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Crítica | Invasão Zumbi

Crítica | Invasão Zumbi
Crítica de Invasão ZumbiInvasão Zumbi (Busanhaeng, 2016)

Direção: Sang-ho Yeon

Roteiro: Sang-ho Yeon

Elenco: Yoo GongSoo-an KimYu-mi JungDong-seok MaWoo-sik ChoiSohee Eui-sung Kim

Por André Bozzetti

Já fui um grande apreciador de filmes de terror, fossem eles bons ou ruins, mas esta é uma característica minha que foi sumindo com a idade. Aquele prazer em assistir um filme simplesmente para sentir medo, realmente não existe mais. No entanto, continuo gostando de bons filmes, independentemente do gênero. Então, se é para sentir medo e levar sustos, que a qualidade do filme compense isso. E, felizmente, este é o caso aqui.

Escrito e dirigido por Sang-ho Yeon, Busanhaeng (título original) recebeu no Brasil o título mais expositivo (e de uma capacidade de síntese invejável) possível: Invasão Zumbi. A trama tem como centro o investidor Seok Woo (Yoo Gong) e sua filha Soo-an (Soo-an Kim). Divorciado, Seok Woo cede aos apelos da filha para que a leve para visitar a mãe em Busan no dia do seu aniversário. Durante a viagem de trem, descobrem que Seoul e quase toda a Coréia do Sul está sendo devastada por uma epidemia zumbi e precisam buscar uma forma de sobreviver até chegar a um local seguro.

No fundo, no fundo, toda essa história não faz grande diferença. É um filme de zumbis e pronto. Por isso achei absolutamente digno o título nacional. O que realmente importa é a invasão, como ela será mostrada, quais serão as características dos personagens, como serão os sustos que levaremos e como a tensão será criada.

Bem que Sang-ho Yeon se esforçou para que o roteiro não fosse tão simples. Existem conflitos pessoais vividos pelos protagonistas que esta jornada e a luta pela sobrevivência ajudarão a solucionar. No entanto, a mensagem do filme é exageradamente óbvia desde o início. Seok Woo é um pai ausente que, apesar de amar a filha, passa muito mais tempo buscando ganhar dinheiro do que acompanhando o dia-a-dia dela, sem tempo sequer para ir ver a apresentação da menina no colégio ou saber que ela já tem um Nintendo Wii. Desde o início, se mostra uma pessoa individualista, que vai precisar aprender a colaborar com os outros se quiser sobreviver. O personagem já inicia unidimensional e segue a estrada lógica do seu arco dramático.

As outras subtramas presentes no filme são ainda mais simples. O fortão boa praça com sua esposa grávida. O atleta apaixonado pela cheerleader que parece mudar de personalidade sem muita explicação. O empresário rico e mais egoísta ainda que o protagonista que quer salvar a própria pele independente de quantos morram ao seu redor. As duas irmãs velhinhas que discutem o tempo todo mas não podem ficar separadas. Por incrível que pareça, apesar de toda a simplicidade das tramas, a história funciona. Em parte por causa das ótimas atuações de praticamente todos envolvidos, desde os personagens mais importantes até os figurantes. No entanto, o principal mesmo, foi o ritmo alucinante do filme e as belas sequências de ação e suspense que não deixam nunca que os dramas apresentados ganhem muito espaço.

Não há nada de muito inovador em Invasão Zumbi, mas seu grande mérito é unir muito bem as referências que tem, juntando coisas boas de diversos filmes do gênero. Para começar, o realismo dos zumbis é um ponto altíssimo. Ao investir mais em maquiagens do que em monstros digitais, o filme se torna automaticamente mais assustador. Algumas das ótimas sequências de ação lembram muito Guerra Mundial Z, mas o realismo dos zumbis em comparação com aqueles seres que pareciam saídos de videogames do filme do Brad Pitt, tornou as cenas muito mais assustadoras e impactantes.

Por exemplo, o filme se passa quase todo dentro do trem que os levaria a Busan. Ali dentro, os passageiros tomam conhecimento da contaminação através do noticiário de TV, mas uma garota infectada que entrou no trem para tentar escapar dos zumbis, acaba levando a epidemia até eles. E a cena da transformação dela é ótima. Sem muita pressa, mostrando a evolução da infecção pouco a pouco, cria uma boa dose de tensão ao anteciparmos o que virá a seguir. E existem algumas cenas divertidas e bem boladas, não necessariamente assustadoras, que apesar de não serem imprescindíveis, complementam bem as sequências. São os casos do cervo atropelado e de um momento no qual zumbis vão caindo do céu.

A tensão e os sustos foram satisfatoriamente recompensados. Se o filme não é nenhuma obra-prima do terror, pelo menos é um bom entretenimento. E é bom ver um filme de terror onde os sustos não se limitam a barulhos inesperados ou rostos assustadores surgindo de surpresa na tela. São situações construídas, de forma lógica, mesmo quando esta lógica parece meio ingênua.

Nota: 7/10

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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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