma reação que eu!!!
    É um filme que faz a gente sair do cinema bem mais leve,pois é super engraçado e todos os atores estão ótimos em seus personagens!!!
    Super recomendo!

    • Eliane, fico feliz por você (e o resto das pessoas da sala) que conseguiu se divertir com o filme. Minha crítica é a minha percepção pessoal e análise do que assisti e nada mais. Muito obrigado pelo comentário, de qualquer maneira.
      Grande abraço.

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