Bode na Sala
Críticas Filmes

Crítica | A Última Ressaca do Ano

Crítica | A Última Ressaca do Ano

ressaca

A Última Ressaca do Ano (2016)

Direção: Will Speck e Josh Gordon

Roteiro: Justin Malen, Laura Solon, Dan Mazer, Jon Lucas, Scott Moore e Timothy Downling

Elenco: Jennifer Aniston, Jason Bateman, Olivia Munn, T.J. Miller, Kate McKinnon, Jamie Chung, Matt Walsh, Courtney B. Vance

Por André Bozzetti

Nunca saí de um filme durante a sessão, por menos que estivesse gostando do que via, mas pela primeira vez (mesmo sem querer) considerei fazer isso. Foi um pensamento que veio sem eu notar. Quando percebi estava me questionando “o que estou fazendo aqui mesmo”? Simplesmente porque a sensação que eu tinha era de que estava na sala de casa, zapeando entre os canais, e que tinha parado em algum programa idiota qualquer que passava enquanto eu fazia qualquer outra coisa, como cozinhar ou mexer no celular. O pior é que eu estava prestando atenção no filme, mas mesmo assim, nada parecia fazer sentido.

Vou tentar explicar o enredo de “A Última Ressaca do Ano”, considerando que exista um. Clay (T.J. Miller) dirige uma filial da Zenotek, empresa de tecnologia criada por seu falecido pai. Ele é infantil, pouco inteligente, no entanto é generoso com os funcionários. Carol (Jennifer Aniston) é a CEO linha dura, que está fechando filiais e demitindo pessoal por não atingirem metas impossíveis de serem cumpridas. Para salvar sua filial, Clay precisa garantir um ótimo e lucrativo contrato com um cliente e, para isso,  pede ajuda para Josh (Jason Bateman) e Tracey (Olivia Munn), para que organizem uma mega-festa de Natal que ajude a convencê-lo e… eu desisto. É completamente sem sentido.

“A Última Ressaca do Ano” é um filme que não se justifica. É uma comédia que não tem graça. Pior do que isso, tem piadas constrangedoramente ruins o tempo inteiro. É difícil até analisar quesitos técnicos de uma produção na qual nada funciona. O roteiro parece ter sido escrito por um adolescente bobo e mimado, mas é pior do que isso: tem participação de seis pessoas. Justin Malen, Laura Solon, Dan Mazer, Jon Lucas, Scott Moore e Timothy Downling. Parece que isso não costuma ser um bom sinal, e neste caso específico isso se confirma.

Os diretores Josh Gordon e Will Speck também fazem um trabalho em conjunto e também falham miseravelmente. É inacreditável o tempo desperdiçado tentando fazer uma festa parecer divertida e engraçada, o que jamais acontece. A cena em que Bateman e Munn dançam em roupas enormes é particularmente embaraçosa, e é precedida de um “suspense” que nos faz crer que algo fantástico vai acontecer.

E o que dizer das atuações? Jason Bateman tem o timing cômico do tio que insiste na piada do pavê na festa de natal. Jennifer Aniston é apenas a Rachel de Friends em uma versão piorada. T.J. Miller não tem nenhuma fala séria no filme inteiro e mesmo assim não consegue arrancar uma risada. Mas o mais constrangedor e vergonhoso mesmo foi o que fizeram com Kate McKinnon, com uma personagem ruim, forçada, e que, pasmem, foi utilizada para fazer piadas sobre peidos. Sim. Quantos “doze anos” de idade uma pessoa precisa ter para achar graça disso?

Imagino os roteiristas e diretores lendo este texto agora e falando: “ele falou peido!” e gargalhando a seguir. E o filme só não ficou com nota ZERO porque resolvi valorizar o trabalho honesto e esforçado de Olivia Munn, que se saiu bem quando o roteiro não a sabotava completamente.

O mais triste é que o filme não acaba quando termina.  Durante os créditos, ainda seguem alguns erros de gravação e fotos de bastidores. É óbvio que existem neste momento várias tentativas para a cena do peido, que eles fizeram com tanto orgulho. Não foi dessa vez que voltamos a ter um bom filme de Natal como “Simplesmente Amor” ou o maravilhoso “Duro de Matar”.

Nota: 1/10

http://www.youtube.com/watch?v=5IPhvLexI40

The following two tabs change content below.

André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

Latest posts by André Bozzetti (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *