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Crítica | Dominação

Crítica | Dominação

Crítica de Dominação, terror com Aaron Eckhart e Carice van HoutenDominação (Incarnate, 2016)

Direção: Brad Peyton

Roteiro: Ronnie Christensen

Elenco: Aaron Eckhart, Carice van Houten, Catalina Sandino MorenoDavid MazouzKeir O’DonnellMatt NableEmily Jackson Paul Vincent O’Connor

Por André Bozzetti

Em um momento no qual uma crise criativa parece ter infectado grande parte dos roteiristas de Hollywood, é cada vez mais raro encontrarmos filmes que tragam algo realmente novo para o espectador. Até por isso o que mais vemos são continuações, prequels, spin offs, remakes e tudo mais que possa beber em uma fonte que já rendeu frutos (ou seja, dinheiro) para os estúdios anteriormente e que, teoricamente, pode repetir o sucesso. Nesse contexto, Dominação surpreende de início, ao trazer uma abordagem inovadora aos filmes de exorcismo. Infelizmente, nem sempre uma boa premissa garante um desfecho à altura.

Escrito por Ronnie Christensen (de Maré Negra) e dirigido por Brad Peyton (de Terremoto: A Falha de San Andreas), Dominação nos apresenta Dr. Ember (Aaron Eckhart), um exorcista não-religioso, que expulsa demônios dos corpos de pessoas através de uma espécie de hipnose, entrando na mente dos “encarnados”. Ao ser chamado para tratar um garoto de 11 anos que foi possuído por uma entidade maligna, ele se depara com um inimigo conhecido e perigoso.

O modus operandi do Dr. Ember não é exatamente original, mas tem grandes méritos pela aplicação em um filme de terror. Vamos ver as possíveis inspirações.. um homem numa cadeira de rodas que entra na mente das pessoas e, quando está neste universo “espiritual”, consegue caminhar, lutar, etc. Alguém pensou no Professor X? Um homem entra nos sonhos e nas memórias de alguém enquanto uma equipe fica de fora monitorando o que está acontecendo lá. Um pouco de Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças misturado com A Origem? Pois é. Mas nesse caso, existe um demônio para ser expulso dali, e isso parece sim uma bela novidade. Então o que não funcionou?

A impressão que dá é que o roteirista Ronnie Christensen se surpreendeu por ter uma ideia relativamente original e se apressou em desenvolvê-la de qualquer maneira para começar a filmar logo. Isso porque a única coisa boa naquele roteiro é justamente a premissa. O resto é uma sucessão de equívocos, furos, clichês e absurdos que abusam da suspensão da descrença e da boa vontade do espectador.

Além disso, fica difícil se envolver com uma história que nenhum dos atores, com exceção de Eckhart (em um esforço louvável, mesmo sem grandes resultados), parece acreditar no que está fazendo. São atuações absurdamente forçadas, com estereótipos por vezes até ofensivos. Sem contar que nenhum personagem é minimamente desenvolvido. O padre amigo do Dr. Ember, os ajudantes dele para fazer os “exorcismos”, até a própria entidade que trava a batalha com ele… quem são? Como chegaram ali? Não se sabe. O lado bom disso é que não nos preocupamos se eles morrem ou não, pois são meros figurantes dos quais mal lembramos o nome.

Dominação tem aquela cara de filme feito já pensando em suas continuações ou até em uma franquia. No início parecia haver algum potencial para isso, mas, vendo o resultado final, nota-se que não conseguiram desenvolver sequer trinta minutos, quem dirá um novo filme inteiro. É uma pena, pois em um gênero que vive tanto do “mais do mesmo”, um roteiro com alguma inovação merecia um tratamento melhor.

Nota: 4/10

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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