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Crítica | The Crown – 1ª Temporada

Crítica | The Crown – 1ª Temporada

Crítica The Crown, da NetflixThe Crown (2016)

Criador: Peter Morgan

Elenco: Claire Foy, Matt Smith, Vanessa Kirby, Eileen Atkins, Jeremy Northam, Victoria Hamilton, Ben Miles, Greg Wise, Jared Harris, Stephen Dillane, John Lithgow

Por Mariana Pacchioni

A produção mais pretensiosa da Netflix chegou sem alarde. Talvez seja por isso que tenha amargado a terceira colocação no ranking das piores estreias do canal. Em janeiro deste ano, um trailer completo sobre a biografia que iria contar a ascensão ao trono de Elizabeth II causou muito furor. Era, sem dúvida, o carro-chefe entre as séries que seriam produzidas em 2016.

Sua estreia aconteceu de maneira contida, mas não menos impactante: com um orçamento de cerca de US$ 130 milhões, The Crown é um verdadeiro show de beleza, atuações magníficas e histórias surpreendentes.

O ponto de partida é o casamento entre Elizabeth (Claire Foy), filha do rei George VI, e o Príncipe Phillip (Matt Smith). Elizabeth, atual rainha do Reino Unido, não nasceu com pretensões de virar rainha. A mudança aconteceu em sua vida quando seu tio, Edward, Duque de Windsor (Alex Jennings), abdicou do trono para casar-se com uma mulher divorciada. Quem assume, então, é o pai de Elizabeth. A história da abdicação e a relutância em assumir o trono são contadas no filme O Discurso do Rei, que ganhou o Oscar de Melhor Filme e Melhor Ator para Colin Firth, em 2011.

Apesar de a série se basear na abdicação e suas consequências, o enredo pega fogo quando o pai de Elizabeth morre e ela, apenas com 25 anos, assume o trono. Se hoje o papel da mulher na sociedade está em evidência, naquela época o papo era outro. Elizabeth era cercada por homens e foi criada para ser uma dama e não a ajudar a governar um país. Isso acontece porque o Parlamentarismo instaurado no Reino Unido faz com que o rei reine, mas não governe. O diálogo, porém, entre parlamento e realeza deve ser claro.

Além de tudo, a rainha precisava lidar constantemente com sua vida pessoal, em especial com o seu marido, Phillip Mountbatten, que tinha dificuldades em aceitar o poder e influência de sua mulher, ofuscando-o muitas vezes. Embora o ano seja 1952, estes são assuntos muito relevantes nos dias de hoje, fazendo com que a série conte uma história do passado, porém muito atual.

O enredo secundário mais envolvente é, sem dúvida, o da Princesa Margaret (Vanessa Kirby) e Peter Townsed (Ben Miles). Townsed era o palafreneiro do antigo rei e um heroi de guerra. Acaba apaixonando-se pela Princesa, 16 anos mais nova, e luta para que possam viver esse amor. Vale ressaltar que Townsed também era divorciado à época que o romance com a Princesa veio à tona. No caso, Margaret viveu um dilema parecido com o seu tio, tendo que escolher entre o dever que vinha com a realeza e viver um grande amor.

Aliás, amor e dever andam em sentidos opostos na série. O dever com a família real é de extrema importância no Reino Unido, não apenas para a rainha. Na série, podemos ver cada um dos personagens abdicando um pouco de sua felicidade em razão da coroa.

A série nos presenteia também com momentos históricos e as mudanças que ajudaram a moldar o século XX para a transição no mundo como conhecemos hoje. Jantares com presidentes, manchetes de jornais da época e acontecimentos políticos verídicos são alguns dos pontos retratados pela série para trazer veracidade.

O elenco da série também conta com muitas surpresas boas. Claire Foy, conhecida do público por interpretar Ana Bolena na premiada série Wolf Hall, encanta com sua Elizabeth. Jared Harris dá vida e sentimento ao rei George VI em uma atuação muito comovente. A atuação estelar, no entanto, fica por conta de John Lithgow, que interpreta o primeiro ministro Winston Churchill. Com maestria, Lithgow consegue prevalecer as virtudes e defeitos de um dos homens mais influentes do mundo naquela época. Vale lembrar que 1952 é muito próximo do pós-guerra e Churchill foi personagem central para acabá-la.

Apesar de ser pensada para um público segmentado, The Crown não irá agradar apenas os aficionados por obras de época. Com um roteiro bem escrito e uma produção maravilhosa, a série é uma das melhores já produzidas pela Netflix. Basta agora esperar a segunda temporada, já que foi anunciado que a produtora encomendou seis temporadas, com dez episódios cada.

Nota: 9/10

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