Bode na Sala
Críticas Séries

Crítica | 3%

Crítica | 3%

3%

3% (2016)

Criador: Pedro Aguilera

Elenco: João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes, Vaneza Oliveira, Rodolfo Valente, Rafael Lozano, Viviane Porto, Luciana Paes, Zezé Motta, Sérgio Mamberti, Mel Fronckowiak, Luana Tanaka, Lilian Regina

Por Rafael Bernardes

A primeira série brasileira da Netflix apostou na ficção científica para cativar o público. A premissa de 3% é muito boa: um futuro distópico onde a maioria das pessoas vive em extrema pobreza e poucos se encontram em um lugar distante, chamado Maralto. Nesse paraíso não existe dinheiro, injustiças ou dificuldades, apenas a felicidade. Para chegar nesse lugar tão sonhado fundado por um casal, intitulado “Casal Fundador”, jovens de 20 anos devem participar de diversas provas e mostrar suas capacidades físicas e mentais.

A produção conta com um elenco variado, mesclando atores jovens com experientes, como é o caso de João Miguel, que interpreta Ezequiel, o diretor do processo seletivo. A história gira em torno de Michele (Bianca Comparato), Fernando (Michel Gomes), Joana (Vaneza Oliveira), Rafael (Rodolfo Valente), Marco (Rafael Lozano) e outros que não recebem tanto destaque. A trama é cheia de metáforas que nos faz ligar com a realidade atual e possui referências de Jogos Vorazes e Divergente.

A intenção da série é muito boa. Uma ficção científica com diversas críticas sociais, mostrando um grupo rebelde que não acredita nesse processo seletivo, existem também fanáticos religiosos que idolatram o “Casal Fundador”, fazendo diversas relações com a realidade brasileira. Mas uma boa série não é feita apenas de boas ideias, é necessário muito mais. Quando assistimos o episódio piloto, nas primeiras cenas já fica nítido o erro na escolha do elenco. As atuações são fracas, que parecem beirar ao teatro, mas afirmar isso seria um insulto às peças teatrais. As expressões não convencem e os diálogos são ruins, além de conter um figurino que não nos passa a certeza de que aquele povo é realmente pobre. Não há naturalidade em nada. Até João Miguel, que sempre mostrou ser um bom ator está mal, com poucas expressões.

A série é forçada em vários sentidos, quase impondo aquela realidade ao espectador. O roteiro é fraco e contém diversos furos, fazendo com que a história se perca muitas vezes. Os primeiros episódios são lentos e cansativos, demorando para a história envolver o espectador. Quando a trama começa a se desenvolver e ficar relativamente interessante, já estamos na metade da temporada. Em meio a atuações ruins, tanto dos jovens quanto dos mais experientes, Mel Fronckowiak salva o elenco com uma atuação digna e bem executada. Parece que todos são atores iniciantes e ela uma atriz experiente mostrando como deve ser feito.

Apesar de todos os problemas, a curiosidade para saber quais serão os jovens selecionados faz com que terminemos de assistir, mas o roteiro continua a incomodar mesmo após o desfecho. A Netflix tentou emplacar um sucesso nacional pensando diferente, mas ao contrário da HBO, que produziu quatro séries brasileiras de qualidade (FDP, O Negócio, Magnífica 70 e Psi), falhou bruscamente. A premissa da série é excelente e tinha tudo para dar certo, mas faltou investimento e vontade de realizar algo realmente diferente e que se destaque das demais produções nacionais. 3% já foi confirmada para uma segunda temporada e esperamos que melhore.

Nota: 4/10

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